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- Oi, minha princesa. - Desceu as escadas, sorridente.
- Eu vou ter um ataque cardíaco no meio da rua da próxima vez que postar uma foto preto e branco por conta de uma lesão. - Mostrei a foto pra ele, que gargalhou.
- Era pra expressar minha tristeza.
- Quase morri no meio do estúdio.
- Romeu e Julietta. - O olhei com tédio, enquanto ele ria. - Seu benzinho está bem... Não tão bem na real. - Olhou pra perna. - Mas vivo. - Me abraçou, me enchendo de selinhos. - Já achei que era por conta da foto que o Cama tirou.
- E ainda teve esse seu biscoito. Mas uma bunda desse tamanho, eu também postaria sempre. - Ele gargalhou. - O que rolou afinal?
- Lesão em um músculo minúsculo da panturrilha que dói como se fosse enorme. - Sentamos no sofá.
- E quanto tempo fora?
- Por enquanto, um mês sendo seu maridão. Já fiz nossa janta e tudo.
- Bom demais ter maridão, porque tô morta de fome. - Segurei seu rosto, enquanto ele fazia um biquinho e eu selava nossos lábios. - Mas trouxe uns doces pra gente comer de sobremesa.
- Bom demais ter esposa. Quais? - Abriu a sacola. - Mulher, comprou esses doces onde? Ah, não brasileiros. E comprou onde? Sempre procurei loja assim pra te levar, mas nunca achei.
- Primeiramente, a intenção foi fofa, eu ia amar.
- Eu sou uma graça. - Piscou, me fazendo rir.
- Mas abriu essa semana na avenida do estúdio. Já enchi a sacola, vai comer todos, lamento. - Gargalhou.
- Pra doce, como com prazer.
- Por isso que me chama de chocolatinho as vezes, né? - Ele gargalhou alto.
- As vezes fico me perguntando seriamente do porquê não te pedi em casamento ainda.
- É o que me pergunto sempre. - Roubei um selinho dele, segurando sua mão e o levando pra cozinha.
Comemos conversando, tomamos um banho juntinhos e enquanto ele terminava de se vestir, fui montando todo um climinha no quarto.
Pra gente se amar? Não. Pra experimentarmos doces.
- Seguinte, essa sacolinha aqui vai separar os homens dos meninos.
- O medo de ser um menino. - Gargalhei.
- Confio no meu homem. - Espalhei os doces pela cama. - Pode escolher o primeiro. - Ele analisou, segurando o riso e pegando um saquinho de Maria Mole.
- Posso fazer as honras também?
- Deve. - Abriu, dando uma mordida sem medo.
- Hmmm... Gostoso. Mas esquisito. Mas gostoso? - Mordeu mais um pedaço. - Definitivamente gostoso. - Fizemos um toque, enquanto ele me passava. - Como chama?
- Maria Mole.
- Não sei quem é a Maria, mas faz todo sentido. - Ri, comendo, enquanto ele pegava a pacoca. - Paçocita... Paçoquita.- Leu, concentrado.
Perdia tudo com ele falando em português.
- Amendoim? Já tem meu coração. - Deu outro mordidão, mas cada vez que mastigava, mais careta fazia.
- Mentira que não gostou?
- Vou morrer. - Tomou água e eu gargalhei
- Para! É o melhor doce do mundo.
- Imagina o pior. - Me passou. - É salgado! Que doce engana assim?
- Agridoce!
- Tem gosto de areia!
- Teremos que resolver a guarda deles, não vai ter jeito.
- Se eles descobrirem que você gosta de comer um "doce" com gosto da caixa de areia deles, nem precisa dizer com quem vão querer ficar.- Gargalhei, comendo a metade dele. - Estou até com medo do próximo. - Fechou os olhos, pegando uma caixa de Bis.
- Esse você vai gostar, confia. - Ele me olhou desconfiado, abrindo.
- Está tudo muito confuso no meu paladar ainda. - Gargalhei.
- Confia, cara.
- Que pequenininho. - Abriu, mordendo e fechando os olhos.
- Bola de Ouro. Esse aqui... Meu Deus, esse aqui. - Pegou mais um.
- E eu já te indiquei coisa ruim? Me fala. - Peguei dois também, comendo.
- Você literalmente acabou de indicar, mas já até esqueci. - Gargalhei.
Fomos experimentando todos, até porque não tinha comprado tanto, mas deixei o melhor por último.
- Esse aqui, vai ditar nosso futuro casamento, tanto quanto o brigadeiro ditou, na época, nosso futuro namoro. - Peguei duas tortuguitas.
- Amei então. - Gargalhei.
- Já é o primeiro passo, mas o ponto principal, é que tem um ritual pra come-lo, vamos ter que fazer juntos pra não quebrar a magia. - Passei a tortuguita dele.
- Abrimos juntos?
- Isso. - Abrimos e ele observou o doce, me dando a mão, se preparando, segurando o riso, enquanto eu não aguentava, rindo. Muito bobo.
- Pronta?
- Pronta. Vai. - Os dois comeram pela cabecinha da tartaruga e eu o abracei, selando nossos lábios, enquanto ele gargalhava. - Você é oficialmente o amor da minha vida.
- Por comer a cabecinha da tartaruga? Foi masi fácil do que imaginei. - Respirou aliviado, me fazendo rir. - Isso é um ritual de vocês?
- Sim, tipo coxinha, lembra?
- Não, eu comi?
- Após algumas caipirinhas, comeu.
- Explicado porque não lembro... Mas qual é o ritual?
- Tem quem coma coxinha pela ponta, tem quem come por baixo. Eu como pela ponta pois tenho caráter, aquele dia tu tambem comeu. E aí com tortuguita, é pela cabeça, pelos pés ou quem morde tudo, que aí até o diabo tem medo. - Ele gargalhou.
- Vocês são doidos??? Bom demais ser brasileiro.
- Casando com brasileira só pra pegar o Green card, né?
- Shiiu. - Falou pertinho da minha boca. - Minha namorada não pode descobrir. - Roçou nossos lábios e eu ri.