— Helena Magalhães
Os médicos me disseram para passar a ficar aqui, ficar em observação porque acabei tendo uma luxação no pulso e passei por uma curta cirurgia. Além disso, os exames não deram nada mas me disseram que eu deveria me manter monitorada. O meu acidente, pelo que me disseram, não foi nada tão grave, mas o carro me arremessou longe, e, por sorte, não me aconteceu mais nada.
Me mantive aqui mas é tudo tão insuportável. Ainda mais sem ele. Queria saber se cogitou vir me visitar. Sei que veio comigo, mas não o vi uma única vez desde que cheguei. Nem ouvi barulhos que me indicassem sua chegada, e quando digo barulho, quero dizer os berros da minha mãe. Ainda não conversamos sobre isso, mas já adianto que não vou deixar meu Beto por ninguém.
Lara se sentou na ponta da minha cama, ao meu lado, enquanto Lau e Fred ficaram na poltrona. Minha mãe não sabia que essa roupa que estou vestida é de Roberto, então ainda estou vestida com seu moletom. Agarrei os punhos, trazendo até meu nariz para tentar inspirar seu cheiro. Talvez esteja pensando que o melhor a se fazer é ficar longe para meus pais não brigarem comigo. É, com certeza é isso. Roberto não me abandonaria desse jeito.
— Seu pai deve ter brecado o gostoso. — Sempre achava extraordinário a maneira como Laura me arrancava as maiores risadas mesmo num momento como esse. E, mesmo sendo louca, talvez estivesse certa.
— Eu preciso falar com ele, mas eu nem sei onde meu celular está. Aposto que minha mãe deve ter guardado só pra eu não falar com ele. — Desde que acordei, não vi meu celular em lugar nenhum, e isso me levou a tal pensamento. Minha mãe sempre dava um jeito de controlar as coisas, independente de resistência ou não. Ela sempre precisava estar no controle e eu já estou cansada disso.
— Ai, que velha chata... — Mas ainda era a minha mae. Eu sei que minhas amigas me entendem e se compadessem, mas não consigo ignorar o fato de ser minha mãe. — Com todo respeito. — Lau continuou.
— Ela não acha que você está bem grandinha pra isso não? — Lara arqueou as sobrancelhas, tentando me dá um toque. Talvez minha mãe se recusasse a enxergar que eu cresci.
— Não. — Respondi subitamente, fazendo meus amigos rirem. — Mas, pelo menos, não me encheu os ouvidos com falatório sobre Roberto. Isso já é um avanço.
— Talvez ela esteja esperando você estar fora de perigo pra te colocar em perigo. — Eles estavam tentando me fazer rir, e eu sou eternamente grata por estarem comigo, diferentemente de quem eu achei que realmente era minha amiga, mas não consigo pensar em nada além de Roberto. Meu coração se acelera só de pensar nele.
— Obrigada por estarem aqui. — Acariciei a mão de Lara, oferecendo aos meus amigos um sorriso.
....
Chega a ser exaustivo passar o dia inteiro sem fazer nada. A única coisa que realmente sentia era a dor no ombro, mas insistiam em me deixar presa aqui. Já estava começando a ter minhas crises de paranóia e acreditar que minha mãe estava fazendo isso, de alguma maneira. Na minha cabeça, estou sendo monitorada vinte e quatro horas por dia, por ela.
E, como cabeça vazia é oficina do diabo, pedi para que as meninas trouxessem meu notebook. Não queria negligenciar ainda mais meu livro, e tive algumas inspirações.
Respirei fundo, apoiando o meu aparelho nas pernas. Não sabia o que fazer. As inspirações vieram assim que aquele carro se chocou contra o meu corpo, mas não consigo colocar em palavras

— Roberto Nascimento
— Abaixa a mão! Abaixa a mão! — Inclinei o rosto, falando entredentes com o meliante.
Vagabundo sempre tem estratégia, mas eu já tenho anos na polícia. Quando a gente tá no beco, na favela, as pessoas de fora não conseguem ver a gente chegando, e quando vagabundo passa, que vê a gente, logo levanta os braços. Quem não é familiarizado vai achar que é rendição, mas nós, que sabemos das manhas, que vivemos nisso todos os dias, sabemos que isso é pra avisar aos bandidos que estão de longe que a gente tá aqui.
Ele se aproximou, já erguendo a camisa. Quando o cara chega se aproximando erguendo a camisa, a gente já sabe que é dessa vida. Está tão acostumado a ser revistado que já vem erguendo a camisa. Mas, como eu disse, amigo, eu tenho muito tempo na polícia. Eu não estou aqui de agora. Eu já passei por muita coisa, por muita chuva de chumbo, por muito filho da puta, para ser enganado por um traficantezinho de merda.
O cara veio se aproximando, achando que a gente não estava vendo, e tentou colocar as mãos para trás. Era óbvio que ele tava com a arma ali.
Não tive tempo de fazer mais nada, nem de dialogar com os meus companheiros. Ou era eu ou era ele, e eu não ia me foder por causa de bandido filho de uma puta.
Eu já tava na posição certa. Só ajeitei a mira e sentei o dedo no gatilho. Eu não tava com medo de ter matado inocente porque eu sabia, e confiava no meu taco. E eu estava certo.
Me aproximei do corpo perfurado e ensanguentado. O cara tinha caído na posição que estava. Gay meu pé até a lateral do corpo e o empurrei. Eu já sabia que estava certo. Tudo que eu vi foi uma belíssima pistola .45 ACP. Eu ia me foder Se eu não tivesse raciocinado rápido, hoje meu filho iria receber a notícia que o pai dele morreu.
— Oh, Quinze. — chamei Leonardo que logo se aproximou de mim com rapidez. — Desce com o corpo.
Quando a gente é novo no bope, não somente no bope mas também na polícia, a gente quer fazer parte da ação. A gente quer mostrar serviço. E eu percebi isso Leonardo, mas eu tava pouco me fodendo para ele e ele tem que fazer o que eu mandar.
A noite só estava começando e eu tava adorando estar aqui porque assim eu não pensava nela. De certa forma, meu trabalho se tornou meu refúgio das coisas da minha vida pessoal, as quais eu não quero lidar. Lidar com a ideia de que nunca mais eu vou chegar perto de Helena não é nada fácil. Até porque isso é impossível.
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Oi, besties. Tudo bem?
Ai gente
Vcs já tiveram a sensação de que todo mundo tá evoluindo menos vcs? Acho que a crise dos 20 chegou antes pra mim
Nos vemos amanhã,
— Milésima esposa do Capitão Nascimento 💋
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𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜
FanfictionAté onde você iria para alcançar seus objetivos? Até onde você iria por uma missão? . A resposta varia de pessoa para pessoa, mas, para o Capitão Roberto Nascimento e a escritora Helena Magalhães, o céu é o limite. Ao se ver estagnada no começo de...
