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- Helena Magalhães

Eu precisava de um tempo de todos. Precisava desmoronar e colocar minha dor pra fora sem ninguém tentar me fazer parar de chorar. Eu quero chorar. Quero tirar de dentro esse nó que me da vontade de vomitar, que me da falta de ar.

Encarei a lua, deixando que meu corpo desabasse no chão. Me arrastei até o canto da parede, deixando as malditas lágrimas caírem.
Lembro-me perfeitamente dessa mesma lua quando nos beijamos pela primeira vez. Lembro-me exatamente de quando trocamos olhares e flertes pela primeira vez e do dia em que assumimos sermos um do outro.

Eu sempre gostei do medo, mas esse nao é legal. Esse medo de perde-lo é a pior coisa que eu ja senti em toda a minha vida.
Sabe aquele momento em que tudo perde a conexão? O mundo desabando ao meu lado e eu nem consegui assimilar nada.

Eu estava perdida no meu mundinho quando eu o conheci. Eu estava flutuando num pedaço de gelo no meio do oceano, me agarrando ao isso porque tinha medo de nadar.
Eu gritava sozinha de dor, onde ninguem nunca me escutava. Eu estava respirando, mas nao estava vivendo.

Por favor, Beto...

Su nao posso ficar meu amor. Nao posso.
Ele me estendeu a mao e lutou por mim. Preciso que lute mais uma vez.

- Por favor, volte pra casa... Pra mim. - Cochichava para mim mesma, como se Roberto pudesse me ouvir. Estamos esperando notícias sobre a operação, mas não terminou ainda. Fazem horas que estão lá dentro e não fazer merda nenhuma. O que caralhos estão fazendo então?

- Filha... - Levantei a cabeça, dando de cara com meus pais. Estão aqui. Estão aqui por mim? Estão aqui...

- Mamãe... - Me lance em seus braços, apertando seu corpo contra o meu. - Mamãe, meu Beto, mamãe... - Eu não me lembrava de todas as nossas brigas, e meus pais também não. Esquecemos de rudo em prol do amor que sentem por mim. Querendo ou não, eles me amam.

- Ele vai ficar bem, Helena. Calma.

- Ele... Ai - Passei as mãos pelo rosto, trazendo meus fios grudados e as lágrimas que encharcam minha pele.

- Ele vai voltar pra você, Helena. - Meu pai não parecia contente em dizer isso, mas ouvi-lo falar essas coisas me conforta. Estão aqui para mim.

Eu não sabia se ele realmente voltaria para mim. Todos me diziam isso, tentando me acalmar e me fazer acreditar que o tiro não foi sério, mas quem poderia me garantir? Isso está me matando. Eu preferia ter morrido. Preferia estar nessa sala agora. Preferia que a bala tivesse acertado ao meu corpo, e não ao dele.

Eu preciso que ele volte. Eu preciso que fique comigo porque eu não sei viver sem ele.

- Senhora Magalhães? - Ouvi uma voz grave chamando pelo meu nome, então me virei rapidamente, acompanhando o olhar dos meus pais.

- Sim? - Sequei as lágrimas, respondendo ao homem que usava roupa cirúrgica.

- Nós fizemos de tudo, mas ele, infelizmente, não resistiu. - Encarei o profissional, enquanto sentia o impacto do que eu ouvi.

Meus dedos cravaram na pele da minha mãe, e todo o meu equilíbrio se esvaiu.
Engoli o nó que se fez na minha garganta, enquanto me sentia sufocar.

Não. Não existe Helena sem Roberto.

- Calma, filha. Calma.

- Mamãe... Não! Não! Não! - Eu não... Não. Meu Beto não. Isso não é verdade. Não. Não é o meu Beto. Não é o mesmo que eu trouxe. Não é o meu Beto não. Não. Não é ele. Não. Na... Meu Beto... - É mentira... Me diz que é mentira, mãe! - Agarrei seu corpo, fincando meus dedos em sua pele.

𝐵𝐸𝑇𝑊𝐸𝐸𝑁 𝑈𝑆| 𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑜 𝑁𝑎𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜Onde histórias criam vida. Descubra agora