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- Roberto Nascimento



- Eu mandei ajoelhar, porra! - Gosto da maneira como eu treinei meus garotos. A minha tropa é grande, e cada um foi escolhido por mim e pelo coronel. Conheço cada um aqui como meu filho, e sei do temperamento de cada um aqui. É necessário que saibamos isso porque em uma missão complicada, não podemos trazer os mais impulsivos, ou os mais medrosos. Em uma missão menos complexa, precisamos de agilidade e força. Tudo questão de saber exatamente qual equipe será necessária e assim uma missão é cumprida com êxito.


- 06... - Neto não parece ter me ouvido, ou escolheu ignorar o meu chamado. E se foi essa segunda opção, ele tá fodido. - 06! Ajuda o Tatu a fazer a varredura. - Gesticulei para que Bocão tomasse o lugar de Neto, enquanto o mais novo se direcionava para dentro da casa. Essa agressividade do Neto não é ruim. Eu seria até hipócrita se disse que é, mas ele não sabe o momento certo. Ele ainda tem muito pra aprender.


Encarei o rapaz caído no chão, graças a Neto. O rapaz deve ter, no máximo, vinte e cinco anos. Idade de Leonardo, e é interessante, e nojento, a diferença de vida. Enquanto Leonardo, com vinte e cinco anos, está no BOPE, fazendo parte da tropa de elite da polícia militar, esse cara, com a mesma idade, acabou de ser encontrado tomando conta de uma casa carregada de cocaína e munição. Eu não me interesso o que trouxe esse cara até aqui, ele bandido e eu não tenho pena de bandido, mas o sistema é foda e ainda tem muita criança que, futuramente, estará nessa posição.


- Chefe! Atenção lá no Babilônia. - Porra...


O Babilônia e o Turano são os que me dão mais trabalho. Com a visita do Papa, tínhamos que frequentar o Turano quase todos os dias. A casa do arcebispo não era um cubículo caindo aos pedaços, e é óbvio que não iriam atirar na santidade, nem por bala perdida, mas fomos enviados todos os dias para fazer limpeza da área, até o Papa ir embora. Na noite em que ele dormiu, eu estava patrulhando. Eu, juntamente com a minha equipe, fizemos a segurança do Papa naquela noite. Confesso que estava ansioso pro Papa acordar e se mandar de lá.


- Norman! 014! 017! - Respectivamente, os três homens se apresentaram com o meu chamado. - Vocês levam o cara e as coisas capturadas aqui. O restante vem comigo pro Babilônia.


Não precisei ordenar duas vezes, que já estavam todos na ativa. Eu e Renan caminhamos para a viatura, enquanto esperávamos os outros.


Nós não temos o privilégio de agir assim que somos notificados. A polícia precisa de tempo pra se equipar, se organizar, e formar um plano de fácil execução e que não resulte em morte de um dos nossos.


- A protegida nunca mais nos visitou. Proibiu? - Renan perguntou, descendo o morro.


A noite estava agitada. Já tínhamos sido chamados antes de virmos para cá, e agora mais um. Três ocorrências numa noite. Tem noites que são assim, cheias, mas tem noite que eu só fico sentado na minha sala pensando na minha loira.


- Eu não proíbo ela de nada, Renan. Nem tenho esse poder. - Eu sei que se eu pedisse, Helena faria qualquer coisa, e eu acho isso ótimo porque eu também faria tudo por ela.


Eu mataria por ela.


- Você não tem medo dela te trocar por um cara novo não? - Eu nunca tive esse pensamento porque Helena já fez tantas loucuras por mim e comigo, que já não abria brechas para inseguranças, mas talvez ela descubra que eu não sou bom o suficiente. Talvez descubra que está perdendo tempo comigo. Será que ela pensa em filhos? Eu sei que quer se casar, e minha maior vontade é me casar com ela.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora