Joshua saiu do estabelecimento e sentiu a brisa noturna bater em seu rosto, uma corrente de ar fria que o fazia sentir a realidade à sua volta. O céu estava coberto de nuvens, e a lua apenas espreitava timidamente por entre elas, lançando uma luz pálida que mal iluminava as ruas. O cheiro de fumaça e asfalto molhado enchia o ar, lembrando-o das recentes chuvas que haviam passado pela cidade. Ele caminhava em silêncio, suas mãos nos bolsos do moletom preto, sem pressa, sem um destino definido.
Enquanto caminhava, seu telefone vibrou no bolso, trazendo-o de volta à realidade. Ele tirou o aparelho e leu a mensagem de Jeonghan: "Achei uma casa pra gente. Você, eu, Seongcheol e Mingyu. É espaçosa e segura. Vamos nos encontrar lá amanhã à noite?"
Joshua olhou para a mensagem por um momento, ponderando se deveria responder imediatamente ou esperar. Seus dedos pairavam sobre a tela, pronto para digitar uma resposta simples e direta, mas algo o fez hesitar. Antes que pudesse decidir, sentiu um impacto súbito. Alguém havia esbarrado nele com força, quase derrubando-o.
O choque fez com que ele levantasse o olhar. Um garoto, claramente mais jovem que Joshua, estava ofegante e visivelmente agitado. Seus olhos estavam arregalados de medo, e ele segurava uma bolsa com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos. O garoto olhou diretamente para Joshua, os olhos implorando por ajuda.
"Por favor", o garoto sussurrou, a voz carregada de pânico. "Por favor, não diga a ninguém que me viu. Eles... eles estão atrás de mim."
Antes que Joshua pudesse reagir, o garoto se apressou e se escondeu atrás de um carro estacionado, sua respiração rápida e irregular claramente audível no silêncio da rua. Joshua ficou parado onde estava, olhando para o lugar onde o garoto havia desaparecido, seu rosto permanecendo impassível.
Os sons de passos rápidos ecoaram pela rua logo em seguida, acompanhados por vozes firmes e autoritárias. Dois policiais apareceram no campo de visão de Joshua, suas lanternas cortando a escuridão enquanto procuravam algo — ou alguém. Quando avistaram Joshua, um dos policiais, um homem alto com uma expressão séria, dirigiu-se a ele rapidamente.
"Você viu um garoto passar por aqui?", perguntou o policial, seu tom impaciente. "Ele está segurando uma bolsa. Precisamos encontrá-lo."
Joshua permaneceu em silêncio por um instante, o rosto inexpressivo, os olhos fixos no policial. Ele sabia que o garoto estava se escondendo a poucos metros de distância, sua presença quase palpável no ar pesado. O som de sua respiração ofegante ainda ecoava na mente de Joshua.
Sem dizer uma palavra, Joshua levantou o braço e apontou calmamente para o carro onde o garoto estava escondido. Não havia hesitação em seu gesto, nem qualquer indício de emoção em seu rosto. Ele não se importava com o que aconteceria a seguir, apenas executava o que parecia ser a ação mais simples e direta.
Os policiais seguiram a direção indicada por Joshua, as lanternas de suas armas iluminando o caminho enquanto se aproximavam do carro. Em questão de segundos, um dos policiais avistou o garoto agachado atrás do veículo. "Aí está ele!", gritou o policial, já se movendo para capturá-lo.
O garoto soltou um grito desesperado quando percebeu que havia sido descoberto. Ele tentou correr, mas foi rapidamente agarrado pelos dois policiais, que o imobilizaram no chão com força. A bolsa que ele segurava caiu ao lado, derramando seu conteúdo — dinheiro, muito dinheiro, espalhado pela calçada como folhas caídas. O garoto chorava e se debatia, sua voz engasgada em soluços de desespero enquanto implorava por misericórdia.
"Por favor, por favor, eu não queria fazer isso!", ele gritava, sua voz quebrando em desespero. "Eu só queria ajudar minha família... eu não tive escolha!"
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survivors
DiversosNum mundo devastado por criaturas e experimentos científicos que transformaram humanos em monstros, a luta pela sobrevivência é implacável. Em meio a esse caos, Joshua e seus companheiros enfrentam dilemas morais e emocionais, tentando encontrar um...
