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A única parte relativamente boa de ter se lesionado, é que conseguia fazer todos os meus compromissos fora de campo sem morrer de cansaço, além de que, assistir os jogos como torcedor também tinha seu brilho, principalmente com o tagarela do Camavinga, que fazia piada de minuto em minuto.
Se sair algum vídeo da gente assistindo, certeza que a maioria vai ser dos dois dando risada.
O jogo era contra o Real Valladolid e estavamos bem superiores logo no primeiro tempo, apesar de termos perdidos algumas chances boas de gol.
- Oi! - Ouvi em português, olhando pra baixo e vendo um menininho, do meu tom de pele e com o cabelo todo cacheadinho.
- Oi! Tudo bem? - Ele arregalou os olhos.
- Você é brasileiro?? O irmão falou que você era... Era outra coisa, que fala outra língua. - Ri.
- Não sou não, mas entendo algumas coisinhas assim. - Soltei em portunhol, fazendo sinal de pouco com os dedos. - Como você chama?
- Noah. Noah Gael. - Disse animado e pelo nome, reconheci que era o irmão de Endrick, já que ele sempre comentava dele.
- Que nome legal. Eu sou o Jude. - Abaixei, fazendo um toque com ele.
- Noah! Pelo amor de Deus, meu filho. - A mãe do Endrick apareceu, brava, enquanto ele se escondia atrás da minha perna, rindo. - Sem condições de brincar de esconde esconde aqui, já te perdi três vezes. Desculpa, viu? - Ri, não entendendo nada, mas compreendi o contexto.
- Não precisa pedir desculpas não, adorei conhece-lo.
- Vem, meu bebê. Deixa ele assistir o jogo.
- Se quiser, pode deixar ele aqui.
- Sério? Não vai atrapalhar? Ele é bem animado. - Ri.
- Tenho sim, também sou, vamos nos dar bem.
- Eu tô aqui no final da fileira, tá? Qualquer coisa, só me gritar. - Ri de novo, já que nisso tudo, ele fazia uma carinha de inocente.
- Pode deixar. - Ela se afastou aos poucos, enquanto ele sentava no banco e eu sentava ao lado dele.
A gente mais se comunicava por mímica do que tudo e por incrível que pareça, estávamos nos entendendo, rindo e tudo.
Tirei uma foto nossa, mandei pra Ceci e assim que bloqueei o celular, saiu gol do Valverde, me fazendo pegar ele no colo e o colocar nos meus ombros, comemorando, ouvindo sua gargalhada.
- Muito pai de todos, impressionante. - Camavinga disse, me fazendo rir.
Mas não tinha como, criança era a melhor coisa que existe.
O gol do Valverde rolou aos cinquenta minutos de jogo, então pouco depois apitaram pro intervalo.
Subi pro camarote pra pegar algo pra comer pra mim e pro meu parceirinho, e enquanto enchia nosso prato, Fred, meu empresário, tocou meu ombro, acompanhado de mais três pessoas, que eu conhecia de algum lugar.
- Jude, esses são o Henrico, Jorge e Ana, responsáveis pela a campanha que rolou com a LV. - Me explicou.
- Oi! É um prazer. - Apertei a mão de cada um. - Acho que no dia não conseguimos nos conhecer.
- Isso, deixamos o estúdio o mais confortável possível para que se sentisse à vontade. - Jorge soltou.
- Vou confessar que não precisou de muito, viu? Vi a mesa que prepararam pro café e já me senti em casa. - Brinquei, fazendo eles rirem e eu observei a Ana. - Você que não me é estranha... Já trabalhamos juntos outras vezes?
- Algumas, mas acho que também não fomos apresentados. Na campanha pra Skims eu também estava.
- Ah, você trabalha com a Ceci! Agora lembrei.
- Isso! Não queria falar com medo de dar alguma gafe, não sei se ela fala de mim.
- Fala bastante, principalmente agora que estão trabalhando pertinho.
- Bem? - Brincou e eu gargalhei, pois agora falava, mas nem sempre foi assim.
- Sempre. - Mentira do bem não matava ninguém.
- E nunca agradeci tanto por trabalharem juntas. Cecilia tem brilhado muito nas campanhas. - Henrico falou.
- Ela é incrível, né? - Dei um sorrisinho.
- Muito e vocês formam um casal muito bonito. Imagina se os dois trabalhassem juntos na semana de moda? Iam se completar. - Jorge comentou.
- Espero que meu garoto já esteja de volta aos campos nessa época, viu? Mas seria uma ótima oportunidade pra ele que está entrando nesse ramo cada vez mais. - Fred disse, enquanto eu assentia, entendendo nada. - Quem sabe surge uma folguinha, né?
- Exato. - Soltei, querendo rir pela minha própria bobeira.
- Seria perfeito. E ainda matava a saudade dela, né? Sei que um mês é muita coisa, mas prometo que vai passar rápido e que vou cuidar muito bem dela. - Ana sorriu e aí que eu entendi menos ainda.
- Da Ceci?
- Isso! Ela ainda não aceitou, mas queremos tanto ela com a gente. Ela tem uma mente jovem, criativa, vai dar todo um toque diferente às nossas criações. Tenta convencer nossa diva. - Henrico fez sinal de súplica e eu dei um sorrisinho.
- Vou fazer o possível pra isso.
Eles começaram a conversar animados e assim que o jogo voltou, tive uma desculpa pra sair dali, vendo o Noah animado ao ver o prato na minha mão.
Ele comeu mais que eu, o segundo tempo conseguiu ser melhor que o primeiro, mas nenhuma das duas coisas estavam tendo minha atenção completamente.
Só conseguia pensar no porquê da Ceci não ter me contato algo tão importante pra ela.
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