NOVENTA.

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 Ela não fez

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Ela não fez. Minha deusinha não faria a gente passar por isso sozinhas, mas, deu um leve alerta em formato de primeira contração de treinamento.

Ainda não tinha sentido, mas, depois daquela, se tornou frequente, e Jude se martirizou por não estar comigo como se tivesse perdido o parto.

Rosa nos tranquilizou, disse que após a primeira, ainda demorava um pouquinho pro dia chegar, mas era importante ficar monitorando porque, quando começassem a ficar frequentes e menos espaçadas, era sinal de que a gatinha estava vindo ao mundo a qualquer momento.

E bom, só nessa noite, eu tive umas quatro. João Victor era um fofo, sempre ficava do meu lado quando rolava e, pra comemoração dele, não teria jogos longes nas próximas semanas.

Por falar no bonito, hoje era aniversário dele e eu madruguei pra fazer o café da manhã do bonito inglês do começo ao fim, mas confesso que o chouriço eu comprei pronto, tudo tem limite.

— Tá, tirando isso, o restante é basicamente ovos, bacon, salsichas, pão tostado... Meu Deus, é muita coisa. — Ri sozinha, olhando a lista. — Tá, vai dar certo, você já fez feijoada, querida, um café da manhã não vai te derrubar. — Soltei, pegando as coisas.

Com uma mistura de concentração e risadas internas sobre o quão desajeitada eu parecia (sério, a barriga estava na minha frente como se fosse um muro), comecei a preparar tudo. A frigideira estava quente, os ovos começavam a borbulhar, e as panquecas estavam tomando forma.

Eu estava tão concentrada que mal percebi o som suave dos pés dele se aproximando.

— Cheirinho bom, ein?

— Ai, misericórdia. — Botei a mão no peito, virando e vendo ele no batente da porta da cozinha, só de samba canção, com os braços cruzados e com aquele sorriso gostoso que ele tem. — Ou Deus abençoe... — O medi, vendo ele gargalhar e se aproximar, me dando um selinho gostoso.

— Quer que eu suba e desça quando você deixar fingindo surpresa?

— Quero que finja surpresa, mas pode ficar aí enquanto eu termino, porque a visão tá ótima. — Segurei sua mão, tentando fazer ele dar uma voltinha, enquanto o bonito gargalhava de novo.

— Vou ficar aqui quietinho, me fingindo de fantasma. — Sentou na banqueta.

— Isso, meu príncipe. — Soltei, começando a montar a mesa, segurando o riso, ao perceber que seus olhos estavam fixos em mim.

— Você tá a coisa mais linda... — Falou um pouco mais baixo, enquanto eu pegava o bolo, colocando no meio da mesa, e o ignorando, ouvindo sua risada. — Tinha esquecido que humano não ouve fantasma, foi mal. — Segui segurando o riso, pegando as velas e colocando no bolo. — Nem ferrando! — Soltou assim que viu o número 30 se formando, enquanto eu gargalhava.

SPECIAL II • JUDE BELLINGHAM Histórias para pegar e não largar. Descubra agora