Dia 31

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Ananda

Richard me paga! A manhã mal tinha começado e eu já sentia uma irritação crescendo em mim. A noite anterior tinha sido... frustrante, para dizer o mínimo. Richard me deixou na mão, literalmente. Me provocou, me fez esperar, mas, no final das contas, não foi nada do que eu esperava. Ele tinha caído no sono rápido demais, enquanto eu fiquei acordada, me revirando na cama, incapaz de encontrar paz. E hoje, mais do que nunca, eu estava disposta a me vingar. Queria vê-lo contorcendo de desejo, sem poder agir, do mesmo jeito que ele me deixou.

Depois de deixar Thaís na escola, voltei para casa decidida. Eu sabia que Richard não tinha treino cedo, então ele provavelmente ainda estava dormindo ou acordando lentamente. Uma ideia maliciosa surgiu na minha mente enquanto eu subia as escadas até o quarto. Seria hoje que ele ia saber o que é ser provocado e ignorado, do jeito que ele merecia.

Abri a porta do quarto com cuidado, vendo-o deitado na cama, com o rosto meio enterrado no travesseiro. Ele mal percebeu minha presença enquanto eu me aproximava, mas, mesmo assim, eu fiz questão de me movimentar silenciosamente para manter o elemento surpresa.

Respirei fundo e comecei a me preparar para a minha pequena vingança. Tirei a blusa e fiquei apenas com uma lingerie rendada que sabia que ele adorava. Passei os dedos pelo pescoço, pelo colo, descendo lentamente, enquanto olhava para ele, ainda aparentemente adormecido. Finalmente, ele se mexeu, abrindo um olho devagar e, assim que me viu, arregalou os olhos, claramente surpreso e... intrigado.

  – Bom dia, dorminhoco — murmurei com um sorriso sugestivo, inclinando-me um pouco para frente, apenas o suficiente para ele notar cada detalhe da minha intenção.

Ele ficou me olhando por um segundo, um misto de surpresa e desejo no rosto, mas logo se recompôs, passando a mão no rosto, parecendo irritantemente calmo.

  – Bom dia — ele respondeu, num tom meio confuso, mas logo desviou o olhar, sem parecer tão afetado quanto eu queria.

Eu me aproximei mais, deixando meus dedos deslizarem pelo braço dele, até o ombro. Ele olhou para mim, mas se manteve firme, com um sorriso travesso nos lábios.

  – Dormiu bem? — perguntei, tentando soar casual, mas sabia que meu olhar traía minhas intenções.

Richard riu baixinho, e o som foi quase provocador.

  – Dormi ótimo. E você?

Revirei os olhos e ri de volta, tentando não demonstrar que sua resposta me afetou. Ele sabia exatamente o que estava fazendo.

  – Tive uma noite... agitada — falei, com um olhar malicioso, inclinando-me um pouco mais. — Sabe como é... algumas pessoas têm o dom de provocar e depois deixar os outros... na mão.

Ele arqueou as sobrancelhas, mas ao invés de reagir como eu esperava, ele apenas riu, balançando a cabeça.

  – Ah, é? Que interessante — respondeu, num tom casual, como se eu tivesse dito que o café estava bom ou que o tempo estava ótimo. A falta de reação dele me deixou um pouco irritada. Ele realmente ia ignorar minha provocação?

Senti o sangue ferver de leve, mas decidi insistir. Subi na cama, me posicionando ao lado dele, deixando uma mão deslizar pelo seu peito, e sussurrei:

  – Achei que você fosse mais... facilmente influenciável. — Minha voz saiu baixa, quase um desafio.

Ele soltou uma risada leve e se levantou, ainda com aquela expressão irritantemente tranquila.

  – Nanda, sabe que eu adoro suas provocações, mas... — Ele fez uma pausa, deixando um sorriso de lado, quase debochado. — Hoje você vai ter que se contentar com um café da manhã.

Por um segundo, fiquei sem palavras, chocada com a audácia dele. Eu estava praticamente me oferecendo, e ele... ele estava me dispensando? Respirei fundo, me recompondo, sem deixar transparecer o quanto estava irritada.

  – Ah, entendo... Café da manhã, então? — Cruzei os braços, olhando para ele, que já estava de pé, indo em direção à porta com um sorriso presunçoso no rosto.

Ele se virou e piscou para mim.

  – Isso mesmo, café da manhã. Quer ajuda com o café?

Eu bufei, completamente frustrada, mas ele parecia estar se divertindo com tudo.

Richard

Depois de um almoço tranquilo com a Nanda, ela já tinha dado alguns sinais de que estava pronta para recomeçar o jogo de provocações que a gente vinha travando. Ela tentava disfarçar, mas eu conhecia aqueles olhares sutis e os pequenos sorrisos que surgiam sem querer nos lábios dela. E, dessa vez, era eu quem tinha a vantagem.

Quando terminamos de almoçar e começamos a arrumar a mesa, percebi que ela me observava de canto de olho, como se estivesse avaliando cada movimento meu, esperando uma abertura para fazer algum comentário afiado ou uma provocação. Foi nesse momento que decidi que era hora de retribuir na mesma moeda.

Aproximando-me dela por trás, deixei minhas mãos pousarem em sua cintura, puxando-a levemente para mim. Senti o corpo dela se enrijecer de surpresa, mas ao mesmo tempo percebi a resposta quase imediata – aquele pequeno arrepio que eu sabia muito bem que ela tentava disfarçar.

  – Sabe, Nanda — murmurei ao pé do ouvido dela, minha voz baixa e carregada de intenções. — Eu nunca disse o quanto eu gosto de te ver provocando... — Deslizei meus dedos suavemente pela lateral do corpo dela, sentindo-a se derreter com o toque. — Mas gosto mais ainda quando você perde o controle.

Ela soltou um riso baixo, tentando parecer no controle, mas eu sabia que já estava mexendo com ela. Virando-se para mim, encarou-me com aquele olhar desafiador, aquele brilho nos olhos que dizia que ela não ia ceder tão fácil.

  – E quem disse que eu estou perdendo o controle? — rebateu, inclinando a cabeça com um sorriso provocador, mas eu sabia que ela estava tentando se manter firme.

  – Eu. E você sabe que eu estou certo — retruquei, puxando-a ainda mais perto e fazendo questão de manter o olhar fixo nos olhos dela. Era uma batalha silenciosa, mas intensa.

Sem dizer uma palavra, comecei a distribuir beijos leves pelo pescoço dela, enquanto minhas mãos deslizavam pela cintura dela, pressionando Nanda contra mim. Senti ela prender a respiração, como se tentasse resistir, mas seus dedos acabaram se entrelaçando nos meus, como se me puxassem ainda mais para perto. Era uma dança entre o controle e a rendição, e eu estava determinado a levá-la ao limite.

Ela soltou um suspiro quase involuntário, e nesse momento percebi que eu já a tinha onde queria. Comecei a subir as mãos, lentamente, fazendo ela sentir cada toque, cada movimento calculado.

  – Não vai me provocar mais, não é? — sussurrei contra a pele dela, com um tom de voz debochado, enquanto ela tentava recuperar o controle.

  – Quem disse que eu estou provocando? — ela respondeu com a voz um pouco trêmula, mas tentando manter o tom firme.

  – Ah, então é assim? — provoquei, dando um passo para trás, fazendo com que ela se desequilibrasse levemente. O olhar de surpresa e frustração dela me fez sorrir.

Com uma risada baixa, caminhei até a porta, pegando minhas coisas, deixando-a ali, no meio da cozinha, completamente confusa e — exatamente como eu queria — cheia de expectativa.

  – Que comecem os jogos Ananda, mas saiba que não vai ser fácil

Como Perder A Sua Mulher Em 80 dias | Richard RíosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora