Dia 43

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Ananda

As dúvidas vinham me atormentando há dias, uma sensação inquieta que parecia pesar no peito. Eu tentava me convencer de que talvez Richard estivesse realmente buscando ajuda, mas cada vez que essa ideia parecia fazer sentido, surgiam as lembranças dos tantos erros e das decepções. Eu não sabia se aguentaria passar por outra mentira. Era como se minha confiança estivesse fragmentada demais para se restaurar.

Naquela tarde, depois de ouvir mais uma justificativa dele sobre a terapia, eu decidi que precisava ver com meus próprios olhos. Tinha me cansado de palavras. Eu precisava de provas concretas de que ele estava, de fato, fazendo algum esforço para mudar.

Então, esperei até que Richard saísse de casa com a desculpa habitual de "resolver umas coisas" e me mantive a uma distância segura, observando enquanto ele dirigia. Ele estava indo em direção ao endereço da psicóloga, o mesmo que ele havia me dado. Meu coração disparava a cada minuto, misturando ansiedade e uma ponta de arrependimento por estar me dando ao trabalho de fazer aquilo. Mas, ao mesmo tempo, eu sentia que precisava. Precisava disso para dar um próximo passo — fosse para confiar de novo ou para finalmente me afastar.

Depois de alguns minutos, Richard estacionou em frente a um prédio discreto, onde uma pequena placa indicava que ali havia consultórios de psicologia. Ele saiu do carro, olhou ao redor, como se tivesse uma certa vergonha de estar ali, e entrou no prédio. Eu observei tudo de longe, sem que ele pudesse me ver.

Enquanto eu esperava ele sair, fiquei pensando em todas as possibilidades. "E se ele realmente estiver tentando mudar? E se ele estiver levando isso a sério, e eu aqui duvidando dele?", me perguntei, sentindo uma mistura de culpa e esperança. Eu não sabia o que esperar. Tudo o que eu sabia era que não podia mais me decepcionar.

Passado quase uma hora, vi Richard saindo do prédio. Ele parecia tranquilo, mas também um pouco pensativo, como se estivesse digerindo alguma coisa. Esse semblante introspectivo, que eu já havia visto raras vezes, me deu uma nova sensação — algo que eu já não sabia se poderia confiar: esperança. Ele entrou no carro e foi embora, e eu, mantendo a distância, esperei até ele sumir de vista para fazer o mesmo.

Quando cheguei em casa, tentei organizar meus pensamentos, sentindo uma mistura de alívio e dúvida. Richard tinha ido à psicóloga, sim. Tinha entrado, passado um bom tempo e saído com um ar que eu sabia identificar. Agora, ele precisava saber que eu estava disposta a ouvir, que eu poderia, quem sabe, dar uma chance real a essa nova tentativa de reconstrução — se fosse isso o que ele realmente estava buscando.

Coloquei a chaleira para ferver, como se o chá quente pudesse me ajudar a acalmar os pensamentos e organizar o que eu diria quando ele chegasse. Esperei na sala, enquanto folheava uma revista sem realmente prestar atenção. O tempo passava devagar, e minha mente continuava em uma confusão de sentimentos.

Após alguns minutos, ouvi o barulho do carro entrando na garagem. Meu coração disparou de novo, e o nó na garganta ficou ainda mais forte. Eu queria acreditar que ele tinha sido honesto, que ele realmente estava se esforçando. Queria tanto, mas tinha medo.

Assim que ele entrou pela porta, me aproximei, tentando manter a expressão serena, mesmo com o turbilhão de emoções dentro de mim. Richard me olhou, talvez um pouco surpreso com minha presença tão atenta.

  — Oi, amor — ele disse, sorrindo, como se não esperasse que eu estivesse acordada esperando.

Respirei fundo, decidida a ser honesta e a expressar o que eu sentia.

  – Como foi? — perguntei, tentando soar casual, mas com um tom que deixava transparecer a intensidade das minhas emoções.

Ele olhou para mim, como se tentasse entender o motivo da pergunta, mas logo respondeu.

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora