— Helena Magalhães
Meus pais, embora doidos, sempre apoiaram muitas das minhas curiosidades. Posso dizer que sou uma pessoa curiosa, que enfia nariz em formigueiro para saber exatamente do que se trata. Agora não está sendo diferente.
Utilizei a escada, descendo ao cômodo secreto. Não faço ideia se Zélia tem conhecimento desse cômodo, então se entrar aqui e não me vir, não saberá onde estou.
O cômodo era escuro, sem nenhuma iluminação e o barulho da goteira era ouvido pelos quatro cantos do lugar. Tateei a parede ao meu lado quando cheguei ao fim da escada de madeira, ate que achei uma especie de interruptor improvisado; era só o interruptor ligado aos fios. O lugar tinha um cheiro insalubre e úmido.
Minhas narinas dilataram quando inspirei mais forte e senti o cheiro podre de...
Assim que acendi a luz, um grito se prendeu em minha garganta. Meus olhos saltaram para fora e eu tive que colocar as mãos na boca para abafar o grito horrorizado que iria sair.
Minhas mãos tremiam enquanto meus olhos insistiam em derramar as lágrimas. Um corpo.... Um corpo ali. Morto. Ele está... Ele está.
Fechei os olhos, tentando clarear a visão que sentia escurecer. Eu nao... Porra! Morto!
Havia tanto sangue úmido espalhado pelo quarto, objetos que facilmente seriam e foram usados para tortura... era uma cena brutal. Nojenta. Embrulhava meu estômago.
O sangue espalhado pelo corpo masculino não estava mais fresco, mas a poça de sangue ao seu redor estava. O gotejar não cessara, e eu já sabia de onde vinha. Ele não morreu há muito tempo. Ouso dizer que talvez tenha sido hoje.
O corpo estava próximo a alguns baús. Me aproximei, totalmente relutante e trêmula, e toquei o baú. A textura de camurça que o envolvia, mas a madeira facilmente sentida. Nao estava trancado.
Suspendi a tampa, dando de cara com... Caralho!
Era um baú com tanta arma grande que eu pensei seriamente se o Brasil estava em guerra e nao tinha tomado conhecimento ainda.
Com as mãos trêmulas, peguei meu celular que estava guardado em meu bolso, e fotografei o quarto. Fotografei o corpo do homem desconhecido, as armas e havia alguns outros baús. Suspendi todos, sendo tomada por adrenalina e medo.
Meu corpo sentia os sintomas do medo, então eu tremia mais que o normal, mas estava cheia de coragem.
Me afastei novamente, tirando mais fotos. Eu nao sabia o que fazer, mas uma coisa eu sabia: Roberto. Minha única certeza.
Enviei as imagens para seu número pessoal, mas obviamente só veria quando estivesse em casa. Merda, Roberto. Carrega esse cacete para todos os lugares, exceto para o caralho do batalhão. Velho atrasado.
Me arrepiei quando ouvi o estalar do piso. Puta que pariu.
Fechei os baús com rapidez, mas com cuidado para que fossem silenciosos, e analisei bem a situação. Roberto me diria para parar de ser louca e que eu não deveria nem estar aqui, mas agora eu estou e ele diria que, numa situação dessas, se correr o bicho nota a sua presença, mas se ficar e se camuflar, talvez o bicho não veja.
E é o que vou fazer.... mas onde? Onde eu me escondo?
Merda...
Encarei o corpo do maldito, caído ao lado do baú. Eu sei que se chegarem perto, vão me ver, mas é a minha única chance. Quando ouvi o barulho do piso sendo carregado, corri para trás do baú. Meu coração se acelerava ainda mais, e esse cheiro de podre ainda piorava tudo. O corpo pode estar aqui há horas e como não sentiram esse cheiro imundo e... Maria!
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
FanfictionAté onde você iria para alcançar seus objetivos? Até onde você iria por uma missão? . A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite. Ao se ver estagnada no começo de...
