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— Roberto Nascimento

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— Roberto Nascimento

Rio de Janeiro está um inferno. Traficante armado até os dentes, cada vez mais polícia corrupta e, para piorar, o Papa quer dormir na favela. Eu até entendo que a Vossa Santidade queira ficar próxima da galera mais necessitada, mas o que me fode é ter que me colocar e colocar minha equipe em risco porque o Papa quer fazer mídia.

— Carvalho, tá de sacanagem... — Encarei a mesa, incrédulo com toda essa situação. — Turano em guerra, o Papa vai dormir em cima do morro? Po, eu pago um hotel em Copacabana pra ele, coronel. — Coronel não me deu ouvidos.

Ele sabe que essa missão do Papa é a coisa mais idiota que eu já tive que fazer, o que eu não entendo é ele deixar uma merda dessa acontecer. Eu sei que ninguém quer um tiro no meio da testa da Vossa Santidade, mas eu também não quero um tiro no meio da testa dos meus soldados unicamente por causa de um Papa.

A viatura corre em uma velocidade assustadora. A nossa missão de hoje é chegar, surpreender, encontrar quem estava com a carga e acabar com isso. Foi o que eu vim fazer aqui e é o que será feito.

Embora focado em minha missão, não posso deixar de pensar em minha família, em como Rafael está, em como Rosane está. Mesmo que estejamos separados, eles continuam sendo minha família e agora que Rafael está trabalhando com Fraga, sinto que cada dia mais estou perdendo meu filho.

Encarando a paisagem por fora da janela, avisto um rosto conhecido, familiar. É a filha de Filipe?  É ela mesma. E está com uma garota, que está fumando. Bom, Filipe não deve saber com quem a filha dele se mete, e eu é que não vou me meter na criação do filho dos outros, mas se fosse Rafael, ele com certeza não iria frequentar a esses lugares e ainda mais com esse povo.

Meus olhos só saem dela quando a viatura dobra a esquina. Me admira uma mulher estar agindo como uma garota desmiolada, mas me admira ainda mais que essa mulher seja filha de meu amigo. Ele não deve mesmo saber com quem essa garota anda, ou então, não deixaria ela sair nunca mais. Conheço Filipe.

A viatura sobe o morro com calma, contrariando nosso percurso, até que ordeno que todos desçam.

Aproximando de uma espécie de praça, vejo algumas pessoas sentadas em uma roda provavelmente fazendo merda. É isso que me irrita. Vagabundo sem noção, escória da sociedade, financiando essa porra. Aí eles fazem merda e a gente que tem que vir arrumar.

Silenciosamente, esgueiro meu corpo até um poste. Minha respiração está pesada e vacilante, em parte pela adrenalina e em parte por medo. Nós, do BOPE, não temos e nem podemos nos dar o luxo de sentir medo, mas um policial que não sinta medo, é um policial burro. Policial também tem família, amigo. Policial também tem medo de morrer. E mesmo que eu não considere essa missão tão arriscada, eu ainda sinto medo.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora