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— Helena Magalhães

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— Helena Magalhães

Eu já estava em casa há três semanas, e isso sim já estava me matando. Depois que você prova de algo bom, é difícil voltar ao seu estado antigo. Depois que eu passei a visitar o batalhão, ficou difícil me acostumar com o tédio da tarde, ainda mais esse finalzinho de tarde que era quando juntavamos todos e ficávamos juntos, treinando. Bom, eles treinando e eu rindo.

Pra piorar, não estou conseguindo escrever e isso está me corroendo. Pensei em passar pelo batalhão, mas quem eu realmente queria ver e quem realmente me ajudaria nao estaria lá. Está torturando seus futuros colegas de profissão. Querendo ou não, ele me ajudou tanto com essa merda de escrita. O problema não é o tema, o problema não é falta de inspiração. O problema sou eu. Eu sei disso.

No mundo literário, há poucos livros policiais, ainda mais um como o meu. Mas há uma escritora em específico que escreve sobre romance policial. Não é necessariamente igual ao meu, mas é quase o mesmo tema e isso me irrita. Eu sei que é algo que eu deva mudar, mas me irrita porque nunca vou chegar àquela perfeição. Ana Viola é perfeita. É linda, faz referências brilhantes nos livros e com certeza é melhor escritora que eu. Nós somos da mesma editora, a diferença é que ela é a elite da Pulius. Ela é uma das primeiras escritoras e é bem conhecida, mas não é isso que me deixa mal. O que me deixa mal é que a minha escrita nunca seria igual a dela. A dela é uma coisa sublime, te faz imergir na história com uma facilidade que você se perde. A maneira como você vivencia o que o personagem vive e sente o que o personagem sente é excepcional. Eu queria ser assim. Queria saber fazer os leitores se perderem em meus personagens assim como eu me perdia lendo ela.

Meu celular vibrou ao meu lado, e eu já estava torcendo para que fosse Júlia ou qualquer outra pessoa me chamando pra ir nem que seja no mercado. Os Reich não estão se vendo com tanta frequência agora que eu e Octávio terminamos. Os meninos pararam de falar comigo e Ana... Bom, Ana é Ana. Ela nem fazia muita questão de estar com a gente.

Desbloqueei a tela do celular, dando de cara com uma mensagem de Lara, a minha amiga da editora. Estava me convidando para sua festa de aniversário. Era tudo o que eu precisava. Não quero ficar em casa, encarando essas paredes quietas e solitárias, fora que aqui em casa não tem nada pra fazer. Eu estou totalmente entediada.

Só de pensar que terei que falar com meus pais me bate um desânimo... Mas eu vou. O que eles vão fazer? Me trancar no quarto? Bom, minha mãe é doida a esse ponto mas ela não está em casa.

Confirmei o convite e respirei fundo, caminhando para fora do quarto.

— Pai! — Gritei enquanto andava pelos corredores. — Pai, cadê você?

— Aqui.

— "Aqui" onde? — Bufo, colocando as mãos na cintura. — Marco... — Marco Polo é uma brincadeira que costumávamos fazer quando eu era criança. Brincávamos de esconde esconde e  eu era ótima nisso, e quando não me achavam, me chamavam com uma nova brincadeira e eu sempre saía do esconderijo. A verdade é que tenho ótimas lembranças da minha infância. Não lembro dos meus pais serem tão difíceis naquela época. Bom, eles não me deixavam sair e dormir na casa de amiguinhas como as outras crianças, mas eu não me importava tanto. Sinto saudades daquela época.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora