Até onde você iria para alcançar seus objetivos?
Até onde você iria por uma missão?
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A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite.
Ao se ver estagnada no começo de...
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- Roberto Nascimento
Eu amo essa maluca. Não sei como eu fui me atrair por uma mulher tão problemática, imatura, insensata e mimada. Me enfiei na pior das ciladas. Me apaixonei pela personificação da "Burguesinha" de Seu Jorge.
Não sabia como dizer a ela que o que eu mais quero é me casar com ela, mas que meu maior medo é ser com ela o que eu fui com Rosane. Helena não merece algo daquele tipo e nem sei se conseguiria suportar. Eu abandonei Rosane, fui cruel com ela e meu trabalho fez com que fosse negligenciada por mim. Não estava conseguindo assimilar o trabalho e a vida pessoal e eu não estava conseguindo digerir tudo o que acontecia. Estava ficando maluco. Tinha crises constantes e tomava remédio pra controlar. Até hoje eu sinto resquícios de ansiedade.
Amar é estar disposto a compartilhar as suas maiores fraquezas e seus maiores medos, mas não quero que Helena me ache fraco. Eu quem induzi ela a ser livre e deixar de ser medrosa, não quero que me ache hipócrita mas se eu não falar, eu vou perder a mulher que eu amo. Pra mim é tão difícil me abrir e falar de sentimentos.
- Por que? - Perguntou quando me viu pensar novamente.
- Rosane estava grávida... - Comecei. - Durante a gestação, eu fui ausente. Quando meu filho nasceu, eu estava numa missão. Não estava lá pra segurar a mão dela e ainda voltei ao trabalho. Eu queria sair do batalhão, mas estávamos com problemas e, numa noite, eu cheguei estressado e gritei com ela. Essa foi a gota d'água.
- Você bateu nela?
- Não. Eu não bati nela, mas fui agressivo. Helena, eu não me orgulho disso e não vou fazer algo assim novamente, mas não consigo não ter medo de ser igual com você.
Helena parou, encarando os dedos dos pés, enquanto mexia nas unhas. Não sabia o que se passava na sua cabeça, mas imaginava. Ela com certeza não vai querer mais olhar na minha cara depois disso e eu não a julgo, mas não quero perde-la. Helena me deu um novo propósito, me fez sentir paz e calmaria só de tocar meus lábios nos seus. Parece egoísta, mas ela me faz um homem melhor.
- Aprenda a se controlar. - Sua postura não era firme, mas me passou confiança. Suas mãos ainda brincavam com seus pés, enquanto me falava com uma normalidade que a situação não requer. - Me pede tanto para que eu cresça e você, um homem velho desse, não pode aprender a se controlar? Me poupe, Roberto. Você vai fugir, vai me perder, por que tem medo de ser um babaca? Desculpa, mas eu não acredito nisso.
Não consegui respondê-la. Ela estava certa, até certo ponto, mas não era uma desculpa esfarrapada. É meu medo. Eu não quero ser um homem ruim para ela e acabar com esse brilho que Helena tem. Eu adorei o jeito como mudou, como vem amadurecendo, mas o amadurecimento nem sempre tem que acabar com o seu brilho e com ela é assim. Ela continua sendo uma estrela na minha vida.