— Helena Magalhães
Quando terminei meu banho, optei por usar apenas meias cinzas de Roberto e um conjunto de lingerie preta rotineira. Estava deslumbrante. Não no quesito físico, mas estava me sentindo deslumbrante. Estava me sentindo a pessoa mais feliz do mundo. Para alguns, conseguir esse emprego é só mais uma vitória da vida, mas para mim é mais que isso. É como se eu estivesse finalmente vivendo a minha vida e não a vida que queriam para mim.
Meu corpo está enérgico. Sinto vontade de pular, gargalhar... Peguei meu celular, dando a brilhante notícia para meus amigos. Fred ficou muito contente, afinal, era o que mais me enchia o saco com isso.
Sentei no sofá da sala enquanto ligava a TV. Preciso de um momento de insanidade. Aumentei o volume da televisão, vendo a Madonna lindíssima no clipe de Material Girl. So ela e a Lady Gaga seriam capazes de entenderem a minha animação.
Subi no sofá com total animação, pisoteando o estofado branco. Segurei o controle em minha mão como um microfone, acompanhando a Madonna gritar que vivemos em um mundo materialista e que somos garotas materialistas.
Mexi os ombros, dançando sozinha como se estivesse em um filme adolescente americano. Adoro esses momentos em que eu posso ser apenas uma garota livre.
O barulho da porta se abrindo não passou desapercebido por mim porque estava ansiosa para que ela se abrisse e o meu homem aparecesse, mas não era meu Beto.
— Por que você tem a chave da minha casa? — Encarei Rosane, arqueando as sobrancelhas.
Ela parecia surpresa em me ver aqui, afinal, sabia que estamos namorando mas não sabia que eu estou morando aqui. Bom, somou a surpresa em vê-la aqui com o constrangimento de estar praticamente pelada na frente dela e então desci do sofá, desligando a televisão.
— Anda. O que está fazendo aqui? — Me aproximei, com uma falsa postura.
— Eu... — Percebi que estava tentando pensar em uma desculpa, mas é óbvio que não conseguiria porque não faz sentido ela estar aqui e ter essa chave. — Vim ver Roberto. — Decidiu já não mentir mais, e deixou todo o veneno escorrer pelos seus lábios. Maldita.
— Você gosta muito dele pra quem estava chorando as pitangas porque Roberto não dava atenção. — Cruzei os braços, a encarando com desdém. Não sabia se queria me matar ou matar ela. Vagabunda.
— Você é uma garota. Não espero que entenda o que eu sinto.
— E você é uma vagabunda que está casada e atrás do namorado alheio. Não faço questão de entender o que você sente.
— Olha lá como você fala comigo, garota. Você é só uma aventura pra Roberto.
— E você foi o quê?
— A mulher da vida dele. A mãe do filho dele.
— E não prestou pra nada. Eu quero que você saia da minha casa antes que eu perca a minha paciência.
— Ele vai enjoar de você.
— Não se eu der gostoso pra ele todos os dias. Fica na sua, tá? — Estava incorporando a pior pessoa que eu conheço: Júlia. Não nos falamos há tanto tempo, mas eu ainda lembro como ela reagia e sei exatamente que falaria isso se estivesse no meu lugar.
— Eu já peguei o seu pai e Roberto. Não vai ser tão difícil fazê-lo voltar.
— E se orgulha de ser uma puta? Nossa... — Antes que eu terminasse de falar, recebi um tapa. Um tapa estalado, doloroso e agudo. A ardência tomava conta da minha face esquerda, estão acariciei o local, sentindo queimar.
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𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
ФанфикшнAté onde você iria para alcançar seus objetivos? Até onde você iria por uma missão? . A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite. Ao se ver estagnada no começo de...
