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— Helena Magalhães

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— Helena Magalhães

Sai da casa de meu irmão logo cedo. Deixei café preparado e meu famoso bolo. Não dormi a noite e fiz bolo para eles comerem. Se tem uma coisa que me acalma é cozinhar. Tenho um enorme apreço pelo fogão e geladeira. São minhas companhias nas noites de extrema irritabilidade ou ansiedade. Fazer brownie pra afastar meus pensamentos disfuncionais faz parte da minha rotina.

Agora que estou sem carro, consigo apreciar muito mais as vistas. Decidi não ir ao batalhão mais. Vou pedir ao meu pai que fale com seu amigo para agradecer por mim e depois mando um cartão de agradecimento e uma cesta para todos lá, incluindo o amigo de meu pai. Não quero falar seu nome ou então todos os sentimentos de ontem voltam, e eu estou bem.

Caminhando mais um pouco, avisto algo que nunca mais tinha sequer notado: uma igreja.

Encarei o enorme imóvel de aparência angelical e tipicamente católico. Não sou uma pessoa de pouca fé, longe disso na verdade, mas não tenho nenhuma religião. Minha religião é tudo. É a natureza, são as minhas emoções e o destino. Quem os controla, então, já não é da minha conta. Seja lá quem for responsável por tudo isso, eu te peço para que tire essa coisa de mim.

Determinada, adentro a igreja, observando as poucas pessoas sentadas nos bancos. Beatas conversavam e me olhavam de relance. Sou batizada na igreja católica, mas nunca frequentei muito. Meus pais nunca se importaram com religião, e isso eu posso agradecê-los.

Avisto a porta conhecida do confessionário, me aproximando dela. Vim aqui poucas vezes, e nas raras vezes que vim foi para acompanhar alguém. Não me lembro sequer da última vez que me confessei, mas sei que já. Conheço esse lugar onde estou parada, admirando.

Não tenho nenhum apetrecho católico em mãos, mas me ajoelho, iniciando minha confissão.

— Padre, dai-me vossa bênção porque pequei. — Lembro-me disso.

— Em nome do pai, do filho e do Espírito Santo...

— Amém. — Respondemos em uníssono, em um tom alto o suficiente para que apenas nós dois nos escutemos.

— Há quanto tempo você não se confessa, filha? — Ouço sua voz calma e aveludada do outro lado do confessionário. Estamos distantes o suficiente para que eu me sinta tranquila para falar.

— Sequer me lembro a última vez... — Deixo um breve sorriso nasal envergonhado sair, envergonhada. Eu não sou muito de estar ligada a religiões. As mais conhecidas me dao a sensação de prisão. Estarei condenada ao céu ou inferno, sem meio termo. Não é desesperador? Entretanto, ele, diferentemente de outros padres, está me transpassando calma e tranquilidade o suficiente para eu acreditar que todo mundo realmente peca.

— E quais são seus pecados? — Eu vim aqui repentinamente, sem calcular ou pensar antes, mas preciso ser sincera. Estou aqui em busca de alívio para a aflição da alma e dizem que é exatamente aqui que encontrarei.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora