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Se tinha uma coisa que não estávamos fazendo nesses dias, era sossegar.
Sempre caçávamos coisa pra fazer durante o dia, e à noite, ao invés de descansar, caçávamos mais.
Hoje, a conta do cansaço bateu, e pegamos uma parada mais leve, vindo a um Centro de Cultura Polinésia. O que não quis dizer que não íamos caçar uma palhaçada, pois já tínhamos feito canoagem, yoga, artesanato um para o outro (que ficaram terríveis de feios, já que mais cuidávamos da arte um do outro do que prestávamos atenção nas instruções) e agora estávamos indo para a aula de hula-hula, atividade escolhida pela pessoa mais dura que conheço.
— Você tem certeza que quer ir fazer dança com essa sua cinturinha de cimento, né? É sua última chance de repensar. — Soltei, enquanto caminhávamos pelo parque em direção a onde rolavam as aulas.
— Tá com vergonha de mim, querida?
— Prezando pela moral que te resta ainda, minha paixão. Sabe que penso em você sempre. — Ele me olhou com cara de tédio, segurando o riso.
— Pois vai se surpreender. Só não se apaixona, tá? Sou casado e pai. — Piscou.
— E tá andando com a amante assim? — Levantei nossas mãos entrelaçadas, e ele soltou.
— Não percebi que tinha segurado. — Não aguentei e ri, enquanto ele me puxava de volta, passando o braço em volta do meu pescoço e beijando minha bochecha.
Um desastre.
Isso que foi a aula. Ou o que foi a dancinha do meu pretinho. Não tem jeito, o homem é duro durin. Até a professora já tinha desistido. Ela foi ensinando passo a passo, pra depois finalizar com a coreografia toda, que era basicamente fazer com que seu corpo imitasse o movimento do mar, principalmente quadril e braços.
Começamos a dançar no ritmo da música, imitando os passos que a professora fazia em cima do palco. Eu evitava olhá-lo pra não rir. Virei de costas no movimento da coreografia e, quando virei de volta, vi ele com as mãos na cintura, olhando pro meu bumbum, enquanto eu gargalhava.
— Garoto!
— Tava vendo se você tava fazendo certo, paixão. Sou seu professor, né? Tenho que te auxiliar. — Piscou, enquanto eu segurava o riso.
Ele virou de costas e seguiu a coreografia, em que tínhamos que abrir o braço e balançar o quadril de maneira calma. Bom, deveria ser, porque o garoto chacoalhou como se fosse dança do ventre, e eu não aguentei, explodindo de rir e recebendo os olhares das demais pessoas que estavam na aula. Ele virou pra seguir a coreografia, trombando comigo e rindo tão alto quanto eu.
— Chega! Deu, deu, deu. — Segurou minha mão, fazendo joinha pro pessoal que ensinava, enquanto eu nem consegui reagir, ainda rindo. — Em casa eu te ensino, melhor.
— Você é um sonso. — Ri. — Duro e sonso.
— Ofende. Ofende o pai da sua filha.
— Espero que ela puxe a minha malemolência. Vini vai ficar arrasado se não puder ensinar passinho pra ela. Ou se ela aprender que nem uns e outros... — O olhei, e ele gargalhou.