OITENTA E TRÊS.

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Conhecendo eu e Jude, não precisava de muito pra saber que essa viagem seria tudo, menos normal

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Conhecendo eu e Jude, não precisava de muito pra saber que essa viagem seria tudo, menos normal. E logo cedo já tive a prova, com Jude entrando no quarto animado, com diversos papéis na mão. Decidiu que o plano do dia seria um passeio de barco com direito a mergulho.

Sendo que ele enjoa em barco e nunca mergulhou.

E eu não sou digna de defesa, tá? Porque não só topei, como ainda falei que ele arrasou, lembrando desses dois detalhes só agora, a caminho da confusão, enquanto cantamos Bob Marley em alto e bom som, vendo a paisagem.

Chegamos ao ponto de mergulho, estacionando no píer, e assim que entramos nele, o instrutor nos recebeu, caminhando com a gente até o barco, jogando conversa fora. Ele chamava Koa e parecia o The Rock versão mais nova, na faixa de uns vinte anos, alto, forte, careca e com diversas tatuagens tribais pelo corpo.

— Vocês têm sotaques diferentes. Ele eu sei que é inglês. Acredito que você que não seja, né? — Olhou pra mim.

— Isso, sou

— Brasileira? — Adivinhou, e eu ri.

— De primeira.

— Imaginei. Tanto tempo trabalhando nisso, aprendi a identificar.

— Tanto tempo? Você tem quantos anos? — Jude o olhou, indignado.

— Fiz quarenta semana passada. — Sorriu, nos ajudando a entrar no barco.

— Ah... Parabéns! — Já tinha lido a carinha dele desde que o encontramos, e foi o motivo de eu segurar o riso, doida pra gargalhar.

— Muito obrigado! Vocês estão em lua de mel, certo?

— Isso! — Soltamos juntos.

— Parabéns pelo casamento também. Que Kane abençoe a união de vocês.

— Amém. — Respondi distraída, em português. — Quer dizer, muito obrigada! Que assim seja.

Jude me olhou, querendo rir, mas disfarçando, pegando a boia e me ajudando a colocar. Um mais atrapalhado que o outro.

Ele nos passou todas as instruções, que não eram tão complexas, já que seria um mergulho livre, na superfície, apenas com o uso de máscaras, já que eu não podia fazer o mergulho tradicional com cilindro.

E eu, por minha vez, tinha ficado curiosa e fui tagarelando com ele no caminho sobre as religiões daqui. O querido era uma simpatia. Explicou que tinham as tradicionais, como cristianismo, muitas pessoas hinduístas e budistas. Porém, também tinha uma parte adepta de religiões tradicionais havaianas, mais voltadas para uma filosofia de vida que ensina a viver com respeito pela terra, meio ambiente, preservar tradições e reconhecer a interconexão com a natureza. Era a que ele fazia parte.

— Você tomou aquele remédio de enjoo que te dei aquele dia antes da gente sair, né? — Perguntei pro Jude, ao observar que ele estava em silêncio, apenas apreciando a vista e com a maior carinha de chapado já vista. Tinha até um sorrisinho de canto no rosto.

SPECIAL II • JUDE BELLINGHAM Histórias para pegar e não largar. Descubra agora