chamando os convidados

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Ao chegarem perto da piscina, o cheiro os atingiu com uma força brutal, impregnando o ar com uma mistura nauseante de carne podre e sangue coagulado. Hongjoong sentiu o estômago revirar, enquanto Mingi manteve uma expressão neutra, o rosto rígido e pálido, tentando ignorar o peso opressor daquela cena. Mesmo naquela situação desesperadora, ele sabia que aquele lugar era a escolha mais segura para esconderem-se por um tempo e evitar qualquer predador atraído pelo cheiro dos ferimentos dos amigos.

Mingi se abaixou com cuidado, colocando San e Jongho no chão, buscando uma superfície que não estivesse contaminada pelo sangue velho, embora fosse praticamente impossível. Hongjoong permaneceu em pé, observando os arredores, intrigado com a escolha do local. Ele olhou para Mingi com uma expressão confusa, o olhar denso e carregado de perguntas.

“Mingi... por que aqui?” Hongjoong perguntou, forçando-se a ignorar o cheiro e o cenário grotesco ao redor.

Mingi soltou um suspiro pesado e lançou um olhar rápido para ele. "O cheiro humano de Jongho e Yeonsang está forte demais. Se continuássemos procurando outro lugar, estaríamos atraindo... sabe lá o quê. Aqui, o cheiro dessa... carne... vai disfarçar o deles."

Hongjoong engoliu em seco, tentando não pensar na realidade terrível daquela afirmação. Ele não podia sentir aquele cheiro específico, talvez devido ao fato de estar infectado há mais tempo do que os outros. Ao se abaixar para verificar a ferida aberta de Yeonsang, ele percebeu que a situação do amigo era crítica. O corte estava inflamado, o sangue ainda escorrendo de forma lenta, manchando o chão sujo ao seu redor. Hongjoong se pegou imaginando se, naquele ritmo, Yeonsang não seria o primeiro a sucumbir.

“Yeonsang...” sussurrou Hongjoong, a voz fraca, mais para si mesmo do que para os outros.

No silêncio pesado que seguiu, ele finalmente percebeu que Mingi estava quieto demais. Geralmente, Mingi sempre falava alguma coisa para aliviar a tensão, alguma piada irônica ou comentário despreocupado. Mas agora, ele permanecia em um silêncio sombrio, os olhos fixos em um ponto distante, como se estivesse sendo esmagado por algo invisível.

“Mingi... o que foi?” Hongjoong murmurou, observando o amigo com atenção. Ele conhecia Mingi o suficiente para saber que algo estava muito errado.

Mingi hesitou por um longo momento, o rosto mostrando um conflito interno que Hongjoong nunca tinha visto antes. “Hongjoong,” ele começou, sua voz baixa e hesitante. “Eu... tenho pensado em como você... você acabou infectado. Estive me perguntando se... talvez... foi culpa minha.”

Hongjoong franziu a testa, o olhar confuso e surpreso. Ele se virou completamente para Mingi, tentando captar o que ele estava tentando dizer. “Do que você está falando, Mingi?”

Mingi respirou fundo, seus ombros caindo levemente sob o peso das palavras que ainda não haviam sido ditas. Ele desviou o olhar, fixando-o na escuridão ao redor. “Eu me infectei antes de você. E nós... bem, você sabe. Tivemos... encontros, enquanto ainda não sabíamos direito o que estava acontecendo.”

Hongjoong piscou, as palavras de Mingi penetrando lentamente, o peso da suspeita se espalhando em sua mente. Ele sentiu uma pontada estranha, algo entre tristeza e indignação, mas misturado com uma compreensão sombria. Eram apenas amigos com benefícios, nada mais. Eles sabiam disso desde o começo. Mas agora, havia um fardo adicional, algo que ambos nunca haviam previsto.

“Mingi...” Hongjoong suspirou, sentindo uma onda de emoções conflitantes. Ele tentou manter a calma, mesmo sentindo uma amargura crescendo em seu peito. “Você acha mesmo que isso importa agora?”

Mingi o encarou, surpreso com a reação dele, mas Hongjoong continuou. “Olha para onde estamos. Estamos lutando para sobreviver, e cada segundo é uma batalha. Seja lá como aconteceu, não faz diferença agora. Estamos juntos nisso, e é o que importa.”

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