4° Passe

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Quais as chances de esse cara na minha frente, que ouviu meu desabafo de ódio pelo futebol, ser na verdade um jogador de futebol?

Não um jogador, mas o jogador.

A estrela, o craque, o camisa dez do Cruzeiro:

Zac Dilan — mais conhecido como o cara que deformou meu rosto.

De queixo caído, encaro o rosto dele vendo que não abandonou a expressão divertida, pelo contrário, agora está rindo abertamente.

— Você é...

— Zac Dilan — ele confirma. — O jogador estúpido que acertou uma bola na sua cabeça. O cara que joga tão mal que até uma garota de menos de cinquenta quilos joga melhor.

Petrifico sem reação.

Quando meu cérebro dá conta de processar, tenho que me esforçar para controlar a vontade de acertar uma tabefe na cara dele.

Ele não me disse quem era. Deixou que eu falasse todas aquelas coisas e ficou me observando como se eu fosse uma atração de circo. Que cretino!

— Você não disse... seu... ora, seu... — cerro os punhos o encarando furiosamente. — Seu cretino! — passo por ele e saio marchando.

Em pensar que eu estava achando esse cara legal.

Até cogitei agradecer por ele ter sido o meu "anjo". Como fui tola.

Ando a passos firmes na direção do elevador. Talvez Igor esteja lá em cima no terraço. Vou procurar por apenas cinco minutos e se não encontrar vou embora.

A dois passos do elevador, sou surpreendida por Zac, que para na minha frente bloqueando a passagem.

Há uma curva discreta no canto esquerdo dos lábios dele. Ele ainda está rindo da minha cara.

— O que mais você quer de mim? — indago de cara fechada.

Já não basta a marca que deixou em minha testa?

— Eu queria me desculpar — diz ele ficando sério. — Pelo que aconteceu no estádio.

A sinceridade em seu tom me desarma um pouco, mas ainda estou irritada.

— Desculpas aceitas — digo de má vontade e dou um passo para o lado, mas ele dá também. — Sai da minha frente, Zac Dilan — ordeno severamente.

— Por que está brava? O que eu fiz com você no jogo não foi proposital. Já você deliberadamente me chamou de cretino.

— E você é mesmo! Por que não me disse logo quem era?! Deixou que eu falasse todas aquelas coisas sobre você, pensando que falava com outra pessoa!

Ele levanta as mãos em um gesto de inocência, com um sorriso no rosto.

— Não foi de propósito. Pensei que você soubesse quem eu era, só depois percebi que não sabia e achei engraçado. Mas fica tranquila, não me ofendi com a sua opinião sobre mim — ele dá um sorriso zombeteiro de novo.

Eu queria apagar esse sorriso com um tapa bem dado.

Atrás dele o elevador se abre e agradeço mentalmente pela intervenção, pois não seria uma boa ideia dar um sopapo na cara de Zac Dilan e ficar conhecida como "a louca vingativa".

Endireito a postura e o encaro de queixo erguido.

— Acho uma pena que não tenha se ofendido, pois é isso mesmo que penso de você. Um jogador cretino que nem sabe chutar uma bola. Você tem dois pés esquerdos e nem é tão bonito! — destilo, passo por ele e entro no elevador.

A parte do "nem é tão bonito" saiu sem querer, mais como uma alfinetada do meu subconsciente para mim mesma, já que babei por ele sem saber quem ele era.

Antes de a porta se fechar ainda posso ver o brilho nos olhos castanhos de Zac, que continuam divertidos.

O que esperar de um típico jogador de futebol que passou a vida sendo um menino que nunca parou de brincar com uma bola?

Mas não vou deixar esse salafrário arruinar mais um segundo sequer do meu dia.

Assim que chegar no terraço vou aproveitar os comes e bebes. Não importa que eu tenha levado um bolo de Igor em um evento que só vim por causa dele.

Jogada de CraqueOnde histórias criam vida. Descubra agora