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— Roberto Nascimento

Haviam informações que um caminhão com carga pesada, que além de cocaína e maconha, o carregamento contava com UMP, AK-47, MP40, MG3... Armas usadas em guerra, porra. Isso é loucura. O que nos restava era vasculhar esse inferno até encontrarmos e apreendermos, e isso ainda me ajudaria a levar Carlos comigo, mas ele estava.
Óbvio que Carlos não estaria até porque o chefe nunca coloca a vida em risco e se estivesse, ia pra vala hoje.
Meu amigo era o Carlos, esse Baiano é a minha próxima vítima.

Subimos o morro, Neto na ponta enquanto eu estava na retaguarda.

Policial do BOPE não entra em favela atirando, entra com estratégia. Progride de beco em beco. Progressão em favela é uma arte, parceiro, e uma arte que ninguém aprende na teoria.

Quando Neto ultrapassou o beco, se fazendo visível para quem estava traficando, começaram os gritos. Eu não estava feliz em estar nessa situação, mas ouvir esses gritos aterrorizados de quem estava devendo era música para meus ouvidos.

— Porra, sujou!! — Ouvi isso repetidas vezes e em inúmeros tons de voz. Tinha, no mínimo, uns quatro vagabundos; dois recebendo e dois dando.

— Entra. Entra, mané! — Um morador estava saindo pela porta quando o corpo de Neto passou a sua frente. Neto encarou o homem, o que o fez voltar para dentro de casa.

Me juntei a Neto na ponta, deixando Norman na retaguarda.

— Capitão... Capitão! — Mantendo a postura de defesa, me aproximei de Neto na saída do beco. — Fogueteiro correu. Tá lá. — O beco dava até uma área grande, como uma praça com casas abandonadas e escombros em volta. Vi o fogueteiro correr, mas não sei se estava sozinho e se eu não sei, eu preciso parar e refletir. Isso significa estratégia. Agir pela razão.

— É um só? — Perguntei

— Tá sozinho. — Eu já via os pés de Neto ameaçarem se mover, mas não ordenei que seguisse. — Vou pegar. Vou pegar.

— Pera aí, porra! — Mas fui totalmente ignorado. Neto seguia agachado mas corria, enquanto mirava na entrada de uma das casas. — Pera aí, caralho! Volta, volta agora!

Nas condutas de patrulha eu não admira erro. Homem com farda preta entra na favela pra matar, nunca pra morrer.

Embora seja um irresponsável que está colocando essa missão em risco por puro ego, não faz parte da conduta do BOPE deixar um companheiro entrar na boca do lobo sozinho. Nós somos uma família.

Corri, desviando de inúmeras balas que vinham em nossa direção.

Ergui o olhar rapidamente, vendo dois na laje.

— Tá na laje! Tá na laje! — Encarei Tatu, que logo entendeu meu recado. Aqueles dois já estavam passados assim que fechei a boca. — Volta, porra. Volta, caralho! — Eu estava puto. Essa situação inteira é uma merda do caralho e esse filho da puta estava dificultando tudo ainda mais.

Eu e Mathias cobrimos Neto, que correu para a parede que usávamos como escudo.

Mathias continuou com a ação, atirando contra os vagabundos, enquanto eu deixei meu fuzil de lado, caminhando ate Neto.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora