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— Roberto Nascimento

Ouvi o grito aterrorizado da minha garota ecoar pela casa. Não sabia de onde vinha, mas sabia que precisava ir até lá. Peguei a arma que escondo no banheiro, entrando na posição de ataque.

Eu só ouvia os gritos desesperados de Helena, como se alguém estivesse arrastando seu corpo para longe de mim mas eu nunca conseguia chegar perto.

Estava com medo. Estava morrendo de medo mas o pavor só tomou conta de mim quando parei de ouvi-la. Não ouvia mais nada. Onde ela estava?

— Helena?! — Gritei por seu nome a plenos pulmões.

— Beto? — Ouvi sua voz angelical ecoar pela minha cabeça, então corri o máximo que pude para fora de casa. — Beto!

Meu corpo deu um salto, sentindo as mãos de Helena no meu rosto. Foi um sonho. Foi tudo um sonho. Foi tudo a porra de um pesadelo.

— Beto, o que houve? — Senti seus braços envolverem minha cabeça, me apertando contra seu peito.

Nem eu sei o que houve. Eu não faço ideia do que está acontecendo comigo. Está tudo tão bem agora, mas a minha cabeça insiste em me sabotar. O que está acontecendo?

— Foi só um pesadelo. — Tentei sorrir, mas meu coração palpitava mais que o normal.

— Você estava inquieto, murmurando coisas... — Afastou o corpo do meu, mas as mãos continuavam acariciando minhas bochechas.

— Eu consigo lidar com um pesadelo, amor. Não sou um bebê. — Segurei as mãos dela, depositando um beijo no dorso. — Desculpa por te acordar.

— Eu já estava acordada. — Helena montou em meu colo, enlaçando seus braços nos meus ombros. — Terminei meu livro. — Não pude deixar de compartilhar com ela um um sorriso orgulhosos. É o que eu sinto: orgulho. Helena é realmente uma escritora brilhante, com uma mente brilhante e emoções intensas. O estilo de livro que ela escreveu não é do meu feitio, mas eu leria qualquer coisa só porque ela quem escreveu.

— Vai me deixar ler? — Segurei seu quadril com força, aproximando seu corpo do meu. Seu cheiro me faz muito bem. Me faz sentir uma calmaria que eu não sinto no resto da vida.

Helena tem o dom de fazer eu esquecer de tudo, principalmente dos meus problemas.

— Você quer ler?

— Óbvio. — Senti meu celular vibrar no criado mudo ao meu lado. Não costumo atender mensagens, mas está tarde e ninguém mandaria mensagem se não fosse importante.
Segurei o aparelho em mãos, vendo Helena me encarar com um certo ciúmes. Eu sei que eu já não fico muito tempo em casa e que deveria deixar todo tempo que me resta para ela, mas eu também tenho um filho e ele é mais importante que qualquer coisa na minha vida.

— Amanhã é aniversário de Rafael... — Comentei, vendo a notificação de Rosane.
Rosane nunca mais mandou mensagens, nem ligou, e a mensagem que mandou foi tão seca. Parece que finalmente estamos vivendo uma relação de divorciados.

— Por que não pede folga pra ficar o dia inteiro com ele? 

— E quem sobe o morro de houver ocorrência? O Batman?

— Você tá muito engraçadinho, ó Matusalém. — As vezes a criatividade dessa mulher pra me xingar de velho me assusta.

— Você e suas piadas.

— É sério, Beto. Acho que você já fica pouco tempo comigo, imagine com o coitado do Rafael. —  Helena poderia estar certa. Faz tempo que não tiro folgas, e tirar um dia pra ficar com o meu filho seria ótimo. Não nos falamos desde o ocorrido na delegacia e talvez seja melhor de eu estiver longe, mas eu quero vê-lo. Eu quero ver o meu filho.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora