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- Helena Magalhães

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- Helena Magalhães

Roberto me levou para a casa dos meus pais e buscamos minhas coisas. É, "casa dos meus pais". Já não é mais a minha casa. É estranho morar com o meu namorado e sair de casa nessas circunstâncias. Sempre tive uma ideia extremamente romântica do meu futuro, como eu viveria passeando com o meu namorado por aí e quando decidissemos morar juntos, seria uma coisa clichê, e eu ganharia uma rosa vermelha e iríamos montar nosso apartamento com vista pro mar. É, talvez eu tenha idealizado demais o meu futuro e talvez seja isso que me gere frustrações. Mas não importa. Estar com Roberto é o que me faz feliz, e, mesmo que não seja como eu imaginei, eu estou feliz. É certo que estou triste pela situação, pelo momento, mas estou feliz em estar com ele. Eu já não preciso de mais nada. Na verdade, de um emprego...

Me ajeitei sobre o peito desnudo de Roberto, sentindo subir e descer lentamente, enquanto ele dorme. Não consigo dormir. Toda essa mudança me fez ficar tão estranha. É um sentimento estranho, de desânimo, talvez tristeza. Eu só não queria perder o amor dos meus pais. Não é justo.

Inquieta, levantei da cama, calçando o chinelo de Roberto e seguindo até o criado do quarto. Peguei meu notebook e o levei para o solário comigo. Eu não quero chorar, mas há uma angústia, uma aflição, que insiste em me atormentar.

Escrever no meio da noite é um dos meus hobbies preferidos. O silêncio é mais aconchegante, tudo é muito mais calmo e civilizado. O dia é ótimo, claro, mas escrever no meio da noite é como se a minha mente aflorasse e deixasse as ideias mais coesas e incríveis do mundo.

Abri um novo arquivo no Word, escrevendo algumas ideias para melhorar o rumo da história. Tenho problemas em estruturar uma história porque nunca fica bom o suficiente. Eu sempre preciso fazer reajustes, e quando eu faço esses pequenos reajustes, me surgem ideias novas e muito melhores e aí lá se vai o rumo da história que eu havia planejado inicialmente.

Discorri sobre cada um dos temas e tópicos escritos, e decidi me atentar apenas aos capítulos que eu estou escrevendo agora. A minha vida tem andado tão sem rumo ultimamente, que escrever já não é mais tão fácil quanto antes. Eu sempre usei a escrita para retratar alguma realidade e fugir da minha, mas ultimamente tem se tornado algo tão solitário. Talvez deva ser assim.

• Faca na Caveira •

"Não foi das mais belas poesias que surgiu, por ti, o meu amor. Foi das mais inóspitas e assustadoras histórias. Não foi dos trechos mais doces da Jane Austen, mas foi dos trechos mais sombrios de Abraham Stoker. O meu amor não é algo assustador, difícil de lidar, apesar da minha definição dele ser algo parecido. O meu amor é bem simples, na verdade. É algo melancólico, avassalador e arrebatador. É algo humilde, mas também egoísta.

Vi Cesar apressar os passos com firmeza, segurando o Cabo Ortega pelo colarinho. Um soco fora desferido contra seu rosto, e eu observava admirada. Estava adorando todo esse espetáculo já que Ricardo merecia, e não poderia deixar de dar os créditos ao homem mais viril e delicioso do mundo: César. Meu namorado, amante, companheiro e futuro marido. Tudo vem encaminhando para que a gente se case e concretize tudo como deve ser feito.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora