Ananda
Sentada na cafeteria com a Camila, eu sentia uma sensação leve e gostosa que há muito tempo não experimentava. Cada vez que lembrava do reencontro com o Lucas, era como se uma faísca de felicidade e nostalgia me invadisse. Ele não tinha mudado muito desde os tempos da escola — aquele jeito de sempre me fazer rir, de sempre saber o que dizer. O mesmo sorriso fácil, só que agora, com um toque de maturidade que parecia ainda mais encantador.
– Camila, você não tem ideia de como foi bom ver o Lucas! — falei, mexendo no café e tentando esconder o sorriso bobo. — Foi como se o tempo tivesse voltado por alguns minutos... E ele ainda me entende de um jeito que só ele entende, sabe?
Camila me olhou com um sorriso curioso, e eu já sabia o que viria depois: alguma piada, um comentário perspicaz, algo para me fazer rir ou refletir, do jeitinho dela.
– Ah, Nanda, tô adorando te ver assim. Sério. — Ela deu uma risadinha. — Você ficou diferente só de falar dele. Tem muito tempo que eu não te vejo assim, tão leve, com esse sorriso sincero.
Eu ri, meio sem jeito, porque sabia que era verdade. Depois de tanta turbulência, ver Lucas me trouxe um pedacinho daquela paz que eu nem lembrava como era sentir. Ele não fazia perguntas demais, não me pressionava, só... estava lá. Simplesmente, como sempre.
– E sabe, Camila — continuei, suspirando — eu percebi o quanto eu sinto falta disso. De alguém que não fica me julgando, que não faz questão de controlar cada passo meu, de me policiar... As coisas com o Richard são sempre tão complicadas, tão cheias de desconfiança e, sei lá, de tensões.
Ela assentiu, já sabendo de cor cada detalhe da minha história com o Richard. Camila sempre foi a pessoa com quem desabafei tudo, cada discussão, cada decepção e cada vez que me senti sufocada.
– Então, Nanda — disse Camila, com aquele olhar de quem estava prestes a me convencer de algo — por que você não faz com que essa leveza continue? Olha só, tenho uma ideia: que tal a gente sair? Eu, você e o Lucas. Nós três, como nos velhos tempos.
A proposta me pegou de surpresa. A ideia de sair com Lucas e Camila soava deliciosa, como um resgate da minha antiga vida, dos tempos em que eu era uma pessoa mais livre, sem tantos receios. E a presença da Camila, que sempre me fazia rir, tornaria tudo ainda mais leve.
– Ah, Camila... não sei se é uma boa ideia. — Minha voz saiu hesitante, mas algo em mim já queria aceitar. — Se o Richard souber, vai dar um surto. Ele nem sabe o quanto eu fiquei bem por rever o Lucas, e só de imaginar a reação dele, já fico cansada.
Ela revirou os olhos, claramente impaciente com meu comentário.
– E por que você tem que viver com medo da reação do Richard, Nanda? Você tem todo o direito de viver momentos felizes. Não tô dizendo que você vai sair com o Lucas como algo a mais, mas, poxa, ele é um amigo! Você merece ter amigos, merece sair sem esse peso todo.
Camila tinha razão. Aquela frase fez meu peito doer um pouco. Eu realmente estava cansada de me preocupar tanto com as reações do Richard. Era como se minha vida girasse em torno dos limites que ele impunha, mesmo quando ele nem percebia.
– É, acho que tô precisando disso mais do que eu imaginava — admiti, sorrindo e sentindo um pouco mais de coragem dentro de mim. — Talvez eu esteja mais pronta pra seguir em frente do que eu pensava. Quem sabe essa saída com vocês não é o que preciso pra me lembrar de que eu sou mais que um pedaço dessa relação desgastante?
Ela apertou minha mão, com aquele olhar de amiga que só queria meu bem, e eu sabia que podia confiar na sugestão dela.
