Fui demitida.
Assim que cheguei no estágio, Carla, minha chefe, me chamou em sua sala. Ela estava muito séria, logo pressenti que não viria coisa boa.
Então ela respirou fundo e disse de uma vez:
— Rebeca, você tem sido uma estagiária brilhante. Sua dedicação e competência vão te levar muito longe na carreira de publicitária. Mas, infelizmente, não será nesta empresa. Seu contrato encerra hoje.
Fiquei atônita, sem reação.
O chão parecia desaparecer sob meus pés. O golpe foi inesperado. Perder o emprego, assim, do nada? Tudo o que consegui balbuciar, quase em um sussurro, foi:
— Mas... por quê?
Carla desviou os olhos.
— Não é nada pessoal. Tenho certeza de que empresas maiores se interessarão por você.
Maiores? A única empresa de publicidade maior que a dela é a... Prisma.
Então eu entendi tudo. Mas me recusava a acreditar que ele seria tão baixo, por isso insisti.
— Eu posso me dedicar ainda mais, assumir mais responsabilidades. Posso ficar até mais tarde. Por favor, não me demita, eu gosto de trabalhar aqui — implorei desesperada, pouco me importando se estava sendo patética em me humilhar daquele jeito.
Carla pareceu desconfortável, mas me olhou com firmeza para dar sua palavra final.
— Sinto muito, Rebeca. Ter você na equipe foi excelente, mas a decisão já está tomada.
O desespero começou a se transformar em raiva, uma raiva que subia como uma onda, pronta para me engolir. De repente, me vi de pé com as mãos na cintura.
— Foi Ricardo, não foi?
O silêncio de Carla foi ensurdecedor, e sua ausência de resposta confirmou o que eu já sabia. Minhas narinas dilataram, a raiva borbulhando como um vulcão prestes a entrar em erupção.
Eu não estava sendo nada profissional na minha reação, mas não era capaz de aguentar a sobrecarga emocional dos últimos dias. Portanto, não pude evitar que qualquer vestígio de controle emocional fosse para o espaço.
— Se a senhora se deixa intimidar por aquele tirano, eu é que não quero ser sua funcionária! — soltei e saí batendo a porta.
Agora estou oficialmente desempregada.
Como vou pagar pelo aluguel do hostel no mês que vem, não sei. Como vou custear a minha alimentação, já precária, não faço ideia.
Mas se Ricardo acha que vai me manipular para trabalhar para ele, está muito enganado. Nunca precisei dele, e certamente não vou começar agora. E depois de me fazer passar por isso, ele pode ter certeza de que jamais vai ouvir a palavra 'pai' sair da minha boca.
Mas esse foi apenas o primeiro golpe do dia.
O segundo veio nas mensagens desesperadas de Samira, querendo saber todos os detalhes do "encontro romântico na cafeteria" que ela viu nas páginas de fofoca.
Logo entendi que não era seguro me encontrar com Zac publicamente. Doeu perceber que as chances de passar algum tempo com ele enquanto trabalhamos na investigação estavam arruinadas.
Passei a noite anterior revivendo cada segundo da nossa interação na cafeteria. As palavras de Zac ficaram ecoando em minha cabeça a madrugada inteira: "E como eu faço para parar de amar você?"
Zac me ama. Ele me ama.
O maior problema é que não quero que ele pare de amar.
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Jogada de Craque
RomanceAs probabilidades se enganaram ao afirmar que as chances de Zac Dilan - o grande camisa dez do Cruzeiro - chutar a bola na direção da arquibancada e acertar em cheio a cabeça de Rebeca - a odiadora número um do esporte - eram zero. Rebeca preza por...
