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Os dias nunca passaram tão rápido.
Parecia que era ontem que eu estava na banheiro sentindo a maior dor do mundo e horas depois, segurando o meu mundo.
E hoje, estava fazendo mais un bolinho de aniversário dela.
Eu quero à Cecilia que disse que tinha aversão a ter filho na cadeia, porque é a coisa mais gostosa do mundo. Mas a Cecilia que disse que só queria se fosse com o Jude, meio que divou. Tudo é bem mais mágico do lado dele.
O que eu mais via eram relatos do quanto casamento e filhos mudavam uma relação. Nós, não contentes, fizemos os dois ao mesmo tempo, mas nada tinha mudado.
Na real, tinha, mas pra melhor. Belliguinha deu outro olhar pra nossa vida, individualmente e como casal. Nossa parceria, que já era enorme, triplicou e, por Deus, era muito gostoso criar uma pessoinha que era o resultado da sua soma com a pessoa que você ama.
Kali era nossa mistura, fisicamente e de personalidade. Uma bolinha com tom de doce de leite, olhos puxados, nariz redondinho e sorriso largo. Além de linda, era inteligente, dorminhoca e extremamente simpática. A menina falava com absolutamente todo mundo, no linguajar dela, e eu ficava chocada com cada traço de evolução que ela mostrava a cada dia.
— Pra que esse tanto de vela sendo que nossa filha ta fazendo dois anos? — Jude perguntou curioso.
— Porque esse é o seu, o dela ainda tá assando. — Ele me olhou, chocado, enquanto eu ria.
— Deve ter quarenta velas aí, Cecilia.
— Trinta e um, sua idade. — Coloquei a última e ele gargalhou, esguichando a água da torneirinha em mim. — Tô te fazendo o melhor dos cafés da manhã e é assim que sou tratada. É o fim dos tempos. — Ele segurou o riso, passando atrás de mim e pegando um morango.
— E olha que o chá da manhã também foi ótimo. — Falou baixinho, dando um tapinha na minha bunda e pegando um morango, enquanto eu o olhava, chocada.
— Menino... — Não aguentei e ri, enquanto ele tirava o mini bolo do forno, colocando perto de mim e começando a fazer as panquecas. — Baixo. — Devolvi o tapa, enquanto ele gargalhava, me jogando a folhinha do morango.
Abri a geladeira, pegando o mousse de chocolate sem açúcar pra diva, jogando por cima do bolo, e por estar gelado, ficou bem consistente.
— Eu amo te perturbar, mas os dois parecem deliciosos. — Beijou meu ombro, enquanto eu colocava três morangos no cantinho do bolo pra decorar.
— Vocês merecem. — Virei, enquanto ele segurava minha cintura, me enchendo de selinhos.
— Sortudos demais por ter você. — Acariciou meu rosto e eu o beijei, com calma, o abraçando.
Ele terminou de fazer as panquecas, enquanto eu colocava o suco na garrafinha, colocando na bandeija.
— Pode fazer as honras. O dia é de vocês. — Soltei pro Jude assim que terminamos a bandeija, com o bolo, frutas cortadas em um potinho, suco e pedacinhos de panqueca, que agora ela já comia.