Até onde você iria para alcançar seus objetivos?
Até onde você iria por uma missão?
.
A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite.
Ao se ver estagnada no começo de...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
— Helena Magalhães
Encarei as paredes brancas desse horrível quarto de hospital, mas depois meu olhar se direcionou para o teto. Nao consigo imaginar algum motivo plausível para ele não ter me procurado ainda e meus pais não são motivo o suficiente. Eu não fui ao seu encontro porque estou sendo monitorada vinte e quatro horas por dia, mas ele poderia ter arrumado alguma maneira de vir até mim. Nem que fosse por algum dos meninos, ou passar na frente do hospital com a sirene ligada, invadir esse quarto a noite, brigar com meus pais e me levar nos seus braços para longe... Sei lá, qualquer coisa que me provasse que eu não fui só uma aventura com uma garota mais jovem.
— Oi, boneca. — Sem o mínimo de privacidade, meu quarto é invadido pelo corpo alto de meu pai. — Vim ver se quer alguma coisa...
— Privacidade seria uma boa. — Odeio como ele está agindo com naturalidade. Pelo amor de Deus, eu preciso que surtem, que me batam... Preciso de qualquer reação, porra!
— Helena, ainda precisamos conversar sobre...
— Então vamos! Anda, me fala alguma coisa. — Sequer o deixei prosseguir. Quero que brigue comigo e diga que nunca mais vou vê-lo e que expulsou Roberto daqui a vassouradas, porque isso será a minha esperança.
— Eu não costumo falar muito sobre isso, mas antes de me casar com a sua mãe, eu e Roberto disputavamos uma mulher. Ela era nossa vizinha, e Roberto começou a namora-la. Mas eu sempre fui apaixonado. Roberto não enxergava, ou fingia não enxergar, e se casou com ela. Por isso brigamos. — Meu pai suspirou, se sentando na ponta da minha cama. — O problema não é você, filha. Ele não estava realmente interessado em você. O que ele queria era me atingir, como fez no passado. Achei que era meu amigo, e que podíamos conviver novamente, mas percebi que estava enganado. Roberto é um canalha e sempre foi. — Eu não queria acreditar no meu pai. Não queria porque não faz sentido, na verdade. Eu passei a vida inteira sabendo que meu futuro estava programado, com alguém que eu não amava e que me fazia sentir a mulher mais desinteressante do mundo, e agora que encontrei o cara que faz com que eu me sinta amada e me sinta bem comigo mesma, ele é um canalha? Não. Não faz sentido porque Roberto não me usaria para atacar meu pai. Meu pai está chateado e com certeza mentiria pra me afastar de Roberto como naquelas novelas mexicanas totalmente dramáticas. Minha vida inteira é assim. Tudo a nossa volta é tão manipulado, principalmente emocionalmente.
Vou me agarrar a ideia de que o homem que disse que deixaria o mundo queimar por mim, nunca me abandonaria.
— Olhos nunca mentem, não é? — Uma vez, eu e Benjamim estávamos brincando e eu acabei quebrando o vaso da sala. Esse vaso não importava, mas meus pais fizeram de tudo pra descobrir quem havia quebrado. Meu pai nos colocou alinhados na sua frente e se afastou. Disse que eu tinha quebrado. Perguntei a ele como sabia, e ele me disse que os olhos nunca mentem. Seja algo bom ou ruim, os olhos são as janelas da alma.