Dia 26

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Ananda

Com a cabeça cheia de tudo o que vinha acontecendo com Richard, decidi que precisava de um tempo fora do escritório. Já estava sobrecarregada demais, e uma pequena pausa me faria bem. Resolvi almoçar fora, longe de toda a pressão. Caminhei até um restaurante que costumava frequentar, um lugar mais tranquilo, onde poderia simplesmente relaxar e tentar esquecer tudo.

Enquanto esperava minha comida, ouço uma voz familiar atrás de mim.

  – Nanda? É você?

Virei-me e vi ali, parado, aquele sorriso que eu conhecia tão bem: Lucas, meu amigo de infância. A surpresa me fez sorrir instantaneamente. Ele não tinha mudado muito desde a última vez que nos vimos, exceto talvez pelo olhar mais maduro e um jeito mais confiante.

  – Lucas! Nossa, quanto tempo! — respondi, surpresa e animada.

Ele me abraçou com aquele carinho de sempre, e o tempo pareceu voltar. Sentamos juntos e começamos a conversar, relembrando os tempos de infância, as brincadeiras no parque, as aventuras na escola e até algumas travessuras.

  – Lembra daquele dia em que a gente tentou "fugir" de casa pra ir na festa da Yasmin? — Lucas perguntou, rindo.

  – E como esquecer? Minha mãe quase teve um infarto quando descobriu! — Eu ri junto, e era como se todo o peso que eu carregava tivesse desaparecido por um instante.

Lucas sempre foi alguém especial na minha vida, uma paixão de infância que nunca se desenvolveu de verdade, mas que permaneceu no coração como uma lembrança doce. Ele me contava sobre como estava a vida dele agora, o trabalho, as viagens, e eu me pegava nostálgica, como se estivesse revivendo aqueles dias mais simples.

  – E você, Nanda? Parece que a vida também te trouxe algumas aventuras, né? — ele comentou, com um olhar curioso, talvez notando o cansaço nos meus olhos.

  – Ah, sim... A vida trouxe várias surpresas — respondi, tentando não demonstrar o peso da situação atual com Richard.

Conversamos por mais tempo do que eu imaginava, e o almoço que eu planejei como uma pausa rápida acabou se estendendo. Era incrível como ele ainda conseguia fazer eu me sentir bem, leve e segura. Não havia cobranças, ciúmes ou desconfianças. Apenas aquele vínculo que sempre tivemos e uma lembrança de tempos felizes.

Quando o almoço terminou, Lucas me acompanhou até a saída, e prometemos nos reencontrar para colocar ainda mais conversas em dia. Eu sabia que ele era só um amigo, mas aquela leveza era algo de que eu estava precisando tanto.

Richard

Estava sentado no sofá, folheando algumas fotos antigas no celular, quando uma notificação apareceu. Abri automaticamente e deparei com uma postagem recente da Nanda. Eram fotos dela com um cara que eu sabia ser o amigo de infância dela, mas, ainda assim, senti meu estômago revirar. Eles riam juntos, e era impossível não notar como ela parecia leve, até radiante.

Tentei ignorar a sensação estranha e dar uma justificativa lógica. Era só uma foto com o amigo, nada demais. Mas, mesmo tentando me convencer, o ciúmes foi crescendo de uma forma que eu não conseguia controlar. A verdade era que, depois de tudo o que estava acontecendo entre nós, ver ela assim com outra pessoa, rindo de um jeito tão natural, mexia comigo.

Quando ela chegou em casa, fingi que estava distraído, mas meu olhar já entregava tudo. Ela parou no meio da sala, e antes mesmo de eu falar algo, pareceu perceber o que estava passando na minha cabeça.

  – Richard, tá tudo bem? — ela perguntou, com aquele tom provocativo que eu sabia que ela usava quando queria brincar comigo.

Suspirei, tentando manter o tom leve, mas meu ciúmes transpareceu.

  – Tudo ótimo. Só vi umas fotos... interessantes. Vocês parecem bem próximos, né?

Ela abriu um sorriso de canto, claramente se divertindo com a situação.

  – Ah, você diz as fotos com o Lucas? Ele é só meu amigo de infância, Richard — disse, com um tom inocente, enquanto cruzava os braços e me olhava.

  – Sei disso — falei, tentando não soar irritado, mas a tensão era clara. — Mas... sei lá. Vocês parecem bem à vontade juntos.

Nanda deu uma risada leve, se aproximando de mim e, com os olhos brilhando de diversão, inclinou-se ligeiramente.

  – Tá com ciúmes, Richard? — ela provocou, me olhando nos olhos, sem perder a pose.

Revirei os olhos, tentando disfarçar, mas não consegui segurar.

  – Claro que não. Só acho curioso — retruquei, mas sabia que meu tom entregava o oposto.

Ela sorriu ainda mais, aproveitando cada segundo da minha insegurança, e com um toque suave no meu ombro, disse:

  – Se eu fosse você, não perderia o sono. Você sabe que eu sou sua, não sabe?

Aquelas palavras deveriam ter me tranquilizado, mas só fizeram meu ciúme aumentar. Ela riu mais uma vez e foi para o quarto, me deixando sozinho, repassando tudo em minha cabeça e tentando entender se eu estava sendo paranóico ou apenas tentando proteger o que tínhamos.

Quando ela foi para o quarto, não consegui evitar e segui atrás, ainda com aquela inquietação que me corroía por dentro. Encontrei-a tirando o casaco com um sorriso travesso, claramente se divertindo às minhas custas.

Ela olhou para mim pelo espelho, com uma expressão que me desafiava.

  – Sabe, Lucas e eu sempre nos damos bem. Ele é tão... atencioso. Lembra até você no começo. — Ela disse isso como se fosse casual, mas sabia muito bem o efeito que teria.

Respirei fundo, cruzando os braços, tentando não morder a isca. Mas a provocação dela estava me fazendo perder o controle.

  – Sério isso, Nanda? — perguntei, com o tom meio ríspido. — Precisa mesmo comparar?

Ela se virou lentamente para mim, com um brilho provocativo nos olhos, como se estivesse achando a coisa toda uma grande brincadeira.

  – Não precisa, mas... — Ela deu um sorriso e se aproximou de mim, deslizando as mãos pelos meus ombros. — Confesso que achei bonitinho o jeito como você ficou todo incomodado. Até me lembrou daquele Richard ciumento de antigamente. Sabe, o que fazia de tudo para me conquistar.

O sangue me subiu à cabeça. Ela estava cutucando exatamente onde sabia que me faria reagir, e parecia estar gostando daquilo.

  – Eu não estou incomodado, Nanda. Só... curioso. E se você quiser mesmo me provocar, vai precisar fazer melhor que isso.

Ela riu, se afastando e ajeitando o cabelo como se minha presença fosse um detalhe secundário. Foi até o guarda-roupa, pegou um vestido qualquer e o segurou, avaliando-o como se estivesse se preparando para sair de novo.

  – Acho que o Lucas gostou desse vestido quando saímos da última vez... — Ela me lançou um olhar, como se esperasse a reação que sabia que viria.

  – Nanda, você está jogando com fogo. — Fui em direção a ela, segurando sua cintura para que não saísse de perto de mim. — E eu sou bem mais do que qualquer um desses "amigos" que você está tentando usar pra me provocar.

ta vindo ai. Aliás, recebi comentários inconvenientes no capítulo passado, se acontecer de novo, eu vou ser sem educação sim!

Segundamente, o Richard sabe SIM, que a Nanda não tirou o pedido do divórcio, ele tem equipe jurídica. Ele PENSA que a Nanda pode tirar, mas sabe que ela não tirou!

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora