Dia 23

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Ananda

Acordei com o corpo pesado. Cada músculo parecia lembrar da noite anterior, uma mistura de sensações me invadia – prazer, cansaço, e uma pontada de dor agradável. Richard tinha me levado ao limite, e eu sabia disso pelo jeito que meus ombros e pernas doíam ao menor movimento. Mesmo assim, havia uma sensação de satisfação ali, uma memória ainda fresca de como ele tinha se esforçado em me reconquistar, pelo menos naquele momento.

Me virei devagar na cama, esticando o braço para o lado, esperando encontrá-lo ao meu lado, mas a cama estava vazia. Suspirei, deixando meu corpo afundar no colchão. Não sei o que eu esperava – que ele estivesse ali, talvez? Que as coisas estivessem normais outra vez? Era tudo tão confuso. A noite tinha sido... intensa. Mas isso não mudava tudo que estávamos passando. Não mudava o fato de que, no fundo, eu sabia que algo ainda estava quebrado.

Enquanto eu me perdia nos meus pensamentos, ouvi um leve barulho vindo da porta do quarto. Quando olhei para a entrada, vi Richard entrando, carregando uma bandeja de café da manhã. Thaís estava ao lado dele, pulando animada, com aquele sorriso inocente que sempre iluminava meu dia.

  – Olha quem tá aqui pra acordar a mamãe — ele disse com um sorriso, enquanto colocava a bandeja na cama.

Thaís subiu na cama e correu para me abraçar, pulando ao meu lado, o que fez meu corpo dolorido protestar um pouco. Mesmo assim, sorri para ela, acariciando seus cabelos.

  – Bom dia, princesa — murmurei, tentando não demonstrar a dor que ainda sentia.

Richard se sentou ao meu lado, colocando a bandeja mais perto de mim. Ele parecia... diferente. Havia um brilho nos olhos dele, um carinho que eu não via há muito tempo. Ele me olhou de uma forma que me fez sentir como se tudo estivesse voltando ao normal, como se fôssemos aquela família perfeita novamente. Mas no fundo, eu sabia que as coisas não eram tão simples.

  – Fiz café pra você. E a Thaís ajudou — ele comentou, sorrindo de leve.

  – Ajudei, mamãe! — Thaís falou animada, me entregando uma flor que, claramente, ela tinha arrancado de algum lugar.

  – Obrigada, meu amor — respondi, pegando a flor e a colocando ao lado da bandeja.

Richard se inclinou para me dar um beijo na testa, um gesto tão familiar, mas que, ultimamente, parecia quase distante. Meus olhos se fecharam por um instante, aproveitando o carinho, mas logo as preocupações voltaram. Eu sabia que o momento com ele e Thaís ali era bom, era reconfortante, mas não podia ignorar o que estava acontecendo entre nós.

  – Como você tá se sentindo? — ele perguntou, a voz baixa, quase sussurrando, enquanto observava cada detalhe do meu rosto.

Sorri de leve, tentando aliviar a tensão que sentia no peito.

  – Bem... Só um pouco dolorida — respondi, sem querer revelar muito, mas sabendo que ele entenderia o que eu quis dizer.

Ele riu baixinho, aquele riso que sempre me fazia arrepiar.

  – É... Eu meio que percebi isso — ele comentou, com um tom brincalhão, mas seus olhos estavam atentos, preocupados.

Olhamos um para o outro por alguns segundos, um silêncio confortável se instalando, enquanto Thaís continuava a pular ao meu redor, tagarelando sobre a flor e o café. O momento era quase perfeito, e por um segundo, pensei que talvez tudo pudesse dar certo. Talvez pudéssemos nos reconectar de verdade, talvez essa fosse a solução para tudo que estávamos enfrentando.

Mas, enquanto eu mordia um pedaço do pão que ele havia trazido, uma pequena dúvida ainda persistia no fundo da minha mente. Será que uma noite e um café da manhã seriam suficientes para consertar todos os erros, todas as decepções?

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora