Dia 52

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Ananda

A ideia da viagem havia me pegado de surpresa quando Richard comentou pela primeira vez. Eu estava tão focada em nossas diferenças e na proteção da Thaís que nem tinha considerado sair da rotina com ele de novo. Mas, no fundo, essa possibilidade começou a me intrigar. A ideia de me afastar um pouco de tudo e ver se, longe da pressão diária, talvez algo de bom pudesse surgir entre nós era tentadora.

Ao longo do dia, enquanto trabalhava, percebi que minha cabeça continuava voltando para a viagem. E se fôssemos para um lugar mais tranquilo? Um lugar que eu sempre quis conhecer, mas nunca tive a chance de explorar com calma. Campos do Jordão veio à mente quase que instantaneamente, com seu clima acolhedor, as paisagens serranas, e aquele ar de refúgio que parecia perfeito para uma tentativa de reaproximação.

A ideia começou a crescer dentro de mim até que, sem pensar muito, peguei o celular e digitei uma mensagem para Richard:

"Richard, posso escolher o destino da nossa viagem?"

Segurei o celular, meu dedo hesitando em cima do botão de envio por um instante. Não queria que ele interpretasse minha animação como um perdão automático, mas também não queria recuar. Respirei fundo e enviei.

A resposta veio quase de imediato:

"Claro, Nanda! Escolhe o que quiser. Confio em você."

Ao ler a resposta, um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. Foi como um incentivo, um sinal de que ele realmente queria que essa viagem fosse algo especial para nós dois – algo em que eu tivesse voz e escolha.

Com a aprovação dele, me senti ainda mais determinada e comecei a pensar nos detalhes. Em vez de me distrair do trabalho, a ideia da viagem se tornou meu combustível, como uma fagulha de animação que eu não sentia há muito tempo. Comecei a anotar algumas ideias de passeios, restaurantes e atividades. Queria que fosse algo perfeito, uma mistura de momentos relaxantes com pequenas aventuras, que nos permitissem reconectar de uma forma leve, sem pressões ou discussões.

Na hora do almoço, abri o laptop e comecei a pesquisar sobre os pontos turísticos de Campos do Jordão. Um lugar específico chamou minha atenção: o Parque Amantikir, com seus jardins exuberantes. Imaginei a nós dois passeando por aquelas trilhas floridas, talvez até em uma conversa mais tranquila e sincera, sem a tensão que costumava dominar nossas interações ultimamente.

E ainda tinha a Ducha de Prata, aquele ponto tradicional da cidade. Visualizei-nos ali, Thaís correndo ao redor, se divertindo com a água, enquanto talvez... talvez Richard e eu conseguíssemos compartilhar um momento espontâneo e leve, algo que trouxesse de volta o que éramos no começo.

Enquanto pesquisava, pensei em detalhes como o hotel, as acomodações... Escolhi um chalé que parecia perfeito. Ele tinha um toque rústico, mas era confortável e acolhedor, com uma lareira central que me fez sorrir ao imaginar uma noite ali, sentados em silêncio ou conversando sobre as memórias que construímos ao longo dos anos.

Ao longo da tarde, enviei para Richard um resumo do que eu estava planejando, ansiosa para saber o que ele achava. E não demorou muito para ele responder, deixando claro que estava tão animado quanto eu:

"Parece perfeito, Nanda. Eu mal posso esperar."

As palavras dele ressoaram dentro de mim, e eu me vi perdida em pensamentos, já imaginando cada detalhe dessa viagem. Não era só a expectativa de um destino novo, mas a sensação de estar criando algo especial, talvez uma nova oportunidade de entender se ainda tínhamos alguma coisa para lutar.

Pela primeira vez em muito tempo, senti uma ponta de esperança sincera.

Richard

No dia seguinte ao nosso jantar, enquanto nos preparávamos para o treino no CT, não consegui segurar a vontade de compartilhar minha empolgação com Joaquín. Eu tinha certeza de que ele entenderia o que essa viagem significava para mim – talvez até mais do que eu mesmo entendia. Após tudo o que conversamos nas últimas semanas, ele sabia o quanto eu estava lutando para reconquistar a confiança da Nanda e reaproximar minha família.

Quando encontrei Joaquín no vestiário, ele estava terminando de amarrar as chuteiras. Me aproximei, e ele ergueu o olhar, percebendo a expressão em meu rosto. Não precisei dizer uma palavra antes de ele já levantar uma sobrancelha e soltar uma risada breve.

  – E aí, o que aconteceu agora? — perguntou, com um sorriso curioso.

Parei ao lado dele, com os braços cruzados, e não consegui segurar um sorriso.

  – A Nanda e eu vamos fazer uma viagem. E, o melhor: deixei ela escolher tudo.

Joaquín piscou algumas vezes, surpreso, antes de dar uma gargalhada leve.

  – Uma viagem, cara? Parece coisa séria.

Assenti, sentindo aquele mesmo nervosismo que vinha me acompanhando desde que ela mencionou Campos do Jordão. A ideia de passarmos um tempo só nós dois, longe das distrações do dia a dia, me enchia de um misto de esperança e medo.

  – Acho que é a minha chance de mostrar para ela que estou realmente comprometido em ser uma pessoa melhor. Só quero que ela veja que não é temporário, que eu não tô fazendo isso só por impulso.

Joaquín me olhou por um momento, com uma expressão mais séria, como se estivesse ponderando o que eu disse.

  – Cara, eu gostei da ideia. Parece que você tá mesmo levando a sério. — Ele bateu em meu ombro e sorriu. — Mas tem que lembrar de uma coisa: você tá indo bem agora, mas qualquer vacilo... E você sabe o que pode acontecer.

Assenti, deixando o sorriso sumir um pouco enquanto refletia sobre as palavras dele. Sabia que Joaquín estava certo; não havia mais espaço para erros. Eu já tinha ultrapassado o limite várias vezes. Dessa vez, não havia espaço para justificativas.

  – Eu sei, Joaquín. E eu tô tentando, de verdade. Tô tentando ficar atento ao que eu faço, ao que eu falo... Quero mostrar pra Nanda que ela ainda pode confiar em mim. — Respirei fundo, encarando o chão. — Mas, confesso, dá um medo.

Joaquín assentiu lentamente, compreendendo.

  – Medo faz parte, Richard. Mas você tem que lembrar de uma coisa: você ama a Nanda e quer isso pra sua vida, então seja consistente. Não adianta querer provar algo em um final de semana e, depois, voltar a ser o Richard de antes.

As palavras dele ecoaram em mim, trazendo aquela sensação incômoda de verdade. Sabia que meu histórico não era dos melhores; reconhecia os erros, os impulsos, os momentos de fraqueza. Mas, ao mesmo tempo, sabia que, pela primeira vez, estava realmente comprometido em ser melhor para ela e para nossa filha.

Depois de alguns minutos de silêncio, Joaquín sorriu e deu um soco leve no meu ombro.

  – E vê se não esquece de ser o Richard que conquistou a Nanda lá atrás, tá? Aquele cara aí dentro ainda existe.

Soltei uma risada meio nervosa e assenti.

  – Vou fazer o meu melhor.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora