Até onde você iria para alcançar seus objetivos?
Até onde você iria por uma missão?
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A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite.
Ao se ver estagnada no começo de...
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- Helena Magalhães
Caminhei pelo solário, me sentando no pequeno sofá, esperando por Roberto. Sua casa é linda. Tem um tamanho ideal para uma família. Me faz pensar em como Roberto pensava que seu casamento duraria por toda vida.
Trouxe meus pés para cima do estofado, colocando uma almofada no colo. Aqui é lindo. A casa por dentro é bem aconchegante, mas o solário é maravilhoso. Eu passaria horas aqui, escrevendo.
Uma sensação maravilhosa de calmaria é transmitida pela luz amarelada e fraca que ilumina o solário. A chuva cai, fazendo barulho ao se chocar com o telhado. Vi as gotas cheias cair, molhando a grama sintética que cobre todo o chão ao longe. Não é uma casa grande como a minha, mas é bem melhor. É exatamente como eu faria.
Tenho uma certa feição por salários. Na casa da minha avó, em Salvador, fazíamos as minhas festas de aniversário no solário. Era engraçado porque quase todos os anos chovia. Agosto é um mês bem chuvoso. Esse ano, não vou ter a minha avó comigo. Encarei meus dedos, tentando lidar com esse pensamento. Sinto saudade dela. Não nos víamos com frequência até porque morávamos longe, mas eu era a netinha da vovó. Eu era "a neta que ela pediu a Deus", como costumava dizer.
"- Eu já estava velha, então eu ajoelhei desse jeito... - Ela dissera, enquanto se ajoelhava no chão, ficando com seus olhos na altura dos meus. - E pedi a Deus que não me deixasse morrer sem uma netinha. E aí veio você, com esses olhos redondos e bonitos e esse rostinho lindo. Me apaixonei assim que te vi."
Sorri, então, ao me lembrar dela. Lembrei que comia açúcar escondido sendo que tinha diabetes, lembrei que me dava dinheiro escondido dos meus pais, lembrei que todas as vezes brigava com a minha mãe para que não me tratasse do jeito que costuma tratar. Era uma velha travessa, que vivia inventando arte, e era meu amor.
- Não vai tomar banho? - A voz conhecida do meu Beto me trouxe novamente a realidade atual, então encarei seus olhos com um sorriso.
Como pode um homem tão bonito ser meu? Seu corpo está coberto apenas por uma bermuda de cetim preta, então seus braços e peitoral estão a mostra para mim e... Meu. Tudo isso é meu.
- Não acredito que tomou banho sem mim. - Com uma expressão exagerada, me levanto, ofendida.
- Não foi você quem disse que não gostava de tomar banho junto? - Roberto cruzou os braços, me encarando com um sorriso sínico.
- Não gosto que me veja tomar banho, mas queria tomar banho com você.
- Eu tomo outro. - O cheiro costumeiro de Roberto estava presente novamente. Aroma gostoso de sândalo adentra minhas narinas assim que ele me puxa com força, abraçando meu corpo e bagunçando meus cabelos.
- Agora você vai ficar aqui. Será sua punição viver alguns minutos sem mim. - Me soltei de seu abraço, criando uma distancia significativa entre nós.