Ananda
A paz... ah, sim, a "paz" que pedi ontem foi só uma desculpa bem calculada. E eu podia até ver a cara do Richard tentando entender aquele silêncio que de tão raro, chegou a parecer suspeito. Ele com certeza ficou imaginando que eu estava mesmo querendo algum tipo de trégua. Mal sabe ele...
Desde cedo, a ideia de acalmar as coisas entre nós era só um pretexto para o que eu realmente planejava. Cada momento de falsa tranquilidade era parte do meu jogo, porque a minha intenção nunca foi abrir mão das provocações, e sim arquitetar a próxima em detalhes. E, para isso, eu precisava de uma arma secreta. Algo que eu sabia que faria ele perder toda e qualquer sanidade: uma lingerie nova, com o toque exato de ousadia para deixá-lo à beira do desespero.
Assim que saí do trabalho, ao invés de ir direto para casa, tomei o caminho do shopping. Passei por várias vitrines até encontrar a loja que procurava. Só de pensar no efeito que causaria, meu sorriso já se alargava, satisfeito. Vasculhei as opções, tecendo cada detalhe na minha mente, imaginando como cada peça seria a minha vantagem no jogo.
Escolhi uma lingerie em renda preta, com detalhes que combinavam perfeitamente com a provocação que queria montar: discreta, mas tão sensual que qualquer pessoa ficaria hipnotizada ao olhar. A peça tinha tiras finas que moldavam meu corpo de uma forma quase artística. Quando finalmente saí da loja, o plano estava completo. Eu sabia exatamente o que fazer e como faria cada segundo contar.
Chegando em casa, guardei a sacola de compras e passei o resto do dia disfarçando minha animação. Cozinhei para mim e para a Thaís, brincamos um pouco até a hora dela dormir, e, quando me vi sozinha, comecei a preparar o cenário para o que viria. Coloquei a lingerie nova, me olhando no espelho enquanto ajeitava cada detalhe. Eu sabia que, uma vez que ele me visse assim, ficaria sem palavras.
Já era tarde quando ouvi o som do carro dele. Era agora.
Fingi que estava distraída, passando pelo corredor que dava para o quarto, como se não tivesse a menor intenção de provocá-lo. Mas a verdade é que cada passo foi milimetricamente calculado. Escutei o barulho da porta e senti o olhar dele automaticamente cravado em mim. Pude perceber a respiração dele alterar, o corpo paralisado, cada reação como eu esperava.
Virei o rosto apenas o suficiente para lançar um olhar inocente e despreocupado.
— Ah, já chegou? — perguntei, com o tom mais casual que pude, enquanto me aproximava.
O olhar dele ficou sério, com uma mistura de surpresa e incredulidade. O silêncio dele era quase música para meus ouvidos.
— E aí, gostou? — perguntei, com um sorriso malicioso, sabendo exatamente o efeito que causava.
Ele engoliu em seco, tentando manter a compostura, mas a maneira como me olhava entregava tudo o que eu precisava saber.
Meu plano estava funcionando perfeitamente.
Richard
Ah, então era isso? O "pedido de paz" da Nanda não passava de uma estratégia. Só de pensar no quanto ela devia estar rindo por trás daquele rostinho inocente, minha indignação só aumentava. E a maneira calculada como ela passava por mim, desfilando com aquela lingerie nova, era a prova definitiva de que ela estava tentando me colocar no canto do ringue.
Muito bem, se é jogo que ela quer, jogo ela vai ter. Mas agora, quem ditaria as regras seria eu. Eu podia ver que ela esperava me desestabilizar, mas dessa vez não teria chance. Assim que ela terminou seu pequeno show no corredor e me lançou aquele último olhar, decidi que não era eu quem ia cair na provocação dela. Seria exatamente o oposto.
