Dia 48

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Richard

Eu estava sentado no banco do vestiário do CT, os outros jogadores já haviam saído para seus treinos, e eu estava só esperando o tempo passar até que eu fosse convocado para entrar em campo. As palavras de Joaquín ainda ecoavam na minha cabeça, mas, por um momento, eu só queria me concentrar em algo que me deixasse mais tranquilo, algo que trouxesse um pouco de paz. Então, pensei na Thaís.

A ideia do evento do Dia dos Pais tinha me surgido na mente enquanto eu estava indo para o treino. O clube estava organizando uma pequena festa para os pais, com atividades para as crianças. Eu sabia que a Thaís adorava essas coisas, e sabia que ela ficaria empolgada em ir com a mãe. Mas, ao mesmo tempo, não queria fazer uma pressão sobre a Nanda. Sabia o quanto ela estava tensa com tudo o que estava acontecendo, e não queria forçar uma situação onde ela se sentisse desconfortável.

Então, decido ir para casa. Quando entro vejo Nanda descendo as escadas, ainda com a expressão um pouco distante, mas tentando manter a calma, decidi aproveitar o momento para conversar com ela sobre isso. Eu precisava de algo que fosse bom para Thaís, algo que pudesse fazer com que ela se sentisse especial, e, ao mesmo tempo, eu também queria passar algum tempo com ela.

  – Nanda... — comecei, tentando soar casual, mas com um toque de cuidado. — Tem um evento lá no CT, no próximo fim de semana, para o Dia dos Pais. Vai ser algo bem simples, com algumas atividades para as crianças, e pensei que seria bom para a Thaís.

Ela me olhou por um momento, e eu pude ver que, apesar de sua expressão calma, ela estava um pouco apreensiva. Eu entendia, ela tinha motivos para ser cautelosa. A gente estava passando por uma fase difícil, e eu não queria que ela sentisse que estava sendo pressionada a fazer algo. Mas a verdade é que, por mais que a gente tivesse nossas diferenças, eu só queria o melhor para Thaís, e sabia que ela adoraria essa oportunidade.

  – E eu pensei que poderia ser legal se você a trouxesse. Vai ter outras crianças lá também, e seria bom para ela, né? — eu terminei a frase com um tom mais leve, tentando evitar qualquer tipo de pressão.

Nanda ficou em silêncio por um momento. Ela estava olhando para mim, pensativa, e eu sabia que ela estava avaliando o pedido, medindo se realmente seria uma boa ideia. Eu podia ver em seus olhos que ela estava considerando os prós e contras, e, talvez, uma parte dela quisesse fazer isso, mas outra parte tinha receio de abrir mão da sua própria paz.

Ela respirou fundo e finalmente respondeu, com a voz suave, mas com um tom sério:

  – Eu posso perguntar para a Thaís o que ela acha. Ela provavelmente vai adorar, mas... Não sei, Richard. Eu só não quero que isso vire algo mais complicado entre nós dois. Não agora, com tudo o que tem acontecido. — Ela deu um pequeno sorriso, mas eu percebi que a carga emocional ainda estava lá, escondida. Ela estava lidando com mais do que só os problemas do casamento.

Eu me senti desconfortável por não ter pensado nisso antes, de forma mais sensível. Eu queria que ela soubesse que não era uma obrigação. Queria que ela soubesse que eu estava pedindo por ela e pela Thaís, sem segundas intenções. Então, tentei suavizar ainda mais minhas palavras.

  – Eu entendo, Nanda. Não é para forçar nada. Eu só pensei que seria bom para ela. E para nós também, quem sabe? — Dei uma pausa, olhando para ela, sentindo o peso do que estávamos atravessando juntos. — Mas, se você preferir não ir, tudo bem. Eu só pensei que seria uma boa oportunidade para ela.

Nanda olhou para o chão por um momento, como se estivesse refletindo sobre a minha proposta. Eu podia ver que ela queria fazer o melhor para Thaís, mas ao mesmo tempo havia um medo de como isso poderia afetar nossa dinâmica. Não queria que ela se sentisse como se estivesse fazendo isso por mim ou por alguma obrigação que ela sentia.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora