Dia 56

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Richard

Eu tinha acordado mais cedo do que de costume, motivado por uma ideia simples, mas que tinha certeza de que a Nanda ia gostar: preparar um café da manhã especial pra ela. Depois da nossa noite no banho e da paz que senti em vê-la relaxada e serena, queria manter o clima leve entre nós, sem complicações. Então, antes mesmo do sol iluminar o céu de Campos do Jordão, me levantei em silêncio e fui direto para a cozinha.

Comecei a separar tudo que precisaria. Café fresco, algumas frutas, pão caseiro, ovos e queijo. Enquanto eu estava focado, tentando não fazer barulho e ainda meio sonolento, ouvi passos leves no corredor. Olhei para trás e lá estava a Nanda, parada na porta, com um sorriso esperto nos lábios, me observando com um brilho de provocação nos olhos.

  – Achei que você ia descansar um pouco mais — comentei, tentando disfarçar a surpresa.

Ela entrou na cozinha, se encostando na bancada e cruzando os braços. Seu olhar curioso passeava de mim para a comida, e eu sabia exatamente o que aquilo significava. Nanda não ia perder a chance de me provocar.

  – Acordei com um cheiro estranho vindo da cozinha — respondeu, com um tom de falso desdém. — Imaginei que alguém estava fazendo uma bagunça aqui.

Soltei uma risada baixa, ainda focado em arrumar as coisas, mas ela continuou ali, me estudando. Fingia que não estava interessada, mas eu conhecia aquele brilho nos olhos dela. Estava se divertindo em me observar, e eu sabia que ela ia aproveitar cada segundo para me provocar.

Ela chegou mais perto, fingindo estar curiosa com a frigideira, e então deslizou uma mão pela minha cintura de leve, como se fosse um gesto casual. A verdade é que sabia exatamente o que estava fazendo, e eu já sentia a energia de provocação crescendo entre nós.

  – Vai querer um café ou só veio aqui pra me importunar mesmo? — perguntei, sem tirar os olhos da frigideira.

  – Não, só tô aqui observando — respondeu com a voz melosa. — Acho bonitinho te ver tentando, mas... será que sabe o que tá fazendo?

Revirei os olhos, mas antes que eu pudesse responder, ela começou a mexer em algumas frutas, cortando uma banana e um morango, mas de um jeito lento, quase teatral. Pegou uma fatia de morango e deu uma mordida lenta, enquanto mantinha o olhar fixo em mim. Eu sabia exatamente o que ela estava fazendo.

Nanda passou a língua pelos lábios e deu um sorriso cínico, inclinando-se um pouco mais para perto.

  – Você fica bem, todo concentrado assim — disse, passando o dedo de leve pelo meu braço. — Quase esqueço que você é tão... insuportável as vezes.

Soltei uma risada baixa e finalmente deixei de lado a frigideira, virando para encará-la. Eu podia ver o sorriso satisfeito dela e como estava aproveitando cada segundo daquela tortura matinal.

  – Sério mesmo? — murmurei, com um sorriso torto. — Não te comi o suficiente ontem? Pra tá agindo assim, feito uma pirralha?

Ela deu uma risada baixa, fingindo um ar inocente, e continuou me provocando com o olhar, aquele brilho travesso que sempre me deixava à beira. Fui me aproximando até quase encostarmos, e pude ver que sua respiração ficou um pouco mais rápida. Era o efeito dela em mim, e eu, claramente, tinha o mesmo efeito nela.

  – Pirralha, eu? — ela provocou, mordendo o lábio inferior. — Acho que você é quem tá perdendo o controle, Richard.

O jogo entre nós continuou, mas eu sabia que, se deixasse, aquilo passaria do ponto. Nanda sorria satisfeita, mas dava para ver que ela também sentia aquela tensão se espalhando.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora