Minho e Han caminhavam juntos pelos túneis escuros, o silêncio apenas quebrado pelos ecos distantes de gritos e rosnados. O ambiente era sufocante, as paredes úmidas exalavam um cheiro acre de mofo misturado com o odor metálico de sangue seco. A luz fraca das lanternas que carregavam mal iluminava o caminho à frente, deixando a escuridão devorar cada canto dos túneis. O ar ali dentro era pesado, denso com o terror que ambos sentiam, e a tensão no ar era palpável.
Minho mantinha-se calado, seus passos rígidos, mas Han sentia a angústia crescente em cada movimento que ele fazia. Minho estava diferente desde que haviam descido aos túneis. Ele estava quieto demais, atento demais. Han sempre admirou a capacidade de Minho de manter o controle, mas agora ele podia ver algo novo: medo.
Enquanto avançavam mais profundamente, os gritos ao longe começaram a soar mais próximos. Os rosnados das criaturas corrompidas reverberavam pelas paredes do túnel como um aviso sombrio. O coração de Han acelerou, e ele sentiu uma mão fria segurar seu braço com firmeza. Era Minho.
"Minho?" Han perguntou, sua voz baixa, hesitante.
Sem dizer uma palavra, Minho o puxou para uma porta ao lado, empurrando-a com rapidez e os dois entraram em um pequeno quarto lateral. A porta rangeu ao fechar, e eles ficaram em silêncio por um instante. Han sentia a respiração ofegante de Minho ao seu lado, e quando virou-se para perguntar o que estava acontecendo, Minho avançou em sua direção e o abraçou.
O toque foi repentino, firme, e Han congelou por um momento. Ele podia sentir o peito de Minho subindo e descendo, sua respiração irregular, e a força com que ele o segurava. Han nunca havia sentido Minho dessa forma antes. Ele sempre foi uma fortaleza, inabalável, mas agora, ele tremia. Lentamente, Han envolveu os braços ao redor de Minho, apertando-o de volta.
"Minho... o que aconteceu?" Han perguntou baixinho, sua voz agora suave e cheia de preocupação. Ele inclinou o rosto para olhar Minho, que mantinha os olhos fechados, a testa pressionada contra o ombro de Han.
Minho demorou um instante para responder. Sua voz saiu rouca, quase um sussurro. "Eu não sei se posso continuar... Eles estão perto, e se... se eu me perder de novo..." Ele pausou, o medo evidente em suas palavras. "Eu não quero te machucar, Han."
Han arregalou os olhos, apertando Minho um pouco mais. O que ele queria dizer com se perder? Seria o medo de voltar a se transformar em um monstro? Han sabia que Minho era diferente, que havia algo dentro dele que ele mal conseguia controlar, mas vê-lo assim, vulnerável, assustado, era algo completamente novo.
"Você não vai me machucar, Minho," Han disse com firmeza, sua voz mais forte agora. "Eu confio em você."
Minho soltou um riso amargo, afastando-se apenas o suficiente para olhar para Han. Seus olhos estavam mais escuros, como se a escuridão dos túneis tivesse encontrado abrigo dentro dele. "Não deveria, Han... Eu quase me perdi da última vez. Eu vi o que sou capaz de fazer quando não consigo controlar... Vi Joshua perder o controle. Vi o que ele fez. Eu poderia ter matado Hyunjin, Felix... e agora você está aqui... comigo. E se acontecer de novo?"
Han balançou a cabeça, seus olhos encontrando os de Minho com uma intensidade inesperada. Ele não ia desistir agora, não ia fugir. "Você não está sozinho dessa vez, Minho. Eu estou aqui com você. E eu não vou deixar isso acontecer. Nós vamos encontrar Felix e Hyunjin. Vamos sair daqui juntos, eu prometo."
Minho respirou fundo, lutando para manter o controle de suas emoções. Ele sabia que Han estava tentando ser forte para ele, mas isso só aumentava o peso da responsabilidade que sentia. Como ele podia protegê-lo quando nem ele mesmo sabia se podia confiar em si próprio? Mas, por mais que quisesse afastar Han, havia algo na presença dele que o fazia se sentir ancorado. Algo humano, algo que ele temia perder.
VOCÊ ESTÁ LENDO
survivors
AlteleNum mundo devastado por criaturas e experimentos científicos que transformaram humanos em monstros, a luta pela sobrevivência é implacável. Em meio a esse caos, Joshua e seus companheiros enfrentam dilemas morais e emocionais, tentando encontrar um...
