
— Roberto Nascimento
Era decepcionante saber que eu tinha falhado na minha maior missão de vida que é ser pai. Rafael já não era próximo a mim, e agora, assumiu na frente de todos que a maconha era dele, mas eu duvido que seja. Não é possível que seja.
Saí da sala, sem ao menos olhar para trás, e Rosane veio falar comigo. Eu não estava com cabeça para papear, mas ela não parava de tagarelar.
Antes, Rosane era a única pessoa que conseguia colocar algumas coisa na minha cabeça. Era a única pessoa que eu ouvia, mas algo mudou entre a gente. Algo mudou desde que paramos de nos encontramos. Encarei o chão, sentindo as minhas emoções se moerem dentro de mim. Eu estava exausto, decepcionado. Estava péssimo. A culpa não é dele, não, é minha. Eu fiz tudo aquilo com Rosane e ela se divorciou. Eu permiti que outro homem cuidasse do meu filho.
— Beto, você precisa entender que ele não tem nada a ver com isso... — Rosane segura meus pulsos, tentando me fazer encara-la, mas não quero. Não consigo. Não consigo olhar para a mãe do meu filho com essa culpa que eu estou sentindo.
Apenas consenti com a cabeça, ainda observando meus próprios pés, sentindo as mãos dela cercarem minha cabeça.
Meus ouvidos se aguçaram para o nome de Helena sendo berrado lá fora. Estamos no estacionamento, atrás da delegacia, mas consegui ouvir muito bem o grito desesperado por ela.
Me afastei de Rosane, indo checar se Helena estava bem. Ninguém gritaria assim atoa.
— Onde você vai? — Rosane deslizou a mão pelo meu braço até alcançar minha mão, e segurar um pouco.
— Com licença. — Arrastei minha mão comigo, deixando Rosane parada, sem entender nada.
Ouvi burburinhos aumentarem a medida que me aproximava da entrada da delegacia. Os portões, com barras finas de ferro pintadas de preto, me permitiram vizualizar uma multidão envolver algo. Eu vi um carro. Um Honda Civic preto, parado, enquanto a ambulância soava, se aproximando. Minhas mãos soavam, mas ainda assim estavam frias. A cor já sumia do meu rosto, enquanto eu me aproximava, observando um corpo sendo erguido pelos paramédicos. Eu sabia que era ela, mas não queria aceitar.
Me aproximei do corpo, vendo Helena com os olhos fechados. Tentei me aproximar mais e tocar nela, mas meu corpo foi arremessado para longe. Benjamim me encarava, furioso.
— Não toca na minha irmã, desgraçado! — Ele espumava. Seus olhos se enchiam de fúria, se transformando em um preto ainda mais intenso. Um rubor tomava seu rosto, enquanto Benjamim apontava para mim.
Eu não iria obedece-lo. Estava fora de cogitação ficar longe de Helena, ainda mais num momento desses. Eu não sei o que aconteceu, mas, juntando tudo, imagino que o carro tenha a atingido e, a julgar pela reação de Benjamim, ele sabe de nós dois. Merda, Helena, por que não me esperou?
Me aproximei de novo, empurrando os corpos curiosos que a cercavam. Ignorei a tentativa de Benjamim de tentar me empurrar, e só segurei sua mão com força e o empurrei também. Não queria machuca-lo, mas ele não vai me proibir de ficar perto da minha Helena. Eu vou cuidar dela.
— Ele não vai com a minha irmã! — Benjamim estava fazendo um escândalo, e eu odeio chamar atenção, mas já não estava me importando com isso. Tudo o que passa pela minha cabeça é em ficar com Helena e cuidar dela.
Não dei ouvidos.
Deixei que o mundo explodisse do lado de fora, porque tudo o que eu preciso está aqui dentro. Não costumo dizer a Helena como eu me sinto sobre ela. Quero dizer a ela como me fez um novo homem, como supriu e aplacou todas as minhas necessidades e como me libertou do meu passado tão conturbado. Só com a sua doçura, me fez encarar a vida de uma maneira diferente. Eu preciso dela e eu me odeio por não ter estado com ela quando essa merda aconteceu.
— Beto? — Ouvi a voz angelical da minha Helena, então suspirei aliviado. Passei as mãos pelo rosto, deixando um sorriso surgir. Levei minha mão direita até a mão dela, acariciando o dorso de sua mão.
— Oi, meu amor.
— Beto, meu braço tá doendo... — Seus olhos se fecharam com força, acompanhado de um gemido de dor. Talvez tenha quebrado ou deslocado o braço.
— Você tem que dormir. — O paramédico se aproximou de Helena, tentando convence-la.
A ambulância corre em uma velocidade incrível, e, em alguns poucos minutos, chegaremos.
A mão de Helena se fechou com força, apertando a minha, como se não quisesse que eu fosse embora. E não vou.
— Não vou sair do seu lado. — Seus olhos se fecharam, e então, senti o aperto em minha mão aliviar. Estava dormindo de novo.
Não sabia o que a levou parar correr para a frente de um carro, mas sabia que tinha algo relacionado com Benjamim estar irritado daquela forma. Eu não iria brigar com ele. Não mesmo. É um garoto e é filho do meu melhor amigo, irmão da minha mulher.
....
— Eu volto. — Sussurrei, antes de deixar um beijo na sua boca. — Eu amo você.
Seus olhos ainda estavam fechados, e dormia como um anjo. Um anjo babão, mas ainda é um anjo. Quando chegamos, levaram para fazer um raio-x porque reclamava de muita dor. Benjamim ainda não chegou, e não ligo se me ver aqui, mas eu realmente preciso ir trabalhar. Pretendo vir amanhã, em algum horário livre, vê-la, mas agora eu realmente preciso ir.
Segurei a maçaneta mas, antes que eu a girasse, a porta se abriu. Filipe estava na minha frente. Ele também sabia?
Bom, não demorei muito para descobrir porque, assim que me viu, me segurou pelo colarinho e me puxou para fora do quarto. Marília entrou, indo ver Helena, enquanto eu era arremessado para a parede por Filipe.
— Eu confiei em você, seu miserável! — E então, senti uma dor latejante no meu maxilar. Eu não poderia julga-lo, mas eu amo Helena. Amo com todo meu coração e ele não pode me castigar por isso. — Você sujou a minha filha! — Suas mãos seguiram para o meu pescoço, se fechando. Fui puxado para frente, mas empurrado novamente para trás, batendo a cabeça contra a parede.
E, de repente, estávamos em 1987 novamente. Filipe tinha se apaixonado pela mulher que eu namorava, e agora, eu me apaixonei por uma mulher que coincidiu em ser filha dele. De todas as mulheres do mundo, a minha era filha do meu amigo e isso realmente é loucura, mas é bem melhor que se apaixonar pela namorada do amigo.
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Oi, besties. Tudo bem?
Ai esse corno velho do Filipe fica perturbando o juízo dos outros
Vou matar ele
Nos vemos amanhã,
— Milésima esposa do Capitão Nascimento 💋
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𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
FanfictionAté onde você iria para alcançar seus objetivos? Até onde você iria por uma missão? . A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite. Ao se ver estagnada no começo de...
