25° Passe

19.7K 1.2K 397
                                        

Um toque de despertador me arranca do sonho doce em que eu estava aconchegada nos braços de Zac.

Abro os olhos lentamente e vejo que estou nos braços de Zac na vida real também.

Ele cuidadosamente se movimenta e estica o braço para pegar o celular na mesa de cabeceira, encerrando o barulho rapidamente.

Em seguida, olha para mim e faz cara de lamentação ao ver meus olhos piscando com dificuldade.

— Desculpa te acordar — ele murmura com a voz rouca mais atraente que o habitual.

Que cena linda é esse homem de cabelo charmosamente bagunçado, carinha de sono e olhos pesados piscando devagar.

— Que horas são? — pergunto com a voz arrastada, esfregando um olho.

O quarto está escuro, mas parece que o dia está amanhecendo, pois consigo enxergar Zac relativamente bem.

— É bem cedo. Volta a dormir — ele responde baixinho, acariciando meu cabelo com ternura.

Fecho os olhos e me aninho ao calor de seu peito firme, apreciando o carinho e acompanhando o ritmo calmo de seu coração.

Eu estaria morrendo de constrangimento agora, provavelmente tentando esconder a cara embaixo dos cobertores, se tivéssemos feito sexo ontem à noite.

Mas não fizemos.

Depois que ele me trouxe para o seu quarto, nos beijamos muito em sua enorme cama macia. Mas antes que ele terminasse de tirar meu sutiã, a sirene de alerta de controle de natalidade soou em nossas cabeças, nos fazendo lembrar de algo fundamental: camisinha.

Que Zac infelizmente não tinha.

Apesar de um pouco frustrante, fiquei feliz que não fizemos sexo logo na nossa primeira noite juntos. Sem contar que era um dia depois de ele ter transado com a Pamonha.

Além do mais, eu sabia que Zac precisava dormir cedo e ter uma boa noite de descanso para o jogo.

Então me lembro o motivo do despertador: hoje é o grande dia da semifinal.

Abro os olhos novamente e o encontro me admirando enquanto acaricia meu rosto suavemente.

— Eu vou com você — digo, mas minha voz de sono e minha vontade de jamais sair desta cama não dão firmeza à minha fala.

— Não precisa ir, Becky. Eu sei que você detesta futebol — Zac continua fazendo círculos com o polegar em minha bochecha.

— Mas você vai jogar. Preciso ir torcer por você.

— Não há necessidade de se submeter a uma coisa que detesta por minha causa — ele fala em tom gentil. — Sei que mesmo daqui você vai estar torcendo por mim.

É impossível parar de compará-lo com Igor. A diferença é tão gritante!

Igor insistia para que eu fosse mesmo percebendo como eu ficava desconfortável com o tumulto do estádio. E para ele era apenas entretenimento.

Já para Zac, trata-se de sua profissão. Seria compreensível ele querer a minha presença lá como apoio moral. Mas ainda assim ele prioriza o meu conforto, pois sabe que odeio futebol.

A verdade é que eu não quero mesmo me submeter ao estresse de estar no meio de uma torcida barulhenta. Além do jogo que não gosto de assistir, tudo no estádio me estressa: o cheiro de suor coletivo no ar, as buzinas, os gritos. Principalmente os gritos.

Acho que tenho algum grau de sensibilidade auditiva, mas nunca investiguei por não ter tempo para encarar a fila do serviço médico público — ou dinheiro para um médico particular.

Jogada de CraqueOnde histórias criam vida. Descubra agora