— Querido, cheguei — anuncio ao passar pela porta.
Zac levanta os olhos do notebook. Um sorriso lindo se abre em seu rosto, fazendo meu coração bater mais rápido.
Ele deixa o notebook de lado no sofá e estende os braços para mim.
É irresistível esse seu novo hábito de me chamar assim. E não sou capaz de resistir mesmo, pois atravesso a sala depressa indo direto para os braços dele.
Zac me envolve em um abraço forte e carinhoso, me fazendo sentar em seu colo.
Parece que não era só eu que estava morrendo de saudades.
— Como foi o trabalho, querida? — ele pergunta, beijando meu pescoço.
— Cansativo. Essa vida de sustentar marido gigolô não é fácil.
A risada contagiante de Zac solta uma lufada de ar quente em meu pescoço, e os pelos da minha nuca se arrepiam.
Preciso de um beijo dele agora mesmo. Por isso afasto só o suficiente para alcançar sua boca.
E pelo visto ele queria o mesmo, pois captura os meus lábios em um beijo de saudade.
Afundo em um rio doce de felicidade.
Por que os lábios dele têm que ser tão macios? Por que seu cheiro tem que ser tão envolvente?
Os dedos de Zac se insinuam por baixo dos meus cabelos e se fecham ali, com um aperto suave, mas firme. Me desmonto por inteira.
Meu coração está satisfeito, mas meu estômago, não. Ele ronca e Zac escuta, então afasta nossos lábios aos poucos.
— O que você quer comer? — ele pergunta dando um último selinho.
Respiro fundo para tentar controlar a vontade de voltar a beijar essa boca de textura suave.
— Eu queria ter chegado mais cedo para preparar algo saudável para você, me desculpa. Tive a sorte de o meu ônibus ser parado pela polícia, acredita? Ficamos quase uma hora esperando liberarem a via.
Zac franze a testa, com cara de preocupação.
— Por que pararam o ônibus?
— Denúncia de drogas — dou de ombros.
O vinco entre suas sobrancelhas se aprofunda.
— Amanhã você não vai de ônibus — ele determina, sério.
— Claro que não, vou de camelo — brinco, mas ele continua sério.
— Você tem carteira de habilitação?
A pergunta me pega de surpresa.
— Tenho — respondo sentindo o coração pesar. Foi meu presente de dezoito anos, dado por tia Laís.
Ela pagou pela autoescola, mas já tinha me ensinado a dirigir em seu próprio carro. Infelizmente ela não teve tempo de ver minha carteira de motorista ficar pronta.
— As chaves do carro estão na escrivaninha — Zac diz me pegando completamente desprevenida. — O tanque está cheio. Você só precisa ter paciência na hora de sair da garagem, às vezes o vizinho encosta demais o carro dele e isso atrapalha a fazer a manobra.
— Está falando sério? — pergunto baixinho, incrédula demais para falar mais alto.
— Por que não estaria? — ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
Seus olhos permanecem sérios e vejo que ele não está mesmo brincando. Ainda assim, parece surreal.
Igor jamais me deixou dirigir seu carro. O medo de eu bater e o ciúme possessivo do veículo eram as desculpas.
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Jogada de Craque
RomanceAs probabilidades se enganaram ao afirmar que as chances de Zac Dilan - o grande camisa dez do Cruzeiro - chutar a bola na direção da arquibancada e acertar em cheio a cabeça de Rebeca - a odiadora número um do esporte - eram zero. Rebeca preza por...
