Dia 65

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Richard

Era cedo demais para um dia de descanso, mas eu já estava de pé. Na verdade, nem sei se dormi direito. Depois da conversa com Nanda sobre a mudança da mãe dela para o Rio, senti um peso estranho no peito, algo que não conseguia identificar.

Depois de deixar Thaís brincando no quintal com os primos, voltei para a cozinha, onde a mãe da Nanda já estava de avental, começando a organizar tudo para o almoço.

  – Bom dia sogrinha — cumprimentei, tentando soar mais animado do que realmente estava.

Ela me olhou por cima do ombro e sorriu, aquele sorriso acolhedor que só as mães têm.

  – Bom dia, Richard. Achei que você ia dormir até mais tarde.

Dei de ombros, encostando na bancada.

  – Hábitos de atleta. Não consigo ficar na cama por muito tempo.

Ela riu baixinho, voltando a mexer em uma panela. Por um momento, o som era apenas do óleo chiando na frigideira e dos talheres batendo nas tigelas.

  – Precisa de ajuda? — ofereci, sentindo que precisava ocupar minhas mãos com algo.

  – Claro. Pode começar a picar esses legumes para mim.

Peguei a faca e me posicionei ao lado dela, cortando os vegetais com mais precisão do que eu imaginava que tinha. Um silêncio confortável se instalou entre nós, até que ela começou a falar.

  – Você parece preocupado.

Parei por um momento, surpreso.

  – Está tão óbvio assim?

Ela sorriu, sem olhar diretamente para mim.

  – Não preciso ser uma expert para perceber. Convivo com a Nanda e a Thaís há tempo suficiente para saber quando algo não está bem.

Respirei fundo, voltando a cortar os legumes.

  – Não é que algo esteja errado... É só que as coisas entre mim e a Nanda ainda estão complicadas.

Ela parou o que estava fazendo e se virou para mim, apoiando as mãos na cintura.

  – Complicadas como?

Olhei para ela, sem saber ao certo como responder.

  – Desde que voltei a tentar consertar as coisas entre a gente, sinto que estou andando em círculos. Às vezes, acho que estamos bem, que as coisas estão melhorando. Mas outras vezes... parece que ela ainda não confia em mim.

Dona Celeste cruzou os braços, o olhar sério.

  – Richard, vou ser bem honesta com você.

Assenti, esperando o pior.

  – A Nanda é cabeça dura, mas ela é assim porque tem medo de se machucar. E, pelo que sei, você deu a ela motivos para levantar essas barreiras.

Engoli em seco, sentindo o peso das palavras dela.

  – Eu sei. Sei que errei muito, e estou tentando... De verdade. Mas às vezes me pergunto se estou tentando da forma certa, sabe?

Ela suspirou, se aproximando da bancada.

  – A forma certa, Richard, é ser honesto. Não adianta preparar jantares românticos ou fazer surpresas, se lá no fundo você ainda tem dúvidas sobre o que quer.

  – Eu quero a Nanda — disse, a voz saindo mais firme do que eu esperava. — Quero ela e a Thaís.

  – Então, precisa mostrar isso a ela de forma clara. Palavras não vão bastar. Ela precisa sentir.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora