54.

2K 127 401
                                        

Roberto Nascimento

Eu já não via Alexandre e Carlos há muito tempo.

Não estou triste, mas foi um choque vê-los aqui. Sempre fomos nós quatro, divididos em duplas. Não era tão próximo deles depois que entrei para a faculdade, mas ainda assim é estranho vê-los nessa situação. Eles lembram de mim. Lembram de mim e estavam planejando minha morte.

Vagabundos do caralho.

Ninguém vai tocar em mim se eu matar primeiro.

Entrei na viatura sem dar atenção ao que tanto conversavam. Eu precisava ter atenção ao que faríamos a seguir. Eu preciso pensar em qual será o nosso próximo passo porque isso afeta muito mais aos outros do que a mim.

— Capitão, se eles estão juntos nisso, tem alguém ainda maior comandando tudo. — Não necessariamente. Carlos e Alexandre poderiam estar juntos nessa por questões emocionais. Poderiam juntar as forças por estratégia, mas podem ter pensado nisso pela amizade que nutriam. — Quem deve ser o coroa, hein? Porque eles...

— Cala a boca, porra. — Resmunguei, respirando fundo. Estava tentando pensar no que faremos a seguir e Neto tagarelando não ajudava. Essa missão é minha. Coronel me colocou no comando da situação e será uma guerra do caralho. Não vou ter tempo pra mais nada e eu nem quero. Eu preciso resolver essa merda antes que resolvam por mim.

....

Meu coração se acelerou quando parei na porta de casa. Havia gritos lá dentro. De Helena.

Eu lembro exatamente que falavam que iriam me matar, mas isso não iria acontecer, e bandido quando não consegue te atingir, vai atrás de quem você ama.

Eles chegaram. Eles vieram e pegaram a minha Helena.

Merda.

Isso tudo é culpa minha.

Meu coração se acelerava cada vez mais, enquanto eu sacava a .40 que portava. Filipe estava certo. Não deveria ter me aproximado de Helena. Todos a minha volta se machucam por minha causa.

Empurrei a porta, segurando a arma em mãos e aprontando para... Rosane?

— Me larga! — Helena deu um tapa na mão de Rosane, se afastando dela.
Não sei se estou irritado pela encenação de jogos vorazes ou se estou aliviado por não serem eles.

— Que merda é essa? — Suspirei, guardando a arma.

— Beto, ela me atacou... — Rosane levantou com aqueles olhos grandes, me encarando com medo. Realmente, Helena estava sobre Rosane e estapeando ela. Mas por que essa doida faria isso?

— E se você chamar ele assim de novo, não vai só seu cabelo que vai sair na minha mão! — Helena estava irreconhecível. A garota doce que eu conheço nunca estaria desse jeito, batendo em alguém e tão transtornada. Helena avançou sobre o corpo de Rosane mais uma vez, mas a segurei pela cintura com um braço, a trazendo para perto de mim.

— Helena, que merda é essa? — Não me referia somente ao seu corpo praticamente despido, mas também ao show que estava acontecendo na nossa casa.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora