Ananda
O sol do domingo brilhava com força, aquecendo a casa da minha mãe. Era o dia do tão esperado almoço em família, e desde cedo a cozinha estava um caos organizado. Minha mãe, eu e minha irmã Amanda corríamos de um lado para o outro, cortando, mexendo, provando e ajustando. O cheiro de temperos tomava conta do ambiente, e as risadas das crianças brincando no quintal ecoavam pela casa.
– Amanda, segura a panela, por favor! — pedi, tentando evitar que o caldo do feijão transbordasse enquanto eu mexia.
– Segurando! — respondeu ela, com o rosto já suado de tanto ir e vir da cozinha.
Minha mãe, que supervisionava tudo com um olhar crítico, parecia satisfeita.
– Vocês duas têm que fazer isso mais vezes. Não sei se fico feliz ou preocupada que estão aprendendo só agora.
Revirei os olhos, mas sorri. Era típico da minha mãe implicar com a gente durante esses momentos. Apesar disso, não podia negar que gostava da movimentação. Depois de semanas tensas em casa com o Richard, estar ali me trazia uma sensação de pertencimento.
– E o arroz? Já verificaram? — perguntou ela, enquanto Amanda lavava a salada.
– Tá no ponto, pode ficar tranquila, mãe — respondi, olhando para o fogão.
De repente, escutei vozes masculinas vindo da sala. O namorado da minha sobrinha mais velha, um rapaz de 19 anos, parecia contar alguma história engraçada para o Richard e o meu cunhado. A princípio, não dei muita atenção, mas uma frase específica me chamou a atenção.
– A tia Nanda é bonita demais, hein? Não sei como o marido dela aguenta tanta pressão.
Minhas mãos pararam de mexer no feijão, e eu senti o calor subir pelo meu rosto. Amanda também percebeu, pois me olhou de lado, mordendo o lábio para segurar o riso.
– É sério, tio, imagina só... — continuou ele, com um tom descontraído. — Se eu fosse ela, ia andar por aí com um espelho só pra admirar minha própria beleza.
Richard não respondeu, e minha mãe deu um leve pigarro, provavelmente percebendo que eu havia escutado.
– Nanda, pega o tempero pra mim, tá no armário — pediu ela, tentando desviar minha atenção.
Fiz o que ela pediu, mas não consegui evitar ouvir mais uma frase vinda da sala:
– E se fosse solteira, hein? A fila ia ser quilométrica...
Balancei a cabeça, focando no que estava fazendo. Ignorar parecia ser a melhor opção. Não queria criar um climão no meio do almoço de família.
– O garoto tem uma língua solta, hein? — murmurou Amanda, baixinho, enquanto secava as mãos em um pano de prato.
– Deixa pra lá — respondi, firme, tentando me convencer a não ligar para aquilo.
Amanda apenas deu de ombros, mas percebi que ela estava se segurando para não rir. Minha mãe, por outro lado, fingia que não tinha escutado nada, mas o sorriso discreto no canto dos lábios a entregava.
O almoço seguiu normalmente, com todos se reunindo na mesa grande do quintal. A comida ficou perfeita, como sempre. Os primos conversavam animados, as crianças corriam de um lado para o outro, e até o Richard parecia relaxado, jogando conversa fora com meu cunhado.
De vez em quando, minha mente voltava àquelas palavras ditas pelo namorado da minha sobrinha. No passado, talvez eu tivesse ficado mais incomodada, mas hoje, com tudo o que já havia enfrentado, sabia que era melhor não me abalar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard Ríos
FanfictionOnde Ananda e Richard estão se divorciando ᴄᴏᴘʏʀɪɢʜᴛ ᴡɪᴋɪᴍᴀʏʙᴀɴᴋ ꜱᴇᴛᴇᴍʙʀᴏ 𝟸𝟶𝟸𝟺 Recomendação: +18 anos Conteúdo Adulto Não permito, nem autorizo nenhum tipo de adaptação dessa fic!