– Vai ser uma noite incrível, Nanda. Só nós três, conversando, rindo, você vai ver. Aposto que vai sair dessa ainda mais forte, mais certa de que merece viver com leveza.
Assenti, já me sentindo mais animada e pronta para, quem sabe, reencontrar uma parte de mim que há muito estava esquecida.
Richard
Entrei no CT com o rosto fechado e o humor lá embaixo. Nem tinha começado o treino, e eu já me sentia desgastado. A verdade é que, depois da noite anterior, a coisa toda com a Nanda ainda estava rondando minha cabeça como um peso.
Enquanto eu trocava de roupa no vestiário, Joaquín apareceu com o mesmo sorriso brincalhão de sempre. Ele não demorou nem meio segundo para perceber que algo estava fora do normal.
– E aí, irmão, que cara é essa? Parece que levou uma surra — ele riu, cutucando meu ombro.
Suspirei, tentando decidir se contava tudo ou se deixava passar. Mas, conhecendo o Joaquín, sabia que ele ia insistir até eu soltar alguma coisa.
– Ah, cara... nem sei por onde começar. — Falei, me jogando no banco e passando a mão no rosto.
Joaquín riu de novo, como se já tivesse uma ideia do que vinha pela frente.
– Isso tem cara de problema com a Nanda. Acertei?
Revirei os olhos, mas acabei assentindo. Era óbvio. Ele já sabia o suficiente sobre o meu relacionamento com a Nanda para entender que, se eu estava desse jeito, tinha algo a ver com ela.
– Bom, tá tudo meio... complicado — comecei, tentando achar as palavras certas. — Acho que ela anda meio distante, sabe? E pra piorar, apareceu um amigo de infância dela. Ela ficou toda animada com o reencontro, falou pra Camila o quanto estava feliz... Cara, eu sei que é bobeira, mas não consegui evitar o ciúme.
Joaquín soltou uma gargalhada e balançou a cabeça, claramente achando graça de tudo aquilo.
– Olha só quem tá com ciúmes! — ele provocou. — Você já parou pra pensar que, talvez, a Nanda só queira um pouco de espaço? Ela sempre esteve lá pra você, né? Mas agora parece que ela tá buscando outras coisas... e você também não é exatamente inocente em toda essa história.
Respirei fundo, considerando as palavras dele. Sabia que ele tinha razão, mesmo que fosse difícil admitir.
– Sei lá, mano — continuei. — Eu só queria que as coisas voltassem a ser como antes. A gente tinha uma conexão tão boa, tudo era mais fácil. Agora, parece que qualquer coisa que eu faço é motivo pra ela se afastar ainda mais.
Joaquín me olhou com um misto de compreensão e diversão.
– Richard, você precisa ouvir o que tá dizendo. "Voltar a ser como antes"? Cara, às vezes as coisas mudam, e isso não é necessariamente ruim. Talvez você precise ser o Richard que conquistou a Nanda lá no começo. Para de focar no ciúme, esquece essa coisa de querer controlar tudo. Só... seja o cara que ela se apaixonou. Seja o Richard que fez ela sorrir de verdade, sabe?
Aquilo mexeu comigo. O Richard que ela se apaixonou. Há quanto tempo eu não era aquele cara? Eu sei que tenho tentado a voltar a ser o antigo Richard, mas mesmo assim. Eu sabia da breve paixão que a Nanda teve por aquele e isso me deixava inseguro, porque sei o quão babaca eu estava sendo....
Ihihihi, ta vindo coisas
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Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard Ríos
FanfictionOnde Ananda e Richard estão se divorciando ᴄᴏᴘʏʀɪɢʜᴛ ᴡɪᴋɪᴍᴀʏʙᴀɴᴋ ꜱᴇᴛᴇᴍʙʀᴏ 𝟸𝟶𝟸𝟺 Recomendação: +18 anos Conteúdo Adulto Não permito, nem autorizo nenhum tipo de adaptação dessa fic!
