Ananda
Acordei com a sensação de que o dia anterior havia sido um eterno arrastar de minutos e horas. Cada segundo parecia ter se esticado, carregando consigo as lembranças da última provocação que Richard e eu havíamos compartilhado — e, mais uma vez, ele me deixara na mão, como já estava se tornando costume. Era como se estivéssemos presos num ciclo de provocações e frustrações que deixavam o ambiente pesado, abafado, e minha paciência pendurada por um fio.
Naquela manhã, decidi que precisava de um pouco de paz, de um instante onde eu pudesse respirar sem esperar o próximo jogo de olhares ou palavras disfarçadas. Sentia que, se não conseguisse algum equilíbrio entre nós, acabaria explodindo e dizendo tudo o que me corroía por dentro — e talvez, desta vez, de uma maneira que não teria volta.
Me levantei da cama devagar, tentando encontrar algum ânimo para o dia. Após me arrumar, desci para a cozinha, onde a rotina matinal já parecia em andamento. Richard estava na cozinha, preparando o café. Nos últimos dias, ele vinha sendo carinhoso, cuidando de detalhes como o café e o café da manhã, o que me dava uma pontada de esperança, mas também me fazia questionar o quanto disso era verdadeiro. Era difícil acreditar que, depois de tantas idas e vindas, ele estivesse realmente mudando.
– Bom dia — murmurei, tentando manter o tom leve e natural.
– Bom dia, Nanda — ele respondeu, com um sorriso que quase me desarmou.
Sentei-me à mesa e servi-me de uma xícara de café, observando-o em silêncio enquanto ele terminava de preparar o próprio prato. O clima entre nós estava calmo, mas havia um leve desconforto subjacente. Como se qualquer palavra errada pudesse incendiar o que estava apenas esperando para ser discutido. Richard se sentou à minha frente, e pude notar que ele tentava quebrar o gelo com um sorriso.
– Pensei em sairmos hoje. Você, eu e a Thaís. Talvez um passeio no parque? — ele sugeriu, os olhos brilhando como quem tentava trazer uma pitada de normalidade para a nossa relação.
Assenti, tentando me concentrar no momento. Apesar de todas as frustrações e de todas as dúvidas, ver o Richard disposto a ser presente na vida da Thaís e tentar melhorar era o que me fazia tentar mais um pouco.
O restante da manhã foi tranquilo, mas eu sentia que algo se acumulava dentro de mim. Um aperto que aumentava a cada segundo de silêncio e me lembrava de todas as provocações e expectativas quebradas. Por mais que eu quisesse que aquele dia fosse diferente, o passado parecia rondar cada ação, cada gesto, fazendo-me questionar o quanto aquilo poderia durar.
Richard percebeu que eu estava mais quieta, mas não insistiu. Ele conhecia meu jeito o suficiente para saber que eu precisava do meu espaço, e, talvez, ele também sentisse a tensão no ar. Fomos até o parque e passamos o tempo entre risadas da Thaís e conversas casuais sobre o dia, tentando ignorar o peso que estava ali, à espreita.
Conforme o dia passou, eu sentia um misto de alívio e desconforto. Havia algo dentro de mim que clamava por uma explosão, uma libertação de todas as expectativas e provocações acumuladas, mas, ao mesmo tempo, uma necessidade de preservar a calma, de encontrar um momento de paz entre nós, mesmo que fosse breve.
No fim do dia, voltamos para casa, e eu me senti exausta. As tentativas de manter a calma, de evitar as provocações e o conflito, tinham sugado minha energia. Não era fácil controlar a vontade de falar tudo o que eu pensava, de tirar cada palavra entalada na garganta.
Quando Thaís adormeceu, Richard se aproximou de mim, talvez buscando um momento de reconciliação. Ele segurou minha mão, passando o polegar suavemente em minha pele, enquanto seus olhos pareciam ler a confusão e o cansaço que eu tentava disfarçar.
– Nanda, eu sei que tem sido difícil. Estou tentando... mas sei que ainda não é o suficiente. — Sua voz era baixa, quase um sussurro.
Suspirei profundamente, sentindo as palavras presas em minha garganta. Estava exausta de tentativas que nunca pareciam ter um fim. Queria acreditar que poderíamos superar aquilo tudo, que havia um caminho onde eu não precisaria me forçar a ter calma ou a conter minhas reações, mas, naquele momento, tudo o que eu desejava era uma noite de paz.
– Eu sei, Richard. Mas, hoje... hoje, eu só quero descansar. Vamos deixar a paz existir por uma noite?
Ele assentiu, e, sem outra palavra, fui para o quarto, deixando-o na sala, enquanto tentava me convencer de que, talvez, aquela paz momentânea fosse o suficiente para suportar mais um dia.
Richard
Enquanto eu subia a escada para o quarto, algo me incomodava. A paz repentina da Ananda, aquele pedido dela para "deixar a paz existir por uma noite", parecia estranho. Ela era fogo, intensidade, e nós passamos os últimos dias em uma sequência de provocações, explosões e reconciliações. O silêncio de hoje era... novo. Eu não estava acostumado a vê-la assim, quase indiferente.
Quando cheguei ao quarto, ela já estava deitada de lado, de costas para mim. Havia algo nos ombros dela, uma tensão silenciosa que não dava para ignorar. Fiquei parado na porta por alguns segundos, tentando decidir se deveria dizer algo. Um "boa noite" que fosse, ou mesmo uma provocação leve. Mas as palavras pareciam esvaziar-se antes mesmo de saírem.
Suspirei, convencido de que deveria aceitar essa calmaria por uma noite, como ela havia pedido. Não era comum da Nanda querer evitar qualquer tipo de discussão ou emoção, e talvez fosse até saudável nos dar um pouco de folga. Eu me lembrava de como Joaquín sempre brincava, dizendo que eu deveria "esfriar a cabeça e deixá-la respirar". E, talvez, hoje fosse um desses dias onde não havia necessidade de fazer planos, provocar ou tentar reverter o que já estava pesado entre nós.
Assim que me deitei ao lado dela, o silêncio pareceu tomar ainda mais espaço no quarto. Eu podia ouvir cada respiração dela, a respiração que eu costumava achar reconfortante e que, agora, era como uma lembrança de que estávamos, de alguma forma, distantes. Virei-me de lado, com os olhos perdidos no teto, pensando no quanto as coisas mudaram. Era estranho imaginar como o nosso relacionamento se tornara uma montanha-russa de altos e baixos.
Minha mente começou a vagar, buscando formas de tentar superar o que estava entre nós. Em algum momento, acabei fechando os olhos e esperando que o sono viesse, mas a paz que ela havia pedido não chegou para mim com tanta facilidade. Eu sabia que algo estava errado.
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Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard Ríos
FanfictionOnde Ananda e Richard estão se divorciando ᴄᴏᴘʏʀɪɢʜᴛ ᴡɪᴋɪᴍᴀʏʙᴀɴᴋ ꜱᴇᴛᴇᴍʙʀᴏ 𝟸𝟶𝟸𝟺 Recomendação: +18 anos Conteúdo Adulto Não permito, nem autorizo nenhum tipo de adaptação dessa fic!
