Dia 62

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Ananda

O dia mal havia começado, e eu já estava exausta só de pensar na quantidade de coisas que precisaria organizar. Tinha acabado de saber que minha mãe havia decidido voltar para o Rio de Janeiro. A decisão dela me pegou completamente de surpresa, e a notícia ainda ecoava na minha mente enquanto eu tentava me preparar para passar o dia ajudando com a mudança.

Eu sabia que as raízes dela estavam no Rio, que a saudade dos irmãos, dos amigos e dos lugares de infância sempre havia ficado marcada nela. Ainda assim, depois de tantos anos em São Paulo, achei que ela nunca iria querer deixar esse lugar.

Cheguei à casa da minha mãe perto do horário do almoço, com Thaís ao meu lado, segurando minha mão e se esforçando para carregar uma sacola cheia de brinquedos que ela havia trazido, determinada a se distrair enquanto eu ajudava com as caixas.

Assim que entrei, minha mãe já estava no meio da bagunça, com caixas espalhadas pelo chão e algumas malas abertas, esperando serem preenchidas. Ela parecia exausta, mas mesmo assim, me lançou um sorriso acolhedor.

- Olha só quem chegou para salvar o dia! - Ela sorriu, abrindo os braços para me receber. Dei um abraço apertado nela, tentando esconder o aperto que estava sentindo por dentro.

- Oi... mãe? Como estão as coisas? - perguntei, tentando soar despreocupada.

- Uma loucura, como sempre. Ainda tenho um monte de coisas para embalar e decidir o que levar e o que doar. Não sabia que tinha acumulado tanta coisa em São Paulo - respondeu, rindo.

Ajudei ela a terminar de embalar algumas caixas da sala, enquanto Thaís corria de um lado para o outro, brincando com tudo o que encontrava. Eu tentava manter o clima leve, mas era difícil ignorar o peso que a decisão da minha mãe trazia. Parecia que, com essa mudança, uma parte importante da minha vida estava sendo levada junto com ela.

- Eu ainda não acredito que você vai voltar para o Rio. Achei que, depois de tanto tempo aqui, você tinha se acostumado - comentei, tentando segurar a melancolia.

Ela parou por um momento, olhando ao redor, como se estivesse absorvendo os detalhes da casa onde tantas memórias foram construídas.

- Eu também achei, filha. Mas... depois que sua tia Marisa ficou doente, percebi que talvez fosse o momento de voltar. Quero estar mais perto da família, sabe? E o Rio sempre será minha casa, de alguma forma.

Suspirei, compreendendo, mas ainda me sentindo um pouco perdida.

- Mas vou sentir sua falta, mãe. A Thaís também... ela adora vir para cá - confessei, olhando para minha filha, que agora brincava na varanda, concentrada.

- Ah, minha filha, eu também vou sentir falta de vocês. Mas vocês sempre terão um lugar comigo. Nada vai mudar isso, sabe disso, não é?

Ela me olhou com um sorriso doce e acrescentou, com uma ternura que me derreteu o coração:

- Você e a Thaís sempre terão um quarto em casa, sempre. Não importa onde seja.

Senti meus olhos marejarem. Era um alívio saber que, mesmo com a mudança, eu e Thaís ainda teríamos um espaço para onde voltar, um refúgio. Mas a ideia de não poder vê-la sempre que quisesse me deixava mais triste do que eu queria admitir.

- Mãe, vou sentir sua falta. Sei que o Rio é a sua casa, mas... você também fez uma aqui, comigo e com a Thaís. Não sei se estou pronta para essa distância - falei, tentando manter a voz firme.

Ela me puxou para um abraço e acariciou meus cabelos como fazia quando eu era criança.

- Eu sei, meu amor. Eu também não estou completamente pronta para isso, mas... sinto que é algo que preciso fazer. E vocês sempre podem me visitar. Eu espero por vocês de portas abertas, sempre. A Thaís vai ter um quarto lá só para ela, do jeitinho que ela quiser.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora