Até onde você iria para alcançar seus objetivos?
Até onde você iria por uma missão?
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A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite.
Ao se ver estagnada no começo de...
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— Helena Magalhães
Eu tinha poucas certezas na minha vida mas que Júlia havia feito tudo de propósito era uma delas. Ela estava na minha frente, tinha uma ampla visão do que estava atrás de mim. É óbvio que ela falou aquilo de propósito mas eu esperava que não. Eu esperava, de verdade, que não e que eu estivesse em mais um dos meus surtos de paranóia.
— Isso mesmo o que você ouviu. A sua irmãzinha tá dando pro capitão. — Eu não pude rebater. Não pude dizer mais nada porque eu estava ocupada demais incrédula com a traição da minha amiga. Ou melhor, da pessoa que eu jurei ser minha amiga. Eu estava confusa, na verdade. Pensei que tinha sido coisa da minha cabeça porque a minha Júlia nunca faria isso. Eu queria que fosse coisa da minha cabeça. As lágrimas caíam pelos meus olhos de uma maneira que eu sequer conseguia percebê-las, mas eu ainda não fechava a minha boca. Eu olhava a Júlia com incredulidade porque não é possível que alguém que viveu tudo que a gente viveu, que compartilhou todas aquelas coisas, aqueles momentos, todas aquelas sensações, todo aquele amor de irmã que eu sentia por ela, possa fazer isso com a outra pessoa.
— Me diz que isso é uma brincadeira idiota de Júlia. — Benjamim se aproximou rapidamente, fechando os punhos em meus braços. — Fala, porra. — Suas mãos se fecharam ainda mais em meus braços.
Mas eu não consegui responder. Eu só deixei que as lágrimas caíssem enquanto soluçava e hiperventilava. Benjamin sempre foi o meu irmão protetor, sempre cuidou de mim. Depois que ele se casou, a gente se afastou para caralho, e agora, vê-lo me tratando dessa forma, me deixa ainda mais abalada. Eu não sei o que me surpreende mais: a traição da minha amiga ou essa agressividade toda do meu irmão. Mas eu sei é que eu tenho raiva. Muita raiva de Júlia por ter exposto uma coisa tão íntima minha e muita raiva do meu irmão por estar se intrometendo nisso.
— Me larga. — Eu estava na delegacia sendo praticamente agredida pelo meu irmão, sendo traída pela minha melhor amiga e minha namorada não estava aqui para me ajudar. E onde estava meu namorado? Exatamente, com a ex.
— Você vai me explicar essa história agora! — Ouvia enquanto Benjamim me arrastava para fora da delegacia. Isso tudo era tão humilhante e eu preferia morrer aqui, agora.
— V-Você tá me machuca-ando... — Eu soluçava, tentando me livrar de seu agarre no meu braço. Não sabia porque ele estava possesso desse jeito. Se me amava e estava preocupado com o meu bem estar, por que me machucava? Por que homens não sabem lidar com seus sentimentos como pessoas civilizadas?
Nós paramos em frente ao portão preto da delegacia. Júlia parecia se sentir mal por mim, e ótimo que esteja. É ótimo que ela veja que, do mesmo jeito que sou eu, pode ser ela. É ótimo que deixe de se vangloriar e sinta culpa. Que a culpa a corrompa quando as mãos de Benjamim soltarem meus braços e estiverem roxos.
— Por que você não desmente essa mentira, porra? — Sua mão se fechou tanto, que eu sentia seu toque machucar meu músculo.
Eu já estava cansada de esconder, mas agora seria o momento certo de dizer?
— Estou farta! — Esmurrei seu peito várias vezes, enquanto contraia os cotovelos. Queria me desvencilhar dele e fugir daqui. Eu estava cansada de esconder, mas ainda sentia medo. Roberto não vai casar comigo e se meus pais me expulsarem, para onde eu vou? — Me deixa em paz, maluco. — Benjamim podia ser mais velho, podia ser policial e podia ser casado, mas ainda era meu irmão, e irmão a gente resolve com porrada.
Meu coração estava mais que acelerado. Era como uma arritmia. Não conseguia ter percepção do que estava a minha volta, além de que tudo estava desmoronando. Minha respiração começou a se dificultar, em parte porque eu estava chorando, mas agora, era como se algo prendesse meu diafragma e eu não conseguisse mais respirar com aquela leveza costumeira.
Me sentia preso, coagida. E realmente estava, mas era diferente. Como se eu mesma estivesse me prendendo. As roupas me sufocavam e só olhar para Benjamim já era motivo para minhas mãos começarem a tremer. Talvez eu esteja morrendo.
Consegui me soltar de seu agarre ameaçando dar uma mordida em sua mão. Suas mãos me soltaram, por reflexo, então me aproveitei e corri. Corri o mais rápido que eu pude, atravessando a rua. Puxei a gola do moletom de Roberto para longe do meu pescoço, tentando afrouxar para respirar melhor mas não adiantava. Ainda me sentia presa.
Olhei para trás, enquanto corria, uma última vez para ver o semblante da minha cunhada e do meu irmão. Os olhos de ambos se abriram em uma surpresa e um temor que eu nunca vi, e não entendia o porquê.
— HELENA! — A voz grave do meu irmão denunciou a chegada de um carro repentino, que se chocou contra meu corpo e freou. Quanto ao meu corpo, bom...
Minha cabeça estava dolorida, e eu ouvi muito barulho a minha volta. Vi alguns rostos se amontoarem sobre mim, mas não consegui mais reconhece-los quando minha visão começou a escurecer. Meu corpo, mesmo que estirado ao chão, estava mole, exausto. Um formigamento está tomando meus membros inferiores, enquanto um amargor surgia e tomava toda minha garganta e boca mas eu não podia pensar em nada além de: Onde está Roberto?
Helena tadinha só se fode É hipotermia, é crise de ansiedade, é atropelamento. Da pra notar a minha inveja pela personagem né?
Ai os próximos dois capítulos serão curtinhos pq não gostei e quero pular logo pra parte onde tudo fica de boa dnv pq não queremos drama, queremos o quê???????