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Me analisei no espelho pela milésima vez, bufando ao notar que já era a quarta troca de roupa, e novamente, eu não tinha gostado.
Não era nada diferente do que eu vestia. Meu cabelo estava com os dreads que namorei por meses. A maquiagem não tinha nada de novo.
E mesmo assim, eu estava me sentindo o coco do cavalo do bandido.
— Benzinho, tá pronta? Estamos levemente atrasados. Mas não é te apressando... — Ouvi a voz do Jude do lado de fora, segurando o riso pela ultima frase.
— Já estou saindo, amor. — Minha voz falhou e ele, obviamente, percebeu, abrindo a porta devagar, enquanto eu disfarçava, sobrando as roupas que tinha deixado na cama. — Estava só arrumando aqui. — Dei um sorrisinho.
— Ei... - Se aproximou, segurando meu queixo delicadamente e me analisando. — O que houve? — Puxei o ar, pronta pra tentar omitir, mas sabia que com ele, seria em vão.
— Acho que não tô me sentindo muito bem, mas já já passa.
— O que você tá sentindo?
— Feiura aguda. Tô me sentindo horrorosa, amor. — E foi aí que, em segundos, me transformei no Wilton Pereira Sampaio, de tão indignado que ele me olhou.
— Eu não tô ouvindo isso.
— E vendo também. — Ele balançou a cabeça negativamente de maneira rápida.
— Não. Não mesmo. — Me virou pro espelho. — O que eu estou vendo, é a mulher mais linda do mundo. Literalmente sem nenhum defeito. Linda dos olhos puxados, à boca gostosa, que acompanha um sorriso lindo e eu nem vou falar daqui pra baixo, porque vou ter que ser baixo também. — Tocou a lateral do meu corpo. — Cecília, você é e está a coisa mais linda. Eu literalmente esqueci como formulava uma frase quando te vi a primeira vez. E sigo te admirando quando está distraída ou quando acordo antes que você. E o espelho vai se entender muito comigo se não estiver te mostrando isso. — Não aguentei e ri, enquanto ele dava um sorrisinho.
— Não seria você se não fizesse uma gracinha, né?
— Não, não seria. É meu outro papel como amor da sua vida. Se você não estiver se sentindo bem, podemos ficar, sem problemas, tá? — Beijou meu ombro. — Só quero que a gente se divirta nesses dias, e se hoje, o melhor pra você for se divertir aqui, pra mim, tá ótimo. — Virei pra ele.
— Não, benzinho... Você tá muito lindo pra ficar em casa.
— Pois fico feio rapidinho. — Começou a tirar o sobretudo, enquanto eu ria.
— Aí vai ficar mais bonito ainda. — Foi a vez dele de rir. — Vamos. Também quero que a gente se divirta, merecemos. O desanimo vai passar.
— Certeza? — Semicerrou os olhos.
— Absoluta. — Entrelacamos os dedos, dando um beijinho na mão um do outro.
Ele me ajudou a arrumar o quarto e nós descemos, ouvindo a bagunça antes mesmo de entrar na cozinha.