Durante o trajeto de carro, pergunto para Zac sobre seu dia e ele me conta a loucura que foi. Reclama que odeia a parte dos patrocinadores, que queria poder só jogar bola em paz e excluir todo o resto da coisa.
Quando ele pergunta sobre o meu dia, no entanto, desconverso e retorno o assunto sobre ele.
Nossa conversa ainda é a mesma, leve e fluída. Fico feliz que meus sentimentos por ele não atrapalhem nossa amizade. Sei separar as coisas, afinal.
Chegamos ao tal Insulfilm e uma barreira se ergue, liberando o carro de Zac. O ambiente é escuro e silencioso.
Ainda no carro, avisto a estrutura grande de vidros pretos do que imagino ser o local onde as pessoas estão.
Ao atravessarmos as portas, sou abraçada pelo ar-condicionado e a atmosfera animada de pessoas rindo, conversando, dançando e flertando.
De dentro consigo enxergar a vista panorâmica da cidade iluminada lá fora e agora faz sentido o nome do local.
Olho ao redor tentando me situar com a diversidade de acontecimentos nesse espaço amplo. Lá em cima há uma galeria com mais gente.
Luzes dançam nas paredes decoradas com obras de arte contemporâneas. Um bar sofisticado serve coquetéis elaborados, e garçons circulam com bandejas de canapés gourmet. A música ao vivo, um ritmo envolvente, cria uma atmosfera íntima e exclusiva.
— Por aqui — Zac diz, colocando uma mão no fim das minhas costas para me guiar.
Meu corpo inteiro se arrepia sob seu toque gentil em meu corpo.
Chegamos em uma mesa larga onde Zac é ovacionado por um grupo de homens e mulheres. Mesmo sem uniformes de futebol, sei que são jogadores, pois eles são absurdamente estereotipados: há cabelos descoloridos, penteados estranhos e braços fechados de tatuagens.
Será que Zac tem tatuagem?
Mas eu já o vi sem camisa e com bermuda de banho. Talvez sua tatuagem esteja mais escondida...
— Pessoal, essa é Rebeca. Rebeca, esse é o pessoal — Zac apresenta.
Há um eco de "oi, Rebeca", acompanhado de sorrisos amigáveis, inclusive das garotas, que imagino serem parceiras dos supostos jogadores.
Um deles vem até mim e abre os braços.
— Finalmente! – exclama e me abraça. — Sou seu fã, Rebequinha. Desde o dia que você se jogou em mim na festa de comemoração!
Ele se afasta sorrindo e me lembro de seu rosto imediatamente. Foi nele que eu me atirei na maldita festa, enquanto tentava escapar.
— Becky, esse é Fabinho — Zac me apresenta.
— Corrigindo: Becky, esse é Fabinho, meu melhor amigo — Fabinho corrige com um sorrisão orgulhoso.
— A famosa Rebeca! — diz uma voz feminina.
Arregalo os olhos ao vê-la.
É Alessandra Costa, modelo famosa, namorada do zagueiro Fabinho. O mesmo Fabinho em quem me atirei nos braços naquela festa de comemoração. Ela deve me odiar.
Alessandra se aproxima com um sorriso encantador e uma presença marcante. Esbelta e exuberante. Me cumprimenta com um beijo em cada lado do rosto.
— Adorei o seu vestido — Alessandra declara ao se afastar. — Quem te veste?
Arrisco um sorriso. A voz dela é um pouco rouca, mas amigável, ela não parece prestes a me puxar pelos cabelos nem nada assim.
— Samira Krobat — respondo cheia de orgulho.
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Jogada de Craque
RomanceAs probabilidades se enganaram ao afirmar que as chances de Zac Dilan - o grande camisa dez do Cruzeiro - chutar a bola na direção da arquibancada e acertar em cheio a cabeça de Rebeca - a odiadora número um do esporte - eram zero. Rebeca preza por...