Eu me aproximei devagar, fingindo nem notar o espetáculo todo. Mantive meu tom casual, deixando que ela percebesse que, por mais provocativa que fosse a atuação, eu estava imune. Fingi um bocejo e, com um olhar despreocupado, segui para o quarto, como se nada tivesse acontecido.
– Boa noite, Nanda — murmurei, soltando um sorriso de canto.
Pude ver a frustração lampejar nos olhos dela, mesmo que ela tentasse esconder. Ela esperava um impacto imediato, mas eu iria dar a volta nisso, levando o jogo para o meu ritmo. Esperei uns minutos, o suficiente para deixar ela pensando no próximo movimento, e fui até a cozinha pegar uma garrafa de vinho. Voltei ao quarto, me sentei na cama e servi duas taças, sabendo que isso despertaria a curiosidade dela.
– Achei que você queria paz, Nanda — soltei, em tom de provocação. — Mas parece que a guerra está apenas começando.
Ela chegou à porta, os olhos faiscando. Não era do tipo que gostava de perder terreno, e isso só deixava o jogo mais interessante. Mantive minha postura relaxada, olhando para ela como quem desafiava cada um dos seus movimentos.
– Por que a cara de surpresa? — continuei, servindo-lhe a taça de vinho.
Ela aceitou, mas o olhar que me lançou era um misto de desafio e curiosidade. Estava claro que ela não sabia o que eu ia fazer em seguida. E isso me dava toda a vantagem que eu precisava.
Deixei que a conversa seguisse por um tempo casual, sobre o dia, sobre o trabalho. Cada palavra, cada sorriso, era calculado para a deixar na dúvida, para dar a impressão de que eu estava em controle absoluto — e, na verdade, estava.
Quando finalmente a tensão pareceu atingi-la de verdade, olhei bem nos olhos dela, um toque mais sério no tom.
– Sabe, Nanda... — comecei, deixando a voz mais baixa, enquanto me aproximava. — Se esse é o jogo, vamos jogar direito.
Eu não dei tempo para ela reagir. Encostei meus dedos na sua mão, deslizando-os devagar, sentindo cada centímetro da sua pele arrepiar. Vi o olhar dela vacilar, como se a ideia de controle estivesse escapando a cada segundo. E foi exatamente aí que comecei a inverter a situação, mantendo meu toque leve, quase superficial, deixando que o jogo psicológico tomasse conta. Ela não se mexia, mas eu sabia que aquela postura calma era uma tentativa de resistir à provocação.
– Mas... quem disse que eu ia facilitar as coisas pra você? — sussurrei.
Ela piscou, visivelmente afetada pela proximidade, mas sem admitir. Me aproximei mais, sem perder o contato visual, um toque de desafiador no sorriso.
Passei meus dedos pelo pescoço dela, subindo até seu rosto, sem pressa, vendo ela perder um pouco mais do controle. Cada segundo era uma chance de puxá-la para o meu ritmo, deixando-a presa na própria armadilha. Eu me aproximei o suficiente para sentir a respiração dela acelerar, e então me afastei um pouco, só o suficiente para que ela sentisse o vazio e entendesse que agora o controle era meu.
– E aí, Nanda? Vai jogar de acordo com as regras agora? — perguntei, com um sorriso vitorioso.
O olhar dela, um misto de frustração e desejo, era tudo o que eu precisava. Ela estava caindo na minha provocação, cedendo pouco a pouco. Eu tinha vencido a primeira rodada, e agora sabia que ela pensaria duas vezes antes de tentar outro golpe desses.
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Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard Ríos
FanfictionOnde Ananda e Richard estão se divorciando ᴄᴏᴘʏʀɪɢʜᴛ ᴡɪᴋɪᴍᴀʏʙᴀɴᴋ ꜱᴇᴛᴇᴍʙʀᴏ 𝟸𝟶𝟸𝟺 Recomendação: +18 anos Conteúdo Adulto Não permito, nem autorizo nenhum tipo de adaptação dessa fic!
