Dia 73

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Ananda

A tarde estava tranquila e silenciosa em casa, algo raro, considerando o ritmo do dia a dia. Thaís estava na escolinha, e eu finalmente tinha um tempo para mim. Estava sentada na ilha da cozinha, comendo um prato de macarrão à bolonhesa que havia feito de improviso, enquanto navegava distraidamente pelo celular. Meu feed estava recheado de vídeos engraçados, algumas fofocas e mensagens de amigas.

Estava tão imersa na leveza daquele momento que quase não ouvi a porta da frente se abrir. Só percebi quando Richard apareceu no batente da cozinha. Ele estava com a fisionomia fechada, as chaves na mão, e soltou um suspiro baixo antes de se dirigir ao armário, provavelmente para pegar um prato.

  – Chegou cedo hoje — comentei, tentando puxar conversa.

  – É — ele respondeu, sem sequer me olhar, o tom seco.

Levantei os olhos do celular, franzindo a testa. Richard era reservado em alguns dias, mas esse silêncio parecia carregado.

  – Tudo bem? — perguntei, deixando o celular de lado e olhando para ele.

Ele pegou o prato e começou a se servir, sem pressa, antes de me lançar um olhar que era quase desafiador.

  – Eu só acho engraçado — ele começou, e o jeito como disse já me deixou em alerta.

  – O quê? — perguntei, arqueando as sobrancelhas.

Ele se virou para mim, com o prato agora cheio e apoiado na mão.

  – O tanto de homem que você segue nas redes sociais.

Minha boca abriu em choque, mas fechei de novo, respirando fundo.

  – Do que você tá falando, Richard?

  – Você me ouviu. Toda vez que eu abro seu Instagram, só vejo curtidas suas ou nomes masculinos no seu feed. É primo, é amigo, é sei lá mais quem... Parece que tá sempre de olho nos outros.

Meu estômago deu um nó imediato, e a tranquilidade do meu almoço evaporou.

  – Primeiro, você não tem o direito de ficar policiando quem eu sigo ou deixo de seguir — comecei, com a voz firme. — Segundo, são meus primos e amigos de longa data. Gente da família. O que você acha que eu tô fazendo? Paquerando pelas redes sociais?

Ele deu de ombros, mordendo um pedaço de pão que colocou no prato, como se minha indignação fosse exagerada.

  – Não tô dizendo isso, mas você entende como parece, né?

  – Richard, por favor, para de ser ridículo. Quem eu sigo não deveria ser um problema. E, aliás... — Inclinei-me um pouco para frente, cruzando os braços. — Você só pode começar a dar pitaco nisso quando parar de seguir modelos e mulheres aleatórias por aí.

A mudança no rosto dele foi instantânea. Ele ficou tenso, e o desconforto era visível.

  – Isso é outra coisa.

  – Não, não é. — Minha voz saiu firme, mas com um tom de cansaço. — A diferença é que eu sigo família e amigos, e você segue mulheres que sequer conhece. Se tem alguém aqui que precisa prestar atenção nas redes sociais, é você.

Ele bufou, levando o prato até a ilha e se sentando do outro lado.

  – Olha quem tá falando de exagero agora.

  – Exagero? Você sabe o que é exagero? — Eu me levantei, jogando o guardanapo na mesa. — É ter que lidar com essa insegurança sua que aparece do nada. E mais uma coisa, Richard. Não adianta deixar uma rosa e um bilhete pedindo desculpas amanhã de manhã, como você fez hoje, achando que isso resolve tudo.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora