A quinta-feira, mais conhecida como ontem (ou como dia posterior à minha entrevista usando uma peruca fajuta), passou como um borrão chato e entediante, pois fiquei trancafiada em casa o dia inteiro, já que agora são cinco paparazzi lá embaixo.
Ao contrário de mim, Samira passou o dia saindo e entrando em casa. Ela está eufórica com a possibilidade de dar de cara com a peguete de Zac, que supostamente mora nesse prédio.
Sami está tão imersa em suas tentativas de ficar famosa se tornando amiga dela que não fez nenhuma associação sobre a tal peguete ser eu.
É como um esquema de pirâmide: Zac é a celebridade, a morena misteriosa é a subcelebridade e Samira quer ser a sub da subcelebridade.
Quanto a Igor, pela primeira vez me sinto grata por ele ser viciado em videogame. Ele está participando de um torneio online de League of Legends, portanto não tem tempo para juntar os pontos e descobrir que eu sou a morena misteriosa. Só me manda mensagem para contar como está subindo no ranking e me pedir para entrar na live e fazer comentários positivos sobre seu desempenho.
Por isso passei boa parte do dia de ontem na live, enquanto aproveitava minha reclusão para pintar as unhas, lavar o cabelo, cuidar da pele e organizar o quarto. À noite, comecei a me sentir sufocada.
Bem que diz o ditado: mente vazia é oficina do diabo. Sem nada interessante para fazer, cedi ao bichinho da curiosidade e pesquisei o nome de Zac na internet.
Ver fotos de Zac, tiradas naquela noite por paparazzi, sorrindo descontraído com amigos em um bar sofisticado, me fez sentir uma idiota por estar presa em casa enquanto ele continuava vivendo sua vida normalmente.
Algumas horas antes disso, Zac havia mandado mensagem perguntando como estava a testa e querendo saber sobre a entrevista de estágio. Mas ele estava no meio de um treino e não tinha tempo para digitar, então mandou áudio. Contei que fiz a entrevista usando a peruca do disfarce, e o áudio de resposta dele veio com uma risada contagiante. Adorei o som de sua risada.
Já hoje, às oito da manhã, fui surpreendida por uma ligação informando que passei na entrevista.
O estranho foi quando desliguei a chamada e a primeira coisa que fiz foi correr para o Facebook.
Não somos amigos nem nada. Ele só está sendo gentil comigo porque se sente culpado. Mesmo assim, mandei uma mensagem para Zac contando a novidade.
Meu erro foi fantasiar uma reação empolgada dele, pois ele tinha demonstrado interesse em saber da entrevista. Então, quando ele respondeu com um simples "parabéns", fiquei frustrada e me senti uma boba por ter contado primeiro para ele.
Não nos falamos mais depois disso, pois desinstalei temporariamente o Facebook para evitar ver as piadinhas idiotas sobre mim.
Mas estou otimista, sei que dentro de mais uma semana o meme vai estar tão saturado que ninguém mais vai querer falar do assunto.
Já com paparazzi, a coisa é diferente. Eles não largam o osso tão fácil, estão sempre em busca de um furo. Qualquer coisa com o nome de Zac bomba nos sites de fofoca e um caso amoroso é o queridinho dos fofoqueiros.
Por isso sei que esses patifes podem ficar lá fora por dias.
Acontece que meu novo estágio começa segunda-feira e não tenho ideia de como vou fazer para entrar e sair sem que acabem descobrindo que a tal morena misteriosa é também a garota boleada.
Talvez eu devesse aceitar meu novo visual como ruiva. Acho que a peruca não parece tão falsa e, afinal, me contrataram.
Além do mais, seria muito estranho aparecer na empresa com o visual morena lisa depois de me apresentar como ruiva cacheada.
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Jogada de Craque
RomanceAs probabilidades se enganaram ao afirmar que as chances de Zac Dilan - o grande camisa dez do Cruzeiro - chutar a bola na direção da arquibancada e acertar em cheio a cabeça de Rebeca - a odiadora número um do esporte - eram zero. Rebeca preza por...
