- Helena Magalhães
Só percebi que estava prendendo a respiração a todo momento quando expirei aliviada.
O alívio foi por terem ido embora mas o terror ainda não tinha acabado. Esperei um tempo depois que eu ouvi a porta acima fechar, e me afastei do corpo. Eu poderia vomitar aqui mesmo. Oscilei entre olhar para o homem e para os baús, em completa angústia e assombro. Contemplava com os meus olhos a crueldade humana em sua extremidade. É assustador como o ser humano pode ser inescrupuloso.
Todos sabem que merdas acontecem. Todos sabem que pessoas matam pessoas, traficam, estupram. Crimes hediondos não são novidades para a gente, mas ver um exemplo na sua frente é algo chocante, triste, nojento. Esse é o ponto que dinheiro nos leva. O ser humano fazer coisas indescritíveis e cruéis por dinheiro e é isso que eu me refiro quando eu digo que nada pode me comprar e que nada deveria comprar alguém.
Tudo se misturava na minha cabeça. O nojo em estar frente a frente com o corpo, o medo por ter sido visto e por estar aqui embaixo, ansiedade causada pelo misto de sentimentos que estou sentindo agora...
Esse cara poderia ser um babaca, mas merecia esse fim. E se ele tiver família? E se a mãe dele está procurando por ele agora?
Eu não queria assustar as crianças mas sequer conseguir respirar direito. Tentei ao máximo sair pelos corredores, sem ser vista. Coloquei a chave na sala rapidamente, partindo como um raio para fora daquela casa. Aquilo tudo era uma fachada.
Eu não sabia de mais nada, nem quem eu era. Também não me importava com mais nada, alguém me ver nesse estado não era uma preocupação que estava na minha cabeça. Tudo que eu sabia era para onde eu iria e a quais braços recorrer.
....
Aquele caminho que eu havia traçado inúmeras e diversas vezes. Esse caminho que eu percorri com tantos motivos, estava sendo o caminho que trazia a Roberto informações de facção. Será que eu vou me foder nessa? Só quem sabe que eu vi aquilo é Raposa e eu duvido que Roberto o deixe vivo. Não entra na minha cabeça a história que contavam enquanto conversavam no cômodo subterrâneo, mas não havia porquê mentir. Raposa não sabia que eu sou namorada de Roberto. Sequer sabe meu nome completo.
Ultrapassei os portões que tanto conheço, carregando comigo o cheiro nojento do corpo, sendo amparada pelos policiais. Tateavam meu corpo em busca de algum ferimento, mas esse sangue não era meu.
Eu encarava a parede, tentando assimilar o que eu tinha visto. É um choque. Nunca fui exposta a uma situação assim, exceto quando vi Roberto torturar aquele vapor.
E onde ele está? Eu quero vê-lo.
- Roberto Nascimento
- Eles não sabem que temos essa informação. Podemos monitorar e, próxima carga que aparecer, a gente divide a equipe e sobe os dois morros. - André sempre foi o cara da razão, estatísticas, livros... Sempre foi bem inteligente. A ideia que acabou de propor não é de todo ruim mas não temos tempo para esperar. Se eu esperar a próxima carga aparecer, é capaz que seja meu corpo dentro dela.
- Coronel, nós não temos tempo. - Não era nada pessoal com Mathias e nem com sua ideia, mas o Coronel deveria concordar comigo que é uma ideia a se usar quando sua cabeça não está na linha de fogo.
Nenhum dos meus colegas sabiam que eu conheço os dois marginais, e pior, que eram meus amigos. Também não sabem que planejam me matar, mas contei ao Coronel. Carvalho me tratou como um filho desde que eu cheguei. Diferentemente de outros superiores, ele não te acha um fraco por sentir medo, mas ele exige que o certo seja feito, com medo ou sem.
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𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
Fiksi PenggemarAté onde você iria para alcançar seus objetivos? Até onde você iria por uma missão? . A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite. Ao se ver estagnada no começo de...
