A história ficou parada por muito tempo mas eu prometo voltar,só tenho que me organizar mas até julho eu vou voltar a postar capitulos com frequência.
O silêncio da noite era inquietante. Dentro da barraca, Syn estava sentado em seu saco de dormir, os joelhos dobrados contra o peito e a mente rodando com pensamentos que não o deixavam descansar. A fraca iluminação do lado de fora, vindo de lanternas e de uma fogueira quase apagada, lançava sombras trêmulas nas paredes de lona. O cheiro de poeira, umidade e o leve aroma do pão guardado em um canto preenchiam o espaço apertado, mas Syn mal percebia qualquer um deles. O medo fazia seu coração bater mais rápido. Cada estalo ou movimento fora da barraca o fazia prender a respiração.
Ele tentou fechar os olhos, mas as imagens da criatura grotesca na rua não o deixavam em paz. Ele conseguia lembrar cada detalhe - a pele desfigurada, os movimentos instáveis, os sons que pareciam um grunhido rouco. Syn sentiu o suor frio descendo pela nuca. Ele sabia que Todd estava lá fora, que sempre protegeria o grupo, mas a ansiedade que apertava seu peito não podia ser ignorada.
"E se desta vez for diferente? E se... eles entrarem?"
Um som abafado do lado de fora o fez erguer a cabeça. Passos rápidos, alguém caminhando em direção à sua barraca. Ele ficou imóvel, tentando distinguir quem era, até ouvir uma voz baixa e familiar.
"Syn, sou eu," disse Nuer, sua voz abafada pelo tecido da barraca.
Sem esperar resposta, Nuer abriu o zíper e entrou, trazendo consigo o cheiro de poeira e suor. Ele segurava dois pedaços de pão embrulhados em papel velho e amarrotado, e sua expressão parecia cansada, mas aliviada por estar com Syn.
"Trouxe isso pra você. Achei que estivesse com fome."
Syn ergueu os olhos, surpreso e grato pela presença de Nuer, mas algo imediatamente capturou sua atenção. Sob a luz fraca de uma lanterna no canto da barraca, ele viu o lábio de Nuer machucado, uma linha fina de sangue seco marcando a pele cortada.
"Nuer, o que aconteceu?" Syn perguntou rapidamente, ignorando o pão e se aproximando para olhar melhor o ferimento.
Nuer fez uma careta e passou a língua pelo lábio, como se só agora tivesse notado. "Ah, isso? Não é nada. Foi só... um acidente. Nada demais."
Syn estreitou os olhos, não acreditando. Ele conhecia Nuer bem demais para aceitar uma resposta tão vaga. Mas antes que pudesse pressioná-lo, Nuer se sentou ao seu lado, esticando as pernas e soltando um suspiro longo.
"Tá abafado lá embaixo, no estacionamento," começou Nuer, mudando de assunto com facilidade. "E passar pelas outras barracas foi um inferno. Tem gente sem noção fazendo sexo como se o mundo não tivesse acabado lá fora. Quase tropecei em uma pilha de roupas jogadas no chão."
Syn ouviu as palavras, mas sua mente estava presa no machucado. Ele pegou um pequeno pedaço de tecido limpo de sua mochila e se aproximou de Nuer, tocando seu queixo suavemente para inclinar o rosto do namorado.
"Fica quieto," Syn murmurou, com a voz firme, mas suave. "Deixa eu limpar isso."
Nuer arqueou uma sobrancelha, mas não resistiu. Ele gostava desse lado protetor de Syn, embora fosse raro vê-lo. Enquanto Syn limpava o lábio com cuidado, Nuer observava o rosto dele, notando as olheiras profundas e o cansaço estampado em seus olhos.
"Você não tem dormido, né?" Nuer perguntou, a voz cheia de preocupação.
Syn hesitou, suas mãos parando por um momento. Ele voltou a limpar o ferimento, tentando desviar da pergunta. "Não é fácil dormir com... tudo isso."
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survivors
RandomNum mundo devastado por criaturas e experimentos científicos que transformaram humanos em monstros, a luta pela sobrevivência é implacável. Em meio a esse caos, Joshua e seus companheiros enfrentam dilemas morais e emocionais, tentando encontrar um...
