VINTE E DOIS.

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- Oi, minha princesa

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- Oi, minha princesa. - Desceu as escadas, sorridente.

- Eu vou ter um ataque cardíaco no meio da rua da próxima vez que postar uma foto preto e branco por conta de uma lesão. - Mostrei a foto pra ele, que gargalhou.

- Era pra expressar minha tristeza.

- Quase morri no meio do estúdio.

- Romeu e Julietta. - O olhei com tédio, enquanto ele ria. - Seu benzinho está bem... Não tão bem  na real. - Olhou pra perna. - Mas vivo. - Me abraçou, me enchendo de selinhos. - Já achei que era por conta da foto que o Cama tirou.

- E ainda teve esse seu biscoito. Mas uma bunda desse tamanho, eu também postaria sempre. - Ele gargalhou. - O que rolou afinal?

- Lesão em um músculo minúsculo da panturrilha que dói como se fosse enorme. - Sentamos no sofá.

- E quanto tempo fora?

- Por enquanto, um mês sendo seu maridão. Já fiz nossa janta e tudo.

- Bom demais ter maridão, porque tô morta de fome. - Segurei seu rosto, enquanto ele fazia um biquinho e eu selava nossos lábios. - Mas trouxe uns doces pra gente comer de sobremesa.

- Bom demais ter esposa. Quais? - Abriu a sacola. - Mulher, comprou esses doces onde? Ah, não brasileiros. E comprou onde? Sempre procurei loja assim pra te levar, mas nunca achei.

- Primeiramente, a intenção foi fofa, eu ia amar.

- Eu sou uma graça. - Piscou, me fazendo rir.

- Mas abriu essa semana na avenida do estúdio. Já enchi a sacola, vai comer todos, lamento. - Gargalhou.

- Pra doce, como com prazer.

- Por isso que me chama de chocolatinho as vezes, né? - Ele gargalhou alto.

- As vezes fico me perguntando seriamente do porquê não te pedi em casamento ainda.

- É o que me pergunto sempre. - Roubei um selinho dele, segurando sua mão e o levando pra cozinha.

Comemos conversando, tomamos um banho juntinhos e enquanto ele terminava de se vestir, fui montando todo um climinha no quarto.

Pra gente se amar? Não. Pra experimentarmos doces.

- Seguinte, essa sacolinha aqui vai separar os homens dos meninos.

- O medo de ser um menino. - Gargalhei.

- Confio no meu homem. - Espalhei os doces pela cama. - Pode escolher o primeiro. - Ele analisou, segurando o riso e pegando um saquinho de Maria Mole.

- Posso fazer as honras também?

- Deve. - Abriu, dando uma mordida sem medo.

- Hmmm... Gostoso. Mas esquisito. Mas gostoso? - Mordeu mais um pedaço. - Definitivamente gostoso. - Fizemos um toque, enquanto ele me passava. - Como chama?

- Maria Mole.

- Não sei quem é a Maria, mas faz todo sentido. - Ri, comendo, enquanto ele pegava a pacoca. - Paçocita... Paçoquita.- Leu, concentrado.

Perdia tudo com ele falando em português.

- Amendoim? Já tem meu coração. - Deu outro mordidão, mas cada vez que mastigava, mais careta fazia.

- Mentira que não gostou?

- Vou morrer. - Tomou água e eu gargalhei

- Para! É o melhor doce do mundo.

- Imagina o pior. - Me passou. - É salgado! Que doce engana assim?

- Agridoce!

- Tem gosto de areia!

- Teremos que resolver a guarda deles, não vai ter jeito.

- Se eles descobrirem que você gosta de comer um "doce" com gosto da caixa de areia deles, nem precisa dizer com quem vão querer ficar.- Gargalhei, comendo a metade dele. - Estou até com medo do próximo. - Fechou os olhos, pegando uma caixa de Bis.

- Esse você vai gostar, confia. - Ele me olhou desconfiado, abrindo.

- Está tudo muito confuso no meu paladar ainda. - Gargalhei.

- Confia, cara.

- Que pequenininho. - Abriu, mordendo e fechando os olhos.

- Bola de Ouro. Esse aqui... Meu Deus, esse aqui. - Pegou mais um.

- E eu já te indiquei coisa ruim? Me fala. - Peguei dois também, comendo.

- Você literalmente acabou de indicar, mas já até esqueci. - Gargalhei.

Fomos experimentando todos, até porque não tinha comprado tanto, mas deixei o melhor por último.

- Esse aqui, vai ditar nosso futuro casamento, tanto quanto o brigadeiro ditou, na época, nosso futuro namoro. - Peguei duas tortuguitas.

- Amei então. - Gargalhei.

- Já é o primeiro passo, mas o ponto principal,  é que tem um ritual pra come-lo, vamos ter que fazer juntos pra não quebrar a magia. - Passei a tortuguita dele.

- Abrimos juntos?

- Isso. - Abrimos e ele observou o doce, me dando a mão, se preparando, segurando o riso, enquanto eu não aguentava, rindo. Muito bobo.

- Pronta?

- Pronta. Vai. - Os dois comeram pela cabecinha da tartaruga e eu o abracei, selando nossos lábios, enquanto ele gargalhava. - Você é oficialmente o amor da minha vida.

- Por comer a cabecinha da tartaruga? Foi masi fácil do que imaginei. - Respirou aliviado, me fazendo rir. - Isso é um ritual de vocês?

- Sim, tipo coxinha, lembra?

- Não, eu comi?

- Após algumas caipirinhas, comeu.

- Explicado porque não lembro... Mas qual é o ritual?

- Tem quem coma coxinha pela ponta, tem quem come por baixo. Eu como pela ponta pois tenho caráter, aquele dia tu tambem comeu. E aí com tortuguita, é pela cabeça, pelos pés ou quem morde tudo, que aí até o diabo tem medo. - Ele gargalhou.

- Vocês são doidos??? Bom demais ser brasileiro.

- Casando com brasileira só pra pegar o Green card, né?

- Shiiu. - Falou pertinho da minha boca. - Minha namorada não pode descobrir. - Roçou nossos lábios e eu ri.

- Cachorro. - Falei tão baixinho quanto, dando um beijo docinho nele.

E de fato, ele era o amor da minha vida.

E de fato, ele era o amor da minha vida

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