A porta atrás de mim bate com um estrondo que ecoa pelo apartamento.
Me arrependo imediatamente. Não posso me dar ao luxo de quebrar a porta agora. Não consegui o estágio, minhas reservas mal darão para cobrir as contas do fim do mês.
Além de estar devendo Samira a minha parte do aluguel que ela cobriu mês passado, tenho que dar um jeito de pagar o conserto do meu notebook.
Mas tudo bem. Tenho um plano e ele é muito bom: processar Zac Dilan e ficar rica.
— Bex! — Samira surge da cozinha. Quando vejo o estado de suas roupas sinto um calafrio. A cozinha dever estar destruída. É assim quando ela inventa cozinhar. — E aí? Como foi?
Jogo a bolsa no sofá em um gesto de frustração.
— Foi bem — dou um sorrisinho falso. — Bem mal — o sorrisinho falso se transforma em dentes rangendo. — Tudo culpa daquele idiota do Zac Dilan! Sim, culpa dele! Aquele salafrário.
Ela faz uma cara confusa meio aparvalhada.
— Hã? O que Zac tem a ver com isso?
Desenrolo o jornal que trouxe comigo — eu nem deveria ter pago já que meu rosto está nele — e estendo na frente dela.
— Bex! Você está no jornal! — ela fala empolgada, mas depois de percorrer os olhos pelo texto fica em silêncio.
Ela pega da minha mão para olhar melhor, então levanta os olhos para mim.
— Você disse isso mesmo?
— Claro que não! — deixo o meu corpo cair no sofá. — E por causa desse jornal aí eu estraguei tudo na entrevista. Derramei café na mesa do presidente da empresa e arruinei papéis importantes.
— Você o quê?! — ela me olha como se eu fosse mentalmente danificada.
Afundo ainda mais no sofá.
— Tudo culpa de Zac. Eu vou processar ele!
— Opa, opa, espera aí — ela ergue as mãos. — Você não está falando sério, não é?
— Estou sim, Sami. Por culpa dele estou sendo assediada pela mídia e sofrendo bullying na internet. Sem contar essa deformação no meu rosto — aponto para a minha testa.
— Bex, isso é loucura. Ele não teve culpa. Não vai fazer isso com Zac. Tadinho — ela faz beiço.
Estreito os olhos para Samira, incrédula em como ela se atreve a defendê-lo enquanto estou aqui arruinada por causa dele.
— Se você processar Zac, isso vai sair nos jornais, no noticiário e você vai acabar aparecendo ainda mais na mídia. É isso que você quer?
Sei que o argumento dela é em favor do coitadinho do Zac, mas faz sentido. E eu não quero ainda mais exposição.
— Não — suspiro, deixando os ombros caírem.
— Então o que você tem que fazer é esquecer isso.
— Mas e essa mentira no jornal? E essa foto horrível? — aponto para a mão dela.
— Deixa isso também. A foto nem está tão ruim assim — ela olha para o jornal e faz uma careta azeda. — Argh. Não. Isso aqui está ruim, bem ruim. Caramba, Bex. Podia ao menos ter dado um sorrisinho, né? Cruzes. Você está tão feia que parece que a sua cara pegou fogo depois todos apagaram na paulada.
Pego uma almofada e afundo o rosto nela. Só queria esquecer essa foto medonha, a entrevista vergonhosa e esse gosto amargo do fracasso.
— Não fica assim, estou preparando um prato italiano que vai te animar. Agora toma um banho e tira esse cheiro de derrota — ela pega a minha mão e me puxa do sofá.
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Jogada de Craque
Roman d'amourAs probabilidades se enganaram ao afirmar que as chances de Zac Dilan - o grande camisa dez do Cruzeiro - chutar a bola na direção da arquibancada e acertar em cheio a cabeça de Rebeca - a odiadora número um do esporte - eram zero. Rebeca preza por...
